Mais do que em todas as eras, a “roda do mundo” gira hoje incessantemente. Os sinais de mudança estão por toda parte. A ciência e a tecnologia estão moldando novas condições para a vida no planeta. Vivemos na aldeia global, a que se referiu McLuhan nos anos sessenta. As noções de tempo e de espaço foram subvertidas. As distâncias foram encurtadas drasticamente. O mundo é uma rede e todos precisam estar plugados. Diante das incertezas deste quadro novo, criado e recriado a cada dia, o desafio dos governos é avassalador: o que fazer para garantir a inserção nesse novo processo de desenvolvimento? Governar é escolher, decidir, tirar do papel e pôr em funcionamento políticas em sintonia com as necessidades da população e tendo em vista o seu bem-estar, no presente e no futuro. Isto porque recursos são finitos e são inúmeros os problemas a enfrentar. Mas sobre um ponto há convergências e certezas: a base do desenvolvimento é e será cada vez mais dependente do conhecimento.
O caminho para essa sociedade do conhecimento é feito de muitas encruzilhadas. Educar e capacitar a população é o primeiro dos desafios a vencer. Ampliar os anos de escolaridade e melhorar a qualidade do ensino são obstáculos a superar. Se antes ler, escrever e saber contar era o programa básico da educação, agora é preciso ir muito além. Precisaremos aprender a vida toda. Impõe-se uma nova pedagogia: a do aprender a aprender. Educação continuada é a palavra de ordem. Formação sólida, sem descurar da cidadania, esse deve ser o objetivo do sistema educacional. A dinâmica das sociedades modernas é marcada por um incessante processo de criação-destruição. Ou melhor, de destruição criadora, como nos ensinou Schumpeter. O computador condenou a máquina de escrever para o museu da história da humanidade, assim como o trem de ferro já havia feito antes com as carruagens. Na verdade, inovar é um imperativo do mundo globalizado de hoje. Inovar e competir são faces do mesmo processo.
O dilema do desenvolvimento é inovar ou se condenar ao atraso. Daí porque é imprescindível que os governos incentivem a inovação não só com instrumentos como financiamentos, mas com a institucionalização de marcos regulatórios previsíveis e estáveis, de par com medidas que assegurem a exposição à concorrência e não levem à formação de reservas de mercado. O espectro de ações requeridas para uma política efetiva e eficiente de inovação é, portanto, amplo e diverso. Abrange desde iniciativas no campo educacional e outras, como a criação de parques tecnológicos e incubadoras, passando por desburocratização, até medidas que garantam recursos e marcos regulatórios estimulantes e atraentes. Um terceiro eixo para a nova economia ou para o desenvolvimento sustentável e sustentado do século 21 refere-se às implicações da globalização sobre a ordenação e estruturação da base territorial. Não basta ter bons portos, aeroportos e estradas de ferro.
Se no passado, ainda recente, dispor de terrenos urbanizados era recurso estratégico para atrair investimentos, agora é preciso ir além e alinhar e articular as diversas modalidades que compõem a chamada infraestrutura. Os aparatos de transporte e os de comunicação devem ser integrados e funcionar efetivamente como partes de um sistema. A logística tem de ser global para ser competitiva e eficiente. Claro está que o bom governo – a administração dinâmica, enxuta e profissional – com planejamento e gestão eficientes, atento aos problemas e capaz de responder aos reclamos da população é outra condição necessária para assegurar os benefícios que se anunciam neste século 21. Minas não pode deixar de destacar-se, tem dado passos significativos nesta direção.
Matheus Cotta de Carvalho - presidente do BDMG