Quarta, 23 de Maio de 2012
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Indústria

Produção duplicada

Ampliação da Unigal é a primeira de uma série de ações da Usiminas com o objetivo de aumentar sua participação no mercado interno

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Rodrigo Zeferino/Grão Fotografia


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Uma joint venture nipo-brasileira, de 1999, possibilitou a criação da Unigal Usiminas, em Ipatinga, no Vale do Aço. Recentemente ampliada, recebeu 914 milhões de reais em investimentos, que dobraram sua capacidade de produção de aço galvanizado por imersão a quente para um milhão de toneladas por ano. A unidade gerou 250 novos empregos diretos e indiretos. Segundo a direção da empresa, é a mais moderna do mundo em termos de produção de aço galvanizado. A Unigal tornou-se estratégica nos planos da Usiminas, de ampliar sua participação no mercado brasileiro, e seu valor no mercado de ações. A empresa, avaliada em 22 bilhões de reais, quer chegar a 50 bilhões até 2015. O ebitda (lucro antes dos descontos de juros, impostos, amortizaçaõ e depreciação) do primeiro trimestre deste ano, de 320 milhões de reais, segundo o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, não será empecilho para que a companhia atinja seus objetivos. Até 2015 os planos são de que seu ebitda chegue a 8,3 bilhões de reais por ano.

Para alcançar suas metas ambiciosas em um mercado globalizado e altamente competitivo, a Usiminas elaborou uma série de projetos, que já começaram a ser colocados em prática. A ampliação da Unigal – da qual a empresa tem 70% e os outros 30% são da japonesa Nippon Steel Corporation – é apenas uma pontinha do iceberg do planejamento da companhia mineira. Com sua ampliação, a empresa voltará a atuar com mais vigor em mercados que já teve market share de 30% no início dos anos 2000 e hoje, detém apenas 7%, como as indústrias da linha branca, da construção civil e o setor de distribuição. “A indústria siderúrgica mundial, ao invés de falar em capacidade produtiva, está discutindo competitividade, que é internacional. E a competitividade é o foco da Usiminas”, anuncia Brumer.


Brumer Discursa em noite de inauguração e frisa a competitividade
Brumer Discursa em noite de inauguração e frisa a competitividade

Um dos fatores que possibilitarão o aumento deste desempenho será o novo laminador, em Cubatão. Outro investimento será na implantação de uma nova coqueria, que deixará a empresa autossuficiente em coque. A coqueria ficará pronta em 2013. A empresa também está investindo em mineração. Atualmente sua produção é de 7 milhões de toneladas anuais. A meta, segundo Wilson Brumer, é chegar a 12 milhões em 2012, e a 20 milhões de toneladas, em 2015. “O setor da mineração irá influenciar muito   nos objetivos de crescimento da Usiminas”, assegura Brumer. Outra forma de tentar garantir que isto aconteça será o investimento em uma planta de pelotização, para a qual a Usiminas busca um parceiro que seja, preferencialmente, consumidor de pelotas. A unidade irá demandar investimentos de 1 bilhão de dólares e será construída em Minas Gerais. O local ainda não foi definido, mas será escolhido levando-se em consideração questões de logística.

Investimentos de 914 bilhões de reais para dobrar produção
Investimentos de 914 bilhões de reais para dobrar produção

A otimização da planta da Usiminas em Ipatinga também faz parte de seu projeto de crescimento.  Os planos serão anunciados até o fim deste ano. A reestruturação se estende também à gestão da empresa. Uma vice-presidência foi reduzida e outras modificações serão feitas ao longo do ano. As áreas de produção e comercial dos negócios siderurgia, mineração e downstream ficaram sob o comando de apenas uma pessoa. Outro foco da Usiminas será na questão energética, com economia de 350 milhões de reais por ano. A meta é chegar à autosuficiência de energia até 2015, com maior utilização do gás produzido nos autofornos de Ipatinga e com a construção de uma termoelétrica para fazer o mesmo com os gases produzidos em Cubatão. 

O crescimento da Usiminas deve basear-se mais no atendimento ao mercado interno. A empresa, que exporta 25% de sua produção, desde maio deste ano, tem como meta reduzir este montante para 11%. “Existe muito aço produzido no mundo. Aliado a isto, temos os problemas cambiais”, justifica Wilson Brumer. Segundo o vice-presidente de Negócios da Usiminas, Sergio Leite de Andrade, a produção anual de aço em todo o mundo é de 1,9 bilhão de toneladas. “E o consumo não ultrapassa 1,4 bilhão de toneladas do produto. Há muito aço sobrando”, reforça. Como a expectativa é de crescimento da economia brasileira nos próximos anos, a empresa faz seus investimentos para tornar-se mais presente no mercado nacional, do qual detém 35%. Com a inauguração da nova unidade da Unigal, que tem como novidade a tecnologia de “tratamento em L”, criada pela parceira Nipon Steel, que proporciona melhor desempenho nos processos de estampagem e aproveitamento do material a ser utilizado pelos clientes da Usiminas. “A inovação para nós é um processo vital e muito importante, por isto o alto investimento da empresa em tecnologia”, finaliza Brumer.


 
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