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PersonagemDeus esqueceu de mimA mineira Maria Gomes Valentim completa 115 anos no dia 9 de julho e foi parar no Guiness Book como a mulher mais velha do mundo
Texto: Ana Elizabeth Diniz | Fotos: Victor Schwaner
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Marina Fernandes Martins, 27, cuida de dona Quita, das 8 às 19h, há um ano e meio. A rotina que começa lá pelas 9h, com um café com açúcar, pão com manteiga e frutas. “Ela adora mamão.” Depois vem a hora do banho. O almoço não tem nada de especial, arroz, feijão, carne ou frango, alguma verdura e legumes. “Ela é muito independente e tem força nos braços. Toma a colher da minha mão e come sozinha. Na hora do banho é a mesma coisa”, comenta. Doce dona Quita não gosta muito. No meio da tarde toma leite com linhaça e quando tem, saboreia com prazer uma empada de frango com pimenta extraforte. Fui com Taís comprar o mimo, que já tinha acabado. O jeito foi comprar com pouca pimenta. Carinha boa enquanto comia. De vez em quando ela toma menos de meia taça de vinho, bebida que adora. Victor, o autor das fotos dessa reportagem, sentou-se no chão, aos pés da cama de dona Quita, e foi fotografando, discretamente. “Tentei captar a expressão nos olhos dela. Acho que eles podem contar a história que ela carrega dentro de si.” E são muitas as emoções, encantos e desencantos durante esses três séculos pelos quais passou. Histórias e segredos. A mulher mais velha do mundo nasceu no dia 9 de julho de 1896 e cresceu na fazenda do Vazito, nome pelo qual seu pai Washington Gomes da Silva era conhecido na região. Quando ficou viúvo, ela cuidou dele, que morreu 13 dias antes de completar 99 anos. Dona Quita se casou, em 1913, aos 17 anos, com João Valentim e ficou viúva em 1946, com 50 anos. Teve apenas um filho, Geraldo Gomes de Morais que morreu aos 75 anos. Tem quatro netos, sete bisnetos e cinco trinetos que ajudou a criar. “Minha bisavó sempre foi alegre, animada e bem informada. Diante da televisão brigava e gritava com os personagens como se participasse do enredo. Gostava de dançar, mas meu bisavô, não. Quando tinha baile na cidade, ela não se apertava, montava em um cavalo e vinha sozinha. Quando meu avô morreu, ela começou a costurar para fora. Só parou depois que a visão ficou comprometida”, comenta Taís. Enquanto conversava com a neta e as bisnetas da centenária, iam chegando pessoas, curiosos que queriam ver a idosa, agora famosa. O pequeno Luiz Gustavo, 8 anos, estava perplexo por ficar cara a cara com uma pessoa tão idosa. “Fiquei sabendo dela pela televisão. Reconheci a rua porque moro aqui perto. Quis dar uma passada por aqui, queria conhecê-la pessoalmente. Olhando para ela, assim, acho que ela parece ter uns 95 anos”, confessou ingenuamente. Sua amiga, Gabriela, 10, foi fisgada também pela curiosidade. Não pensou duas vezes em acompanhar Luiz Gustavo na visita à vizinha. “Nossa, ela é bem velhinha. Amanhã vou contar para as minhas amigas que a vi. Viver 114 anos é demais!”. Os jovens amigos, apesar de perplexos, nem de longe têm a dimensão do que seja viver tanto. E pelo que pudemos captar de seus familiares, vó Quita foi intensa. Todos querem saber a fórmula da longevidade, mas como diria Guimarães Rosa, “a vida quer da gente coragem”. Timidamente, sem querer importunar vó Quita, disse no seu ouvido: “Fica com Deus”. No que ela respondeu de pronto: “Amém.” |
Número:24.236 é o número de idosos acima de 100 anos no Brasil, segundo o Censo 2010 do IBGE. Destes, 7.247 são homens e 16.989 são mulheres. |
O inícioComo ela chegou no Guinness
O jornal JC Carangola publicou uma matéria sobre Maria Gomes Valentim, a moradora de 114 anos. Ninguém sabe ao certo como, mas a notícia foi parar na Gerontology Research Group, organização norte-americana que pesquisa os supercentenários. Eles enviaram um correspondente à cidade para verificar a autenticidade da certidão de nascimento e conhecer vó Quita. Foi a própria organização que enviou o caso para o Guiness World Records que publicou o anúncio no dia 18 de maio e vai até a casa da centenária no dia 9 de julho, dia do seu aniversário para entregar o certificado de A mulher mais velha do mundo. Depois do anúncio do Guiness World Records, três senhoras entraram no páreo pelo título. Odília Alves dos Santos e Áurea de Souza e Silva têm 115 anos, segundo parentes. Áurea é um pouco mais velha que Odília: completa 116 anos em setembro. No domingo passado, a Folha de São Paulo contou a história de Sebastiana de Lourdes Silva, 116 completados no início de maio. |
Linha históricaVó Quita atravessou três séculos e vivenciou alguns fatos importantes
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