Quarta, 23 de Maio de 2012
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Capa: Especial Namorados II

Cupido na rede

Relacionamentos que se iniciam na internet e acabam em casamento são cada dia mais comuns

Texto: Raquel Ayres | Fotos: Arte: Paulo Werner


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Pesquisa realizada pelo Oxford Internet Institute, da Universidade de Oxford, apontou que, em 10 anos, o número de pessoas que frequentam sites de relacionamentos cresceu 500%. Entenda-se desde amizades e troca de informações com finalidades práticas, conversas sobre amenidades até a procura por um amor. Não faltam meios virtuais para tais fins: sites de namoro como eHarmony e Par Perfeito já não são vistos como mera brincadeira e sim como facilitadores do encontro. De acordo com informações do primeiro, são mais de 33 milhões de pessoas cadastradas em todo mundo. E o Par Perfeito anuncia: 1 em cada 5 relacionamentos amorosos começam on-line. Se houve, e ainda há desconfiança em relação ao namoro virtual, esta resistência vai sendo quebrada graças à popularização da internet.

“A oferta é bem grande, o que aumenta as possibilidades de encontros. É como se houvesse vários alvos a atingir”, avalia o psicólogo e sexólogo Rodrigo Torres. “Há ainda a vantagem da concentração de pessoas com objetivos semelhantes, o que torna mais provável a abertura para o relacionamento fluir.” Poder, a princípio, ser quem não se é e precisar menos da habilidade social para a conquista; da comunicação verbal à não verbal, o medo do julgamento acerca da aparência física e uma exposição menor. No entanto, o psicólogo lembra: este tipo de mentira, além de desonesta, é ilusória e pode ser armadilha para o próprio mentiroso. “É importante salientar que cada um busca alguém com certas características pré-determinadas. Se o outro não corresponde, é difícil que aconteça algo com naturalidade”, frisa o sexólogo.

Distração. Era isto que o estudante de engenharia elétrica Rodrigo Andrade da Silveira, 27 anos, procurava enquanto convalescia de uma crise de lúpus eritematoso sistêmico. Foram 45 dias deitado, sem ter o que fazer. “Para me distrair como todo jovem conectado às redes sociais, visitei uma comunidade (onde estava Rose, hoje sua esposa). Ela havia deixado o MSN para contato. Devido à minha saúde, andava carente de atenção. E, apesar de nunca ter pensado em namoro virtual, estava em busca de algo que preenchesse meu tempo. Peguei o último endereço postado e pensei em conversar com alguém diferente.”

O papo rendeu. Do mundo virtual foi para o e-mail, pulou para o celular. Bons sinais; pela voz já é possível observar se quem fala transmite segurança e propriedade. Pode-se deduzir. “Podemos perceber como as pessoas reagem diante de algumas situações”, aponta Torres. Os dois foram descobrindo afinidades: ele e a mãe de Rose faziam hemodiálise, Rodrigo era voluntário na associação em que a futura sogra se tratava. Nestas alturas não demorou o encontro. “A curiosidade levou-a até mim, mas ela é de uma timidez tamanha”, conta Silveira.


Rodrigo e Rose: encontro rendeu casório
Rodrigo e Rose: encontro rendeu casório

É nesta seara que a internet também dá aquela forcinha para unir corações. Como o próprio Rodrigo Silveira constatou, é quase como escrever um diário secreto, em que as partes ficam encorajadas a falar de coisas que pessoalmente a inibição não permitiria.

Se a princípio este e tantos outros casais que se conhecem no meio virtual têm apenas as letras como referência, é justamente a fantasia uma das formas de alimentar a relação que está nascendo: “Pode ser excitante imaginar quem está do outro lado”, pontua a psicóloga e terapeuta de casais Mônica Santos. Mas nada de inventar mentiras, hein? “O encontro virtual tem que passar para o real para a relação evoluir. Como acredito que a internet é só o início da história, as pessoas precisam ser sinceras desde o início.” Como em todo encontro, ainda vale o ditado: a primeira impressão é a que fica. E muito. Por isto é importante preocupar-se com a escrita, caprichar no vocabulário, ser polido. “Escrever de maneira correta e inteligível é importante para a interpretação do outro”, frisa o sexólogo.

“Logo percebi que o Rodrigo tinha conversa boa e muita coisa a oferecer. A confiança foi imediata”, fala a estudante Roseli de Fátima Theodoro, 30 anos. Nada de excessos: conversavam sobre suas famílias, o que faziam da vida, o cotidiano, trabalho e estudo e, claro, sobre relacionamentos. Colocaram-se apelidos: ele, Bebê, porque era mais novo que ela, Rose era chamada Coração. Então,um belo dia Bebê convidou Coração para tomarem café da manhã. “Tudo foi ocorrendo em ritmo cadenciado. Depois de um mês de conversas on-line ela já havia despertado em mim um sentimento cativador que logo se transformou em paixão que tão breve viria se tornar o amor que nos une hoje”, “Ele foi transparente desde o início”, revela Rose.

Simone e Marcelo: encontro em um chat da cidade de Ubá
Simone e Marcelo: encontro em um chat da cidade de Ubá

De acordo com a última pesquisa realizada pelo Ibope (2009), ao final de 2010, 67,5 milhões de brasileiros acima de 16 anos foram considerados incluídos no mundo digital. As redes sociais, blogs, salas de bate-papo, fóruns e sites de relacionamentos alcançaram a incrível marca de 86,3% da população. “O acesso é tamanho que acredito que a tendência é que, cada vez mais, a internet seja ferramenta no processo de conquista”, avalia a psicóloga Mônica.

Simone Soares Torres tem 31 anos, é nutricionista e empresária. Em dois meses conheceu e foi morar junto com o empresário Marcelo Seixas Pereira, 43 anos. Em busca de informações a respeito do vestibular para medicina, entrou, por acaso, num chat da cidade de Ubá. Começaram a conversar e em dois meses estavam, não só namorando, como morando juntos.  “Ambos tínhamos o hábito de ficar em salas de bate-papo. Eu ficava quatro horas ou mais a fim de conhecer alguém para namorar, já que não tinha condições financeiras de frequentar baladas. Mas também sempre tive a intuição que um dia encontraria uma pessoa legal na internet e tinha quase certeza que poderia acontecer comigo como acontece com outras pessoas.”

Dito e feito. O romance dura dois anos e estão de casamento marcado para o dia 24 deste mês. Moram em Itaquaquecetuba (SP) e são sócios numa clínica médica-odontológica. Ela o via por fotos e ele a via pela webcam. Também se falavam pelo telefone. “A vantagem em se conversar com uma pessoa na web é conhecê-la como realmente é. A pessoa tem que ser experiente em avaliar as pessoas com quem está teclando. Vai adquirindo-se maldade.” Sinal dos tempos. Mas em qualquer tempo, o amor sempre rende assunto, e muito papo. Assim, chega-se aos casamentos, que estão longe de serem virtuais.

Dicas de namoro na internet

  • Fique atento aos sinais que podem indicar se a pessoa com quem você está teclando não é casada. É preciso ler nas entrelinhas, como, por exemplo, a recusa em fornecer o telefone.
  • Procure conversar ao telefone com seu/sua pretendente antes de marcar o encontro.
  • Se após falar ao telefone sentir-se desagradado(a), reflita se vale a pena encontrar pessoalmente.
  • Conheça logo seu/sua pretendente para criar menos expectativas. Quanto maiores elas forem mais chances de frustrações.
  • Saiba discernir entre otimismo e precaução. Encontre a paquera sempre em locais públicos, conte a amigos onde vai encontrá-lo(a), leve o celular.
  • Evite marcar os primeiros encontros em seus locais favoritos. Se a relação não for pra frente você não corre risco de encontros indesejados.
  • O primeiro encontro deve ser durante o dia, em lugares movimentados.
  • Usuários de internet costumam mentir sobre seus dotes físicos. Mais uma razão para preferir encontros à luz do dia.
  • Transformar o primeiro encontro em um programa informal pode ser uma boa para diminuir a tensão. Jogos podem ser opção.

Fonte: Revista Times


 
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