O estímulo ao microcrédito destinado à geração de renda e emprego entra na agenda do governo federal para erradicação da miséria. O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, assinou com o criador do Grammen Bank, o banco dos pobres, Muhammad Yunus, protocolo de intenções para a transferência da tecnologia social da instituição criada em Bangladesh para o Brasil. “O Banco do Brasil já tem atuação no modelo de microcrédito para consumo. Agora, vamos estimular o microcrédito produtivo e orientado, com foco na geração de renda. Yunus vai trazer a tecnologia do Grammen Bank, já implantado em vários países do mundo, para o Brasil”, disse Bendine. O acordo foi selado no dia 27 de maio durante o 4º Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que reuniu líderes internacionais e brasileiros para discutir questões ambientais, econômicas e sociais, em Belo Horizonte.
Até o final de 2011, o Banco do Brasil deverá oferecer carteira de crédito de 1,5 bilhão de reais para o microcrédito social orientado. Serão concedidos empréstimos à taxa de juros anuais bem abaixo dos praticados no mercado, como fora adiantado no ato de assinatura do protocolo. Segundo o vice-presidente do Banco do Brasil, Robson Rocha, 90% do microcrédito da instituição são concedidos aos tomadores para consumo. “Não questionamos para quê os recursos serão utilizados. No microcrédito social orientado, os tomadores serão treinados, ao destinar os recursos para os negócios, em relação a questões ambientais, como uso dos recursos hídricos e destinação do lixo”, disse Rocha.
Para implementar o programa do Banco do Brasil, segundo Aldemir Bendine, será capacitada uma rede de agentes de crédito, que farão o trabalho no campo até o final deste ano. “A dificuldade para adotar o modelo no Brasil era porque não tínhamos a tecnologia social”, disse Bendine. O banco dos pobres foi criado pelo economista Muhammad Yunus, 70 anos, em Bangladesh, com objetivo de erradicar a miséria. O país tem 85% da população concentrada na área rural, a maioria em condições de pobreza.
“Percebi nas aldeias que as pessoas tomavam dinheiro com agiotas a juros altos para manter negócios, como plantar ou criar pequenos animais. Pensei no que poderia ajudar e tive a ideia de criar um banco cobrando juros baixos. Consegui mudar a vida das pessoas”, comemora Yunus, que ganhou o prêmio Nobel em 2006. Ao contrário dos bancos convencionais, que exigem garantias materiais dos clientes, Grammen Bank prioriza os que menos têm. “Aquele sem o essencial, como comida, casa e móveis, é o primeiro da fila a ser beneficiado com o empréstimo”, garante Yunus, lembrando que a inadimplência é pequena. A taxa de recuperação é de 98,85%.