Hoje com 60 anos, exercendo o segundo mandato de senador e acumulando no currículo o cargo de governador de Minas (1995-1998), Eduardo Azeredo, um dos fundadores do PSDB no estado, se reconhece um autêntico mineiro: é desconfiado, discreto e prefere atuar nos bastidores, dentro e fora da política. Orgulha-se das escolhas feitas até aqui, não abre mão do convívio familiar, das conversas com amigos e mantém hábitos simples, como vitamina de frutas pela manhã e caminhadas. Nada de culinária sofisticada. Um bom prato de alface é presença quase obrigatória na mesa do senador. Longe dela ficam os frutos do mar. “Nunca tive hábito de comer essas iguarias. Sempre vivi longe do mar. Minhas férias eram em fazenda, no interior, tudo muito simples.”
A política entrou na vida de Azeredo quase sem pedir licença. Pudera! Às brincadeiras típicas da infância somava-se o entra-e-sai de importantes personagens da história do país, que faziam da casa de seu pai, Renato Azeredo – um dos políticos mais tradicionais do estado –, ponto de encontro para acalorados debates. Vem dessa época a convivência próxima com Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro, Tancredo Neves e José Maria Alkmim, só para citar alguns nomes. “Quando eu tinha 6 anos meu pai se elegeu deputado estadual pela primeira vez”, lembra o senador.
Ele chegou a sinalizar que seguiria por outra estrada. Cursou engenharia na Pontifícia Universidade Católica de Minas, mas foi justamente aí que deu início à sua atuação política, como secretário do diretório estudantil. O ano era 1969. Especializado em informática, Azeredo fez carreira profissional na IBM do Brasil, onde trabalhou por 11 anos, até que o então governador Tancredo Neves o convidou para dirigir a empresa de processamento de dados do estado. “Na eleição de Tancredo, em 1982, fui fiscal do partido nas apurações. Aí ele me convidou para dirigir a Prodemge e, neste cargo, tive oportunidade de conhecer o governo por dentro. Foi um período muito produtivo”, conta, relembrando ainda que, 6 anos depois, ajudou a fundar o PSDB em Minas.
O maior desafio nesse início de vida pública? Compatibilizar a formação técnica com a função política, diz ele. Seu perfil técnico-profissional facilitou as coisas. Como vice-prefeito de Pimenta da Veiga, Eduardo Azeredo acumulou a direção da Prodabel, empresa de processamento de dados do governo municipal. O salto na carreira política veio em 1990. Com a saída de Pimenta da Veiga, que se desincompatibilizou do cargo para concorrer ao Palácio da Liberdade, Azeredo assumiu a prefeitura. “A eleição para vice na chapa do Pimenta da Veiga foi a minha primeira vitória eleitoral. Foi marcante”, diz o senador, que credita o convite para a formação da chapa ao peso da tradição política da família.
Questionado sobre a denúncia que veio à tona em 2007 sobre a existência de um esquema paralelo de arrecadação de recursos para a campanha de reeleição ao governo do estado, em 1998, o chamado mensalão mineiro, Azeredo não titubeou: “As questões financeiras envolvendo a campanha de 1998 não foram de minha responsabilidade.” Para ele, as denúncias se resumem a uma tentativa do PT de desviar a atenção sobre o escândalo do mensalão nacional. “A população mineira me conhece, sabe quem sou, o que faço, para onde vou e me dá respaldo para enfrentar uma acusação injusta feita com muita hipocrisia.”
Revendo a trajetória política, o senador tucano aponta a Lei Robin Hood, criada quando comandava o Executivo estadual, como seu principal legado. “Foi uma lei transformadora porque melhorou a distribuição de recursos do ICMS no estado e mudou a vida de vários municípios”, orgulha-se. Quanto aos planos para as eleições do ano que vem, Eduardo Azeredo responde quase sem pensar: “Pretendo me candidatar à reeleição no Senado”. Medo? “De adoecer, mas nada paranóico. Não faço dieta, gosto muito de torresmo”, avisa, para não deixar dúvida sobre a mineirice.