O Vale do Aço é uma das regiões mais prósperas de Minas. Reconhecida em todo o Brasil pela presença de importantes empresas nas áreas de siderurgia, celulose e mineração, tem mostrado outras potencialidades econômicas e sociais. Mas apesar da economia pujante, ainda há muito o que fazer para estimular novos negócios e fomentar políticas públicas, responsabilidades não apenas das lideranças políticas e dos empresários, mas de toda a sociedade.
Apontar os maiores desafios do Vale do Aço, propondo soluções para o desenvolvimento econômico e social foram os principais objetivos da 3ª edição do Conexão Empresarial Regiões de Minas, evento do Projeto Viver Minas, realizado pela VB Comunicação que, nesta edição, desembarcou em Ipatinga. “Mais do que colocar em evidência a rica região do Vale do Aço, o projeto propõe um debate entre personalidades influentes e abre espaço para identificar as oportunidades de desenvolvimento”, disse o diretor do grupo VB Comunicação, Gustavo Cesar de Oliveira.
Antes de desenvolver qualquer projeto em uma região é necessário planejar de forma metódica e, principalmente, integrando todos os pilares da sociedade. Com essas palavras, a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, abriu palestra fazendo uma retrospectiva sobre o choque de gestão, modelo desenvolvido no governo de Aécio Neves, e que virou marca registrada de seu mandato. “Por meio das redes vamos eleger as principais estratégias. Na primeira etapa do programa, conseguimos equilibrar as contas do estado para dar início aos investimentos. Na segunda etapa, entre os anos de 2007 e 2010, nossa meta foi buscar resultados. Hoje, estamos fazendo um resgate do planejamento do estado. Não há como definir políticas públicas sem planejamento”, analisa.
Atuar de forma conjunta, atendendo a todas as reivindicações e necessidades das regiões em busca de soluções, é a regra apontada pela secretária. “Hoje temos um orçamento com principais indicadores e metas. Com esse diagnóstico, conseguimos trabalhar em rede, envolvendo todos os atores e articuladores por meio do regionalismo. O perfil econômico e social de Minas é muito diversificado, cada região tem uma necessidade, e esse é nosso maior desafio, trabalhar a individualidade das 10 regiões de Minas. Estamos nos organizando em rede, articulando diversos setores, através de uma gestão regionalizada”, frisa Renata Vilhena, dizendo que o governo deixa de trabalhar de forma verticalizada para adotar uma postura mais transversal. “Sozinhos não alcançamos os objetivos, precisamos somar forças. Queremos trazer a sociedade para o nosso lado“.
Dentre os maiores desafios para o Vale do Aço está o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), que representa pouco menos de 10% frente ao estado. “Para alavancar o PIB, temos projetos como a Rede Mineira de Empregos, que reúne empresários e entidades para estimular geração de emprego e renda”, completa a secretária.
Emprego e renda também são as preocupações do presidente da Fiemg Regional Vale do Aço, Luciano Araújo. Em 2010, cerca de 21 mil alunos foram qualificados pelo Senai no Vale do Aço. “Mas, além de qualificar nossa mão de obra, precisamos investir
em cursos e orientações direcionados aos empresários. A qualificação dos nossos empresários é essencial para a sustentabilidade das empresas”, observa Araújo, lembrando que para a sobrevivência das empresas é necessária a reforma tributária, além das questões trabalhistas que precisam ser revistas. “Não queremos nenhum beneficio, queremos apenas isonomia para competir”, diz.
Para atrair investimentos às empresas, o dirigente chama a atenção sobre a questão da logística. “Não dá mais para esperar a duplicação da BR-381, estamos vivendo um momento caótico. A queda da ponte sobre o rio das Velhas chamou a atenção do governo e espero que agora as obras comecem o quanto antes”, reivindica. A secretária Renata Vilhena responde dizendo que, embora as obras de duplicações da BR-381 sejam responsabilidade do governo federal, o estado não tem medido esforços para resolver o problema. “Tanto que estamos criando o projeto Minas Logística”, destaca Vilhena.
O potencial econômico da região, comprovado pela presença de várias siderúrgicas e mineradoras, pode sofrer mudanças nos próximos anos, de acordo com Araújo. “Por isso temos que identificar possibilidades e oportunidades de novos negócios. A piscicultura, por exemplo, seria uma delas. Somos a segunda região da América Latina em número de lagoas. Por meio de estudos de viabilidade econômica para a atividade, descobrimos que poderíamos produzir até duas vezes mais do que o estado de Santa Catarina, destaque nesse segmento. Precisamos preparar as gerações futuras para essas novas economias”, considera.
Novos cenários que inspiraram a Trip Linhas Aéreas a investir em voos regionais, com até 90 assentos. Em Ipatinga, são sete voos diários. O diretor de marketing da empresa, Evaristo Mascarenhas, traça um diagnóstico sobre a regionalização da aviação. “O país está atrasado em relação aos Estados Unidos. Hoje, o Brasil opera apenas 4% nesse mercado, enquanto os Estados Unidos participam em 25%”, compara. A empresa tem contribuído para o desenvolvimento das regiões de Minas e possui hoje 13 destinos no estado. “Procuramos sempre identificar as demandas de voos nas cidades do interior”, completa.
Também de olho nos investimentos nas cidades do Vale do Aço, os sócios da Fábrica de Ideias, empresa com atuação em prospecção de negócios com quatro unidades em Minas Gerais e uma em Belo Horizonte, Leonardo Otoni Leal e Ricardo Rodrigues destacam as oportunidades no Vale do Aço. “Pretendemos investir na região, pois o segmento de prestação de serviços está crescendo como nunca”, observam.
O gerente corporativo da Claro, Gabriel Mendes, anuncia que novidades na região estão por vir. “Já temos duas lojas, uma em Ipatinga e outra em Coronel Fabriciano. Pelo potencial do Vale, acredito que outras unidades poderão ser abertas”, estima.
Empresas como Usiminas e Cenibra, propulsoras do desenvolvimento econômico do Vale do Aço, estiverem presentes do evento. “Vamos sempre contribuir com Ipatinga. A história já é testemunha disso”, disse o diretor da usina em Ipatinga, Francisco Luiz Amerio que pretende aumentar os negócios entre a empresa e os fornecedores locais.
A Cenibra, também destaque na geração de empregos na região, exercendo influência em 55 municípios e representada pelo presidente Paulo Brant, destacou as vantagens competitivas do Vale do Aço. “Há um espaço muito grande na economia da região para ser explorado. Apesar das desigualdades da região, acredito que o progresso estar por vir”, anuncia Brant.
De progresso econômico a melhorias sociais em seus discursos, o prefeito de Ipatinga, Robson Gomes, e o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Sena, deram um tom de esperança e otimismo às palestras. “Não conheço no Brasil uma região com tanta potencialidade como o Vale do Aço. Que o evento seja um marco para o progresso e desenvolvimento”, pede o secretário. O prefeito Robson Gomes faz coro: “É um reconhecimento de nossa região frente ao estado”, comemora.