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Especial MercadoMinas na modaEstado já é o 3º do país quando o assunto é vestuário, calçados e acessórios, com destaque para a qualidade e conceito de suas coleções
Texto: Luciana Avelino e Raquel Ayres | Fotos: vários
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Muito da força do setor está nos polos produtores de cidades do interior do estado (Divinópolis, Juruaia e Sul de Minas) e bairros como Prado e Barro Preto. Se no passado esse último era sinônimo de vendas por atacado, as mudanças no cenário da moda também impactaram os negócios da região. Muitos empresários do Barro Preto também se lançaram ao varejo. “A clientela daqui é formada pelo público que busca oportunidade de compra a baixo preço. Apesar de ser um comércio mais popular, não significa baixo poder aquisitivo”, avalia o empresário Anderson Borges, há 20 anos no bairro com a marca Della’s e também no Prado e shoppings de BH com a marca de roupas e acessórios femininos K9. Borges produz cerca de 70 mil peças/mês e, a exemplo de marcas voltadas para públicos sofisticados, conta com equipe de estilo e desenvolve duas coleções ao ano e ainda trabalha minicoleções em datas específicas. “Para o final de ano, época das formaturas, viagens e réveillon trabalhamos o conceito que chamamos de festas e resorts”, explica. Contando com cerca de 400 marcas, no Prado estão atacadistas de pronta-entrega e show-rooms que atendem lojistas de todo Brasil, com ênfase para o interior de Minas. A consultora em Negócios de Moda, Samantha Priscila Cotrufo, diz que “muitos têm até mesmo fábricas e indústrias onde desenvolvem desde a modelagem, corte e peças-piloto.” |
Segundo Patrícia Castro, diretora comercial e de marketing da Patogê, que há 10 anos estabeleceu-se no Prado e acabou migrando para o Gutierrez devido à necessidade de expansão, a fast-fashion é a característica da maior parte das marcas da região. “Os lojistas têm recorrido às pronta-entregas para fazer abastecimento quase imediato sem criar estoques ou necessidade de antecipar em até cinco, seis meses seus pedidos. Quando lanço uma coleção, já tenho 80% dela pronta na loja.” Para ela, o sucesso do Prado deve-se a este tipo de facilidade que proporciona a quem abastece seu comércio no bairro empatar menos capital. “Aqui em Minas vemos grandes marcas que começam a migrar para a pronta-entrega. E estas, por sua vez, já incomodam grandes nomes nacionais que trabalham com o sistema de pedido.” “A concorrência aumentou muito, o que obriga à constante qualificação de quem quer ficar no mercado”, afirma o proprietário da grife Ego, Gustavo Henrique de Oliveira, que também está no Prado há 10 anos. Segundo ele, exclusividade tanto no atendimento quanto na mercadoria são importantes estratégias para fidelizar clientes. Se há algum tempo dizia-se que as grifes de pedido faziam moda e a pronta-entrega restringia-se às roupas, hoje já não é bem assim. “Marcas que produzem em mais quantidade, a exemplo das que se localizam no Prado e Barro Preto, oferecem produtos com alma mineira – o apreço pelo fazer bem elaborado, acabamento caprichado – e foco comercial”, explica a consultora de moda e style Natalie Oliffson. “São empresas que estão mais arrojadas e comercialmente agressivas. As pronta-entregas estão em expansão.” |
Segundo ela, este fator traz desafios para o mercado de moda mineiro: fazer a gestão deste negócio, uma vez que as empresas vão se diversificando, o trabalho torna-se mais complexo, mas ainda com baixa capacidade empresarial e práticas não tão profissionais na gestão dos negócios. “É preciso mais trabalho em grupo para discussão de plataformas que venham a atender ao setor em seu conjunto. Daí a importância de um evento como o Minas Trend Preview.” Traduzindo: políticas para os diversos pontos que compõem o setor. Até porque as palavrinhas mágicas do início da matéria dependem, e muito, de mão de obra especializada – e há poucos jovens dispostos a serem costureiros, uma vez que falta perspectiva para a profissão – o custo da roupa ainda é alto, há muita informalidade nos processos produtivos e falta incremento tecnológico. |
