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GestãoSucessão harmoniosaPrograma de Desenvolvimento ao Acionista da Fundação Dom Cabral prepara membros de empresas familiares para lidar com temas espinhosos
Texto: Terezinha Moreira | Fotos: vários
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Às vezes, os conflitos familiares põem em risco a continuidade do clã na empresa. Em alguns casos, não muito raros, a companhia acaba tendo de ser vendida porque não houve acordo entre os familiares proprietários. “O objetivo fim do programa é manter a longevidade das relações e das companhias. Muitas empresas acabam sendo vendidas ou se fundindo com outras corporações e a família perde seu controle”, assevera Juliana Gonçalves. De acordo com ela, os efeitos do PDA sobre as famílias e suas empresas é tão positivo que algumas acabam fazendo o curso novamente, com membros que não haviam participado por não terem idade propícia para o curso. Foi o que aconteceu na Lider Aviação. A vice-presidente do Conselho de Administração e coordenadora da governança familiar da empresa, Jacqueline Piacenza Assumpção Geo, já participou do PDA duas vezes. Uma, com seu pai, José Afonso Assumpção, e as duas irmãs, no início da implantação do curso em Belo Horizonte, e outra, com 11 dos 12 netos do fundador da empresa. Ela lembra que um não participou por não ter idade para tal. Na época do primeiro curso, a empresa estava iniciando em programas de governança corporativa, mas mais curtos. “No Brasil não tinha nenhum curso aprofundado no assunto, até que a Fundação Dom Cabral lançou o PDA”, lembra Jacqueline Geo. Ela conta que, há 13 anos, a Lider Aviação começou a colocar, em prática a criação dos conselhos de administração e o de governança familiar. “Este segundo curso foi muito bom para que os netos de meu pai tenham a primeira noção do que é uma empresa familiar, quais são as expectativas com relação aos acionistas e vice-versa e tudo o que tem de ser feito para a transição das gerações”, conta Jacqueline. Ela diz que a terceira geração também fez um programa de desenvolvimento individual, oferecido pela FDC, e que foi muito importante porque deu uma direção profissional para os que ainda tinham dúvida sobre que carreira seguir. |
De acordo com Juliana Gonçalves, o PDA tem três características: a troca de experiência com outras famílias empresárias – o que é extremamente rico e importante porque muitas vezes o depoimento de uma família pode ajudar na solução dos problemas de outra –; o tempo de duração de 18 meses, considerado importante porque não é apenas um trabalho de informação, mas de amadurecimento de percepção; e o terceiro ponto que é uma oportunidade para a família refletir sobre as questões da empresa. “A família está toda junta, mas em um ambiente neutro, para discutir os problemas da empresa”, enfatiza a gerente de projetos da FDC. E é neste ambiente neutro que as famílias são preparadas para gerir melhor suas empresas. “É preciso as famílias entenderem que à medida que a empresa vai crescendo, novas gerações vão chegando, é necessária a implementação de regras de gestão no negócio, com mais profissionalismo”, assinala a consultora em empresa familiar da FDC, Beatriz Coutinho. Ela lembra que isto é um ponto gerador de conflitos entre os familiares, pois alguns entendem que os membros do clã é que têm de trabalhar na empresa e outros querem profissionalizá-la. “Com isto, há conflitos de autoridade, de pai com filhos e entre irmãos”, comenta a terapeuta familiar. Para tentar fazer com que os membros da família descubram a melhor forma de se comandar a empresa, são feitos workshops de desenvolvimento familiar, de preparação para que estes familiares sejam executivos ou acionistas da empresa. De acordo com Beatriz Coutinho, durante o curso também é feita intervenção no nível familiar (de relações emocionais), da gestão (preparação profissional) e no nível patrimonial (em torno das questões societárias). Ela diz que a sucessão é um momento de dificuldade porque o fundador está acostumado a gerir a empresa de uma forma e o filho ou filha chega com características diferentes de administração, que nem sempre são aceitas. “Às vezes, o pai escolhe o filho mais velho para ser o seu sucessor e, nem sempre, é ele a pessoa mais bem preparada ou indicada, o que também gera conflitos e até pode comprometer o desempenho da empresa”, ressalta. “O PDA foi feito para preparar as famílias para que tenham conhecimento suficiente para tomar todas estas decisões, para que elas não discutam estes assuntos sem que estejam preparadas para isto”, finaliza Beatriz Coutinho. |