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Automóvel007 de saiaNossa repórter foi até a Inglaterra conhecer a fábrica da Aston Martin e aproveitou para pisar a 250 quilômetros por hora
Texto: Cláudia Rezende | Fotos: Divulgação Aston Martin
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A primeira sala percorrida foi a dos carros antigos da marca. O mais velho, o Coal Scuttle, de 1914, nos primeiros anos da Aston Martin. Depois, o Bamford-Martin, que teve 60 unidades fabricadas entre 1914 e 1925. Outro modelo é o Series-1, de 1927 a 1932, com 129 exemplares. Daí vai até chegar aos desenhos mais contemporâneos, sempre inovadores e desafiadores. Interessante observar como a fabricação de um Aston Martin é limitada. Um dos itens do luxo é a exclusividade. Não precisa dizer mais nada. Um dos astros da galeria do tempo da Aston Martin é o DB5, primeiro modelo da marca a aparecer nos filmes de James Bond, em 007 contra Goldfingher, ainda com o galã Sean Connery. Ele foi fabricado entre 1963 e 1966 e teve 1.059 unidades no mundo. Depois dele, o carro ficou associado ao espião mais famoso (e mais charmoso) do mundo e houve uma sequência de filmes em que os veículos apareceram. O último Aston Martin usado por James Bond foi o DBS, no filme Cassino Royale, que marcou a estreia do ator Daniel Craig no papel de 007. Os últimos lançamentos da fabricante foram One-77 (2010), Rapide (2010), o primeiro modelo Aston Martin com quatro portas, e Cygnet (2011), um compacto que ainda não é vendido no Brasil. |
Na fábrica, trabalham cerca de 300 pessoas, das 8 às 18 horas. Cada veículo leva cerca de 200 horas para ser fabricado. Todos os carros são produzidos lá, com exceção do One-77, que tem uma divisão em área próxima, exclusiva para ele. Quando você atravessa o espaço de produção, depara-se com imagens que chamam a atenção, como a seção de costura. Nela, os funcionários trabalham, alisam e acariciam cada peça de couro que vai revestir a área interna dos veículos. Não há linha de produção na fábrica. Você não vê os carros (ou parte deles) passando para lá e para cá em esteiras. Mesmo quando estão em um corredor de montagem, ficam parados, para que recebam as peças com calma, sem ter de obedecer ao ritmo da máquina. Quem dá o ritmo é o funcionário encarregado de cada etapa. Uma das fases minuciosas e que demandam mais tempo é a da pintura, toda manual, detalhista, com várias camadas, polimentos e inspeções, para garantir a perfeição e o brilho externo do veículo. São 50 horas somente para os cuidados com a pintura. |
Também chama a atenção o fato de os funcionários estarem fora de qualquer padrão. São jovens, adultos, idosos, negros, pardos, brancos, europeus, orientais... Muito diferente do que se vê no Brasil, onde a força de trabalho em fábricas ainda é muito associada às forças física e jovem. Lá, parece que o que vale mesmo é o saber fazer, independentemente da idade. Depois que passam por todos os setores – montagem, pintura, acabamento, colocação de vidros etc. –, os carros vão para as inspeções de qualidade. E não são poucas. Pintura, parte elétrica, revestimento, motor, transmissão, acessórios, entre outros. Todos passam por pelo menos uma baia de inspeção. Aprovado por todas, o veículo pode, enfim, colocar seu sinal de perfeito: a logomarca da Aston Martin. Ainda na fábrica, em uma área ao lado, fica o estúdio responsável pelo desenvolvimento do design dos automóveis. Quem apresentou o processo para o grupo de jornalistas foi o styling Carl Oibsale. Ele contou como é elaborado cada detalhe de um novo carro. Todos os protótipos são feitos antes em computador e em modelos de cerâmica, espécie de maquete, para depois passarem à fase de fabricação. |
Quando o cliente compra um Aston Martin, vai até ao estúdio de design e pode escolher como quer cada parte: a textura que quer na pintura, a cor de cada detalhe, os revestimentos, o material do acabamento. Para ficar mais fácil, é apresentado a ele um mostruário de cores e texturas. Ao sair da fábrica para ir ao centro de produção do One-77, uma surpresa. Um belo carro vermelho sendo observado por várias pessoas. Era o Zagato V12, que estava sendo mostrado pela primeira vez aos funcionários. O modelo foi fabricado, em parceria com o estúdio italiano de design Zagato, sobre a base do Vantage V12, para comemorar os 50 anos de lançamento do primeiro Zagato, o DB4GT, de 1961. O carro tem alta potência, proporcionada pelo motor 6.0 de 510 cv, 12 cilindros em V e 57 mkgf de torque. A caixa automática tem seis velocidades, com tração traseira. Ainda não há previsão de venda do modelo nem do valor de venda. Depois de tanta expectativa, a chegada ao centro de produção do One-77. A apresentação do modelo ao público – e, naquele caso, aos jornalistas – é cinematográfica. É feita em uma sala escura, com projeção de luzes que contrastam com a cor da pintura e dão ainda mais beleza. Causa expectativa e surpresa. Tudo preparado para seduzir. A seguir, a entrada na fábrica, se é que se pode chamar assim. As explicações sobre o processo ficaram por conta do engenheiro-chefe do lugar, Chris Porritt, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do One-77. |
Nesse centro de produção, é tudo branco: chão, paredes, portas, armários. E, de uma forma impressionante, da porta, você consegue ver as quatro etapas de produção do One-77. Em cada seção, apenas quatro homens trabalham em cima do veículo. Total controle da produção. O carro fica suspenso, e os funcionários vão colocando cada parte para dar forma ao produto. Um exemplo de quanto o processo é manual: durante a visita, fiquei observando o funcionário que torcia um fio da parte elétrica do One-77, com toda paciência, olhando se estava bom e se precisava melhorar. Deteve-se por minutos na tarefa. O mesmo se via na hora de apertar parafusos, de encapar partes internas e em outras etapas. Não é à toa que cada exemplar leva cerca de 1,5 mil horas para ficar pronto. O One-77 foi lançado no ano passado. É um modelo extremamente exclusivo. Para garantir isso, a Aston Martin vai fabricar apenas 77 unidades – daí, o nome –, todos sob encomenda. Até o momento, já haviam sido vendidos 65. O carro tem motor 7.3, 12 cilindros em V, chassi em fibra de carbono e carroceria em alumínio. A velocidade máxima passa um pouco de 350 quilômetros por hora. O projeto One-77 deve acabar no prazo de um ano a um ano e meio. Depois disso, ainda não se sabe qual será a nova destinação do centro de produção montado para ele. Quem sabe um novo modelo tão ou mais exclusivo? O dia seguinte foi de pura adrenalina: test drive em seis modelos da Aston Martin, em Millbrook Proving Grounds. O lugar é um circuito de testes de carros, com pistas de diferentes perfis. No cardápio de testes, um DBS, um Rapide, um Virage, um DB9, um V12 Vantage e um V8 Vantage S. Meu primeiro deleite foi, de cara, o DBS, o carro de 007 em Cassino Royale. A pista era reta, para teste de velocidade e frenagem. Vi o velocímetro chegar a 140 milhas por hora, ou seja, cheguei a 224 quilômetros por hora! |
O segundo carro foi o V8 Vantage S, mais esportivo, com 8 cilindros em V e motor 4.3, e que chega a uma das mais altas velocidades: 305 quilômetros por hora. Mesmo se eu não quisesse pisar fundo, tinha o instrutor ao meu lado dizendo: “Gas! Gas!”. E eu pisava. Foi nessa pista a filmagem da cena em que 007 consegue capotar o DBS, em Cassino Royale. Segundo o instrutor, foram usados (leia-se: destruídos) cinco veículos durante as gravações. Que dó! Cada carro custa, pelo menos, 115.956 libras (cerca de 324,6 mil reais). O Virage me levou à pista oval, onde a adrenalina também foi lá no alto. Quando eu cheguei à velocidade de 97 milhas por hora (cerca de 155 quilômetros por hora), o instrutor simplesmente me falou para eu tirar a mão do volante. Obedeci. O carro continuou como estava, na mesma pista e na mesma velocidade. Graças ao sistema de estabilidade do veículo e à física. Não satisfeito, na segunda rodada, o instrutor foi para uma faixa mais acima na pista oval e me mandou soltar as mãos quando eu estava a 130 milhas por hora (cerca de 208 quilômetros por hora). A cena se repetiu e, mais uma vez, o carro obedeceu, sem se desviar do percurso. |
A quarta experiência foi com o DB9, carro de 12 cilindros em V e 6.0 litros. O circuito foi diferente porque foi em pista molhada, para testar um sistema de estabilidade, o Dynamic Stability Control. Primeiro, eu tinha que acelerar e dirigir em um pequeno círculo sem acionar o sistema. Saí derrapando com o carro, girando. Depois, com o sistema, o carro não ficou rodando. Parou de uma vez, sem desestabilizar. Com o Rapide, voltei para a pista sinuosa, cheia de altos e baixos. Mas a ideia, dessa vez, não era testar a estabilidade do carro nas curvas, mas sentir um carro mais confortável, macio. O Rapide é elegante, o primeiro quatro portas da Aston Martin, com mais espaço interno, voltado para o público que está mais interessado em conforto. Nem por isso, tem menos potência. É também 12 cilindros em V e motor 6.0 litros, com 48 válvulas. Chega a 295 quilômetros por hora. Por último, experimentei o V12 Vantage, também na pista reta. Foi nele que cheguei ao meu ápice de velocidade. Era para pisar e fui pisando, pisando, até chegar a 150 milhas (cerca de 240 quilômetros por hora). Foi bastante, mas, no final, fiquei com aquele sentimento de pesar. Afinal, o carro chegava a 295 quilômetros por hora. Poderia ter abusado um pouco mais. Agora, só na próxima.
(*) A jornalista viajou a convite da Aston Martin |
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