Com as recentes mortes de José Alencar e de Itamar Franco, o único político, reconhecidamente nacional, que nos resta é o senador Aécio Neves. O atual ostracismo vivenciado por nomes proeminentes, a exemplo do excelente executivo e articulista político Walfrido dos Mares Guia – em fase de retiro por sua própria vontade –, Eduardo Azeredo, em luta ainda contra um imbróglio francamente dissonante com o seu caráter íntegro e reto, Hélio Costa, que se encontra à deriva, abandonado à própria sorte pelo partido que o abriga, e Patrus Ananias, rara unanimidade ética de nosso estado, que se recolheu à atividade de professor universitário, está a indicar que precisamos, urgentemente, de um processo de formação de novos líderes.
A falta de renovação política é considerada pelo professor Marco Antonio Teixeira, da FGV, como um dos pontos críticos da vida pública nacional. No plano doméstico, alguns nomes têm despontado como valores emergentes a exemplo do atual presidente de nossa Assembleia Legislativa, deputado Dinis Pinheiro, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, o deputado federal e secretário-geral do PSDB, Rodrigo de Castro, o secretário de Turismo, Agostinho Célio Patrus, e a prefeita de Contagem, Marília Campos, dentre outros. No plano nacional nossas esperanças concentram-se em dois nomes. O primeiro, ministro Fernando Pimentel, que já se destaca como um dos principais ministros da presidente Dilma, busca, através de uma nova política industrial, estancar o processo de desindustrialização do país. Uma vez conseguido esse intento, projetar-se-á, definitivamente. O outro, nosso governador Antonio Anastasia, verdadeira biblioteca ambulante, que, amparado em sua vasta cultura, tem o encanto pelas palavras e sabe, como ninguém, usá-las, como se estivesse dando uma aula magna. Ele nos faz lembrar, pelo estilo, elegância verbal e inteligência, outro mineiro ilustre, o também professor Santiago Dantas.
Ainda assim, é pouco para nossas mais caras tradições. Minas precisa voltar a conquistar seu posto de fiel da balança no cenário político nacional. Especula-se que o senador Aécio Neves, buscaria, a qualquer momento, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), o seu presidente Robson Andrade, para introduzi-lo na política partidária, a fim de que se aproveite o seu potencial, já revelado na proposta formulada para a nova política industrial, em fase de lançamento pelo governo federal. O elenco de medidas que está a municiar o noticiário, tais como desoneração de investimentos e das exportações, medidas de defesa comercial e de controle das importações, mecanismos de incentivo à compra de produtos nacionais, incentivos e financiamentos para a inovação tecnológica, visando a conferir mais competitividade às empresas, estão contempladas no documento da CNI, por ele inspirado.
O ficha limpa que aí está, ainda não impede que suportemos os Garotinhos e Malufs, razão pela qual uma reforma política se torna imperiosa, ainda que ela não nos garanta extirpar a corrupção e outras práticas ilícitas, para atrair nomes, hoje refratários, que venham a tornar realidade essa renovação política, na esperança de dias melhores para a nação. Se tomarmos como exemplo o ocorrido recentemente no Ministério dos Transportes, a política hoje praticada, além de ser entrave à renovação, propicia, cada vez mais, o surgimento de uma seara de insensatos brigando por poder, dinheiro e vaidades. Uma verdadeira egolatria!
Wagner Gomes, administrador de empresas