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Perfil
Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, tem traços fortes de empreendorismo e de mineridade. Sua ligação com a família, que faz questão de citar em todos os seus pronunciamentos, seus sólidos conceitos sobre parcerias e solidariedade e um indisfarçável sentimento de gratidão a todos os que, de uma forma ou de outra participaram de sua vida pessoal e profissional, deixam à mostra o espírito de Minas que ele faz questão de cultuar. Este é o homem. O empresário, influenciado pelos traços do homem, não é diferente. Seriedade e capacidade de inovação são marcas registradas. O empreender ele aprendeu cedo. Recém-formado em engenharia recebeu e aceitou o desafio do irmão Ronaldo para comandar a Orteng, uma empresa que vai chegando agora aos trinta e quatro anos, mas que, desde cedo, ocupou seu espaço no mercado. De gestor Ronaldo Andrade foi novamente provocado pelo irmão e, junto com três outros amigos, passou a proprietário da empresa. Ronaldo seguiu outros caminhos na engenharia e a Orteng novos rumos em sua administração. Sua característica mais marcante tem uma relação direta com o perfil de Robson Andrade. Para ele, o papel da empresa é de conduzir e sustentar o desenvolvimento econômico e social. O sucesso de uma empresa, repete, não é o sucesso apenas do empresário. É também do estado e da sociedade, pois uma empresa é o resultado de uma construção coletiva. É a essência do pensamento da responsabilidade social da empresa, que o Grupo Orteng, hoje com seis empresas, carrega. Do grupo original de 34 funcionários lá pelo final da década de 1970, início da década de 80, ainda há vários trabalhando ao lado de outros quase dois mil, contratados para atender a necessidade do desenvolvimento. Um crescimento com marcas de ousadia. A maior delas, talvez, a grande encruzilhada entre crescer ou ser engolida pelas maiores. Parceira de uma grande empresa francesa, entre outras tantas que teve em diferentes estágios e projetos, os sócios da Orteng receberam um ultimato. Ou vendiam o controle da empresa ou compravam a parte da parceira. Ousaram. Compraram. Mantiveram mineira e brasileira a empresa que nasceu para ser assim. Andrade repete sempre que nunca se arrependeram da decisão. Não se arrepender é outra marca do presidente da CNI que bem cedo ainda teve que fazer outra opção importante. Nascido em São João del Rei, aos 17 anos mudou-se para Belo Horizonte para continuar, no Colégio Santo Antônio, os estudos que iniciara no Santo Antônio de lá. Veio sozinho, mas aqui já estava o irmão Ronaldo. Aluno dos mais aplicados, ele confessa, nunca foi. Dividia, com muito gosto, o tempo entre os cadernos e livros com a fotografia, uma nova paixão. Chegou a fazer alguns trabalhos, mas acabou tomando a decisão final de fazer o vestibular para engenharia. A aprovação, confessa, foi surpresa até mesmo para ele. O tempo cuidou de mostrar que esta foi outra decisão acertada. Depois de uma rápida passagem pela Metalúrgica Fonseca – seu único emprego – foi administrar a Orteng para depois tornar-se um de seus sócios e presidente há trinta anos. O empresário que conseguiu sobreviver nos últimos trinta e cinco anos no Brasil sabe o que passaram Robson Andrade e seus sócios. Foram mudanças políticas e econômicas profundas vividas interna e externamente. No plano externo crises e recessão, no interno planos econômicos que ajudaram a afundar ainda mais a economia brasileira e levar a 85% mês uma inflação crônica. Uma morte de um presidente eleito, Tancredo, que não chegou a tomar posse. A derrubada de um presidente eleito como salvador e ascensão de um mineiro, Itamar, que, com o Plano Real, deu norte e segurança à economia. A tudo isto Robson Andrade não assistiu passivamente. Foi ator de muitas lutas nas várias entidades de que participou até chegar à presidência da Fiemg para cumprir dois mandatos, de 2002 a 2010. Mudou a entidade. Fez dela um instrumento de interlocução constante do empresário com o setor público. Realçou os compromissos sociais da entidade, fazendo-a parceira da sociedade. Muito da Minas de hoje tem a marca da Fiemg de Robson Andrade que nunca se deixou seduzir por propostas para se tornar político de votos. Manteve seu compromisso de ser um empresário com compromissos políticos, fazendo de suas empresas e entidades classistas de que participou ou dirigiu, a trincheiras das lutas econômicas e sociais. |
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