Quarta, 23 de Maio de 2012
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Capa: Especial Namorados III

Intercâmbio do amor

Estudar seria o objetivo de todos eles, mas a flecha do cupido, em algum momento, tratou de fazer parte do roteiro de viagem

Texto: Nayara Menezes | Fotos: Arte: Paulo Werner


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Conhecer um país novo, viver experiências inusitadas, falar uma língua diferente, observar outra cultura, fazer novas amizades. São inúmeros os motivos que levam milhares de brasileiros a buscar um intercâmbio. A desvalorização do dólar frente ao real e o aquecimento do mercado brasileiro contribuem para que os jovens possam realizar o sonho de estudar ou trabalhar no exterior. Segundo dados da Association of Language Travel Organizations, o Brasil está entre os 10 países que mais exportam intercambistas no mundo. Após se aventurarem em terras desconhecidas, eles voltam para a casa cheios de histórias para contar. Mas alguns deles trazem consigo algo a mais do que a bagagem cultural. Encontram lá longe, a milhas de distância, um grande amor.  

Carência, solidão, saudade de casa? Seriam essas as razões para as pessoas buscarem um aconchego fora do lar? Para a psicanalista Regina Rozenbaum os motivos vão além dessas suposições. “Não penso que seja apenas por estarem sozinhos e carentes que esses encontros amorosos se dão. Se assim fosse, eles se dariam em suas cidades-natais, onde percebemos uma onda gigantesca de solidão e queixas de desencontro constante,” avalia. Para a psicóloga, a solidão influencia sim, mas num outro sentido. “Longe da família, dos amigos, da cultura, o sujeito se faz vulnerável como nunca. Há nessa vulnerabilidade uma desconstrução e uma abertura, descompromissada, para o novo”, reflete. 

Porém, ao se abrirem para novos amores, muitas vezes, os intercambistas têm que enfrentar um desafio: a distância. Afinal, na maior parte das vezes, a viagem tem data certa para terminar. E é neste momento quando começam a viver um dilema: como deixar para trás alguém que você tem certeza que é a sua cara metade? Alguns conseguem guardar a história apenas como mais uma recordação da viagem, outros lutam para driblar as barreiras geográficas e fazer valer o ditado de que para o amor não existem fronteiras. Às vésperas do Dia dos Namorados, a Viver Brasil conta para você algumas dessas inspiradoras histórias de amor.


Gabriela Vilela de Souza Lima e Patrick de Oliveira Rosa

A advogada carioca Gabriela Vilela de Souza Lima, 30 anos, não conseguiu dar adeus para a história que se iniciou em Luxemburgo, um pequeno país europeu, próximo a Portugal. Em 2005, ao fazer um Mestrado de Direito em Coimbra, conheceu Patrick. “Fomos apresentados pela prima dele, Monique, durante um passeio que fizemos a Luxemburgo”, conta. Menos de um ano após o primeiro encontro, os dois já estavam casados. A viagem que era para durar dois anos, acabou se estendendo até hoje. “Arrumei um emprego em Luxemburgo, onde estamos morando”. Gabriela admite que, no princípio, teve que enfrentar a desconfiança e o ciúme dos pais, que não esperavam que a filha não fosse mais voltar para o Brasil. “No início foi difícil, mas nós dois estávamos muito conscientes de que queríamos ficar juntos. No mais, tínhamos pequenos obstáculos a ultrapassar”, conta. E todos os desafios foram superados pelo casal, que hoje comemora a chegada da pequena Ana Catarina, que nasceu há seis meses.

Amanda Chaves de Almeida Quadra e André Rodolfo de Oliveira Quadra

Em 2006, quando cursava a faculdade de Comunicação Social, Gabriela foi fazer um intercâmbio na Universidade de Coimbra, em 2006. A ideia era ficar apenas seis meses, ou, no máximo, um ano. Mas um assalto viria a mudar todos os planos. “Eu iria voltar para o Brasil em dezembro de 2006. Porém, em outubro entraram no meu
quarto e pegaram minha carteira com meu passaporte, outros documentos e 800 euros. Com este dinheiro compraria a passagem de volta para o Brasil no dia seguinte”, conta. Após o incidente Amanda resolveu estender a viagem por mais seis meses. Foi quando ela conheceu o advogado carioca André Rodolfo de Oliveira Quadra, 27 anos. Ele tinha ido fazer o mesmo programa da universidade que ela, porém, na área do Direito. Os dois acabaram dividindo o mesmo apartamento com outros dois amigos e, a partir daí, o cupido entrou em ação. “Conhecer o André não mudou somente meu intercâmbio, mudou a minha vida”, comenta Amanda, que ao voltar para o Brasil, mudou de mala e cuia para o Rio de Janeiro. “Fiquei apenas quatro meses com meus pais em Belo Horizonte e me mudei para o Rio.” Os dois estão casados há três anos e moram atualmente em São Paulo, já que André foi transferido para a capital paulista. “Sabíamos que ficaríamos juntos desde sempre”, revela Amanda.

Silma Dornas de Abreu e Louis Mooren

Em uma viagem pela Europa, em 1991, quando foi visitar a irmã, na Suíça, Silma encontrou-se com o holandês Louis Mooren, amigo de sua irmã. Eles já tinham sido apresentados no Brasil, em uma festa de réveillon. Mas na época, ambos eram comprometidos. Foi somente ao visitar o amigo na Holanda que os dois se apaixonaram perdidamente. “Curtimos quatro meses maravilhosos juntos, viajando pela Europa. Mas estávamos certos de que aquilo não duraria, pois, é impossível manter um relacionamento com tantas milhas de distância”, conta Louis. Porém, o desfecho não seria tão simples quanto os dois imaginaram. “Ficamos oito meses separados, mas não conseguíamos nos desvencilhar. Eu mandei 64 cartas para ela nesse período”. Silma guarda as cartas até hoje. E, o holandês, que até então se julgava cético em relação a histórias de amor, foi completamente vencido por um sentimento novo. “Liguei para ela e avisei que estava indo para o Brasil me casar com ela”, lembra. Os dois estão casados há 18 anos e são pais de Rosa, 9. Em nenhum momento, Louis se arrepende de ter trocado a Holanda pelo Brasil. “A vida aqui é bem difícil. Meu pai e meus amigos acharam que eu era louco em vir para cá. Mas a vida é feita de escolhas e eu escolhi viver esse amor. E estou muito feliz”, afirma.

Viviane Miranda e Jonathan Davis

Outro que também trocou o país de origem pela chance de viver ao lado da amada foi o irlandês Jonathan Davis, 26 anos. Em uma viagem pela Argentina com os amigos, ele se rendeu aos encantos da mineira Viviane Miranda, 24, que estava no país vizinho aperfeiçoando o espanhol. Os dois também foram surpreendidos pelo cupido. “A última coisa que esperávamos acontecer era arrumar um namorado em uma viagem dessas. Ainda sendo de outro país”, conta Viviane. Mas como o amor não marca data e hora para chegar, os dois deixaram que ele entrasse. “Desde que começamos a ficar não nos separamos mais”, contam. Foram cinco meses de romance em terras argentinas. Ao chegar a hora de Viviane voltar para o Brasil, uma decisão: “Resolvi que iria para o Brasil encontrá-la daí a dois meses. Achávamos que tínhamos algo especial e que deveríamos tentar para ver o que ia acontecer. Foi tudo muito inesperado e rápido”, conta Jon, que, há dois anos, mora em Belo Horizonte e trabalha como professor de inglês. Os dois estão cheios de planos para o futuro. “A gente esta pensando em ir para a Irlanda ano que vem, para a Viviane conhecer. Queremos viajar, conhecer muitos lugares e fortalecer ainda mais o nosso relacionamento”, diz o irlandês.


 
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