Buscando sanar estes pontos, a cidade de Juruaia (sul de Minas), principal polo de moda íntima masculina e feminina do estado e terceiro do Brasil, responsável por 15% de toda produção nacional, foi buscar consultoria especializada na grife internacional de lingerie Victoria’s Secret, famosa pelo desfile anual com time de top models como Alessandra Ambrósio e Adriana Lima. A partir daí surgiu a proposta da criar uma marca única e fortalecida, capaz de competir com as grandes do mercado internacional que certamente chagarão ao Brasil. O crescimento em número de empresas e produção em Juruaia praticamente dobrou nos últimos três, quatro anos e a cidade foi matéria do jornal New York Times. Mais de 100 confecções, todas com lojas e revendas próprias, atendem ao comércio varejista e revendedoras inclusive de São Paulo, de olho na classe C, que teve seu poder de compra ampliado e hoje busca, também, design de qualidade. A produção, que garante, em Juruaia, crescimento de 30% ao ano no setor, vai de linhas básicas de lingerie até camisolas, pijamas, moda praia, fitness e até mesmo linhas fetichistas. Em Juiz de Fora e arredores o forte é o jeans, e em Divinópolis 841 empresas, a maioria micro e pequena, está ligada diretamente à moda: casual em malha, tecido plano, estamparias, facções, lavanderias e bordados. Não há como negar que o cenário é promissor, mas, mesmo assim, de acordo com Anderson Borges, ainda há muito que se trabalhar para que Minas possa avançar e fortalecer-se como indústria de moda. “Temos que buscar nosso diferencial para fugir da concorrência paulista, por exemplo. Nosso forte nunca será a produção em larga escala, e sim a criatividade, o estilo e o acabamento. Nossos produtos têm elevado valor agregado." |
Compras na capital mineira Eclético comercialmente. O mercado da moda na capital mineira atende a todos os estilos e bolsos. Aqui é possível se comprar desde uma bijuteria artesanal de encher os olhos na tradicional Feira Hippie – realizada aos domingos na avenida Afonso Pena – a roupas de grifes internacionais em maisons de luxo no bairro de Lourdes ou em lojas de shoppings. A terrinha é mesmo fértil na criação. Nomes e grifes de projeções nacionais não faltam: Terezinha Santos, Ronaldo Fraga, Victor Dzenk, Arezzo, entre outros. E, na hora de ir às compras, além dos já citados bairros Prado e Barro Preto, são várias opções. A rota a seguir depende da demanda de cada consumidor, esteja ele interessado na compra a varejo ou atacado. Referência comercial por muito tempo, a Savassi passou a ganhar concorrência com a migração e instalação de lojas sofisticadas no Lourdes, bairro eleito para abrigar o shopping DiamondMall. Passear pelas ruas da região é conferir os últimos lançamentos em lojas instaladas em charmosos casarões. Para quem prefere não se preocupar com estacionamentos e afins, a dica é fazer pequenos percursos a pé, já que as lojas concentram-se em áreas próximas. Neste caso, não dispense uma sapatilha ou par de sapatos bem confortáveis. |
Para quem vem a BH de olho nas compras de revenda, o destino certo são os bairros Prado e Barro Preto, considerados polos da moda mineira. Edna Thibau foi uma das empresárias mineiras a eleger o bairro para instalar sua confecção na década de 80. O investimento, que começou com 50 m2, ocupa hoje 5 mil m2 (entre showroom e fábrica) e três marcas: Alphorria Collection, Alphorria Cult e Bahal. “A concentração de empresas de mesmo segmento em um único lugar, como ocorre no Prado, é muito bom para o comércio, além de atrair mais clientes”, avalia Edna. Já o Barro Preto começou a se estabelecer como reduto de moda de destaque no final da década de 70. “A movimentação local é intensa. O público flutuante gira em torno de 450 mil pessoas por dia. Nos fins de semana, de sexta a sábado, registra-se cerca de 40 a 50 ônibus de todo o país, como Santa Catarina, Paraná, Bahia e Ceará. São 3,5 mil lojas, mais de 800 confecções, que vendem 50% para varejo e 50% para atacado”, comenta Ricardo Lara, presidente da Associação dos Lojistas do Barro Preto. E, em termos de efervescência do mercado da moda, Belo Horizonte tem se posicionado no cenário nacional a partir da realização do Minas Trend Preview, que divulga os lançamentos das temporadas antes do badalado São Paulo Fashion Week e é promovido pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). A cada nova edição do evento, cresce o número de compradores e participantes. Para o estilista Ronaldo Fraga, o Minas Trend já ocupa lugar no calendário de moda brasileiro. “Minas vende muito mais do que roupas e afins. Vende conceito, tradição.” |
Do mundo fashion para a principal feira da capital mineira. Atração comercial-turística de peso, que atrai público de todas as idades, a Feira Hippie oferece um mundo de variedades entre produtos de moda. Habitué desde os tempos quando ainda morava em Ipatinga e a ida à feira era programa certo dos fins de semana nas visitas a BH, a psicóloga Flávia Eller, que hoje mora na capital, não passa 15 dias sem bater ponto no local. “Adoro comprar sandálias, bijus e bolsas. O ideal é ir bem cedinho, por volta das 7h, 8h, para driblar a concorrência dos turistas que fervilham por lá.” Agora, quando o assunto é estacionamento, segurança e agrupamento de lojas num único espaço a hora é de ir aos shoppings. Frequentadora assídua do BH Shopping, desde 79, Maria de Fátima Pequeno vai de duas a três vezes por semana ao local. “Tenho uma ligação de carinho com o shopping e as pessoas que trabalham lá. Faço de tudo: compras, vou ao cinema, frequento a praça de alimentação.” Enfim, o roteiro de moda de Belo Horizonte é diversificado e com opções para todos os bolsos, tribos e gostos. Basta escolher a alternativa que mais agrada e boas compras. |
MODA MINEIRA EM ASCENÇÃOFevereiro de 2011
O faturamento real no setor de artigos do vestuário e acessórios cresceu 23,58% em relação a janeiro do ano passado, consequência do acréscimo nas vendas, tanto para o próprio estado (43,24%) quanto para o resto do país (11,49%). No acumulado do ano até fevereiro, diante do mesmo período de 2010, o indicador expandiu 10,58% |
MINAS GERAISPolos de modaSUL DE MINAS Circuito da malha: produção de tricô, com destaque para blusas de frio |
ARREDORES DE JUIZ DE FORA Jeans e moda íntima. Referência no setor têxtil, Muriaé movimenta mais de 230 milhões/ano, o que corresponde a 44% do PIB regional |
DIVINÓPOLIS 841 empresas, sendo 92% na atividade de confecção e de micro e pequeno porte. As demais abrangem estamparias, facções, lavanderias, pretadores de serviços e bordados. Moda casual em malha, tecido plano e jeans |
JURUAIA 163 confecções de moda íntima que produzem 700 mil peças/mês, mais de 8 milhões por ano. Responde por 15% da produção nacional de moda íntima. A atividade gera mais de 2 mil postos de trabalho |
NOVA SERRANA Mil empresas que produzem mais de 100 milhões de pares/ano Responsável por 55% da produção brasileira de calçados esportivos |
CALÇADOS E BOLSAS DA RMBH 387 empresas sendo 129 de bolsas e 258 de calçados É o único cluster de bolsas do país, produzindo 13 milhões de unidades /ano com faturamento médio de R$ 800 milhões Exporta 3% de sua produção |
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TudoBH Mãe de Eliza quer pena máxima para Bruno - Minas jornaltudobh.com.br/minas/mae-de-e? via @TudoBH
VIVER_BRASIL "Achar mão de obra qualificada também é um dos nossos grandes desafios", afirma Paulo Castellari.