O trânsito para, flui devagar. Agarra aqui, ali, enerva as pessoas nesses dias ligeiros de tantas coisas para fazer, horários a cumprir, aflige, piora a vida. Mas o que acontece? Cresce a frota de veículos, há obras na avenida Antônio Carlos, espichada para a Pedro I, na região Norte; na Savassi, na Centro-Sul, em outros cantos de Belo Horizonte mais silenciosos. A cidade transforma