Quarta, 23 de Maio de 2012
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Artigo

O Mundo é Plano?

Ainda não se sabe se esses remédios aplicados foram ministrados na dosagem suficiente para que o Brasil sofra menos com uma desaceleração da atividade econômica

Texto: Wagner Gomes
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Wagner Gomes - Administrador de empresas

Para Thomas Friedman, autor do best-seller O Mundo é Plano, a globalização atravessou três grandes eras, sendo que a última delas achatou e encolheu o mundo definitivamente, redistribuindo o poder de fazer acontecer. Globalização é um termo que foi cunhado na era Bill Clinton, para descrever as relações entre governos e grandes empresas. Determinados empregos agora se dão no espaço cibernético, profissionais interagem com outros nos diversos cantos do mundo, bens e serviços são gerados, a um só tempo, por cadeias produtivas formadas em diversos lugares. A rapidez e a amplitude das crises, nesse contexto, tornam-se fulminantes. Mas o que está acontecendo hoje é um fenômeno muito mais amplo e profundo: a recessão, em cascata, provoca um gigantesco processo de aversão ao risco, direcionando as reservas monetárias para os títulos considerados mais seguros – os do tesouro americano, por exemplo –, causando o chamado empoçamento da liquidez e trazendo impacto negativo ao dinamismo das economias emergentes, a exemplo do Brasil. O Banco Central promoveu forte queda na taxa Selic, política que, aliada à possível mudança na taxa que remunera a caderneta de poupança, visa incentivar o consumo interno e reativar a economia. A queda livre na arrecadação de impostos já equivale a 2% do PIB em um ano, afetando o andamento do PAC, tão caro ao presidente Lula e, também, motor propulsor da candidatura Dilma Rousseff à Presidência da República. Outrossim, 1% de queda na taxa Selic representa uma economia nos gastos públicos, via pagamento de juros, equivalente a 0,23% do PIB em um ano. Fácil, pois, observarmos que a macroeconomia sempre responde em conformidade com as indagações que os fatos microeconômicos lhes são apresentados. Ronda por aí um imposto disfarçado, embutido no preço da gasolina, que não acompanhou a queda significativa no preço internacional do petróleo. Isso ajuda que se persiga o superávit primário. Ainda não se sabe se esses remédios aplicados foram ministrados na dosagem suficiente para que o Brasil sofra menos com uma desaceleração da atividade econômica. Inflação sob controle e o superávit que, aos poucos, volta à balança comercial, podem ajudar na continuidade do processo de redução da dívida/PIB. Como o mundo é plano, surge um fato novo: o FED surpreendeu ao abrir linha de  300 bilhões de dólares para o Tesouro da América e 700 bi para aquisição de ativos mais antigos das carteiras podres dos bancos, através de leilões que os precificarão, estimulando os investidores institucionais a voltarem a um mercado de risco que renasce com perspectiva de geração abundante de lucros. Essa medida se soma à aquisição de ativos que o tesouro americano já vem realizando e, sem sombra de dúvida, ao aumentar a liquidez do sistema financeiro, como um todo, diminui a onda de incertezas. Ainda que a era dos profetas continue restrita à Bíblia, pode estar se iniciando, efetivamente, a recuperação da credibilidade perdida.
 
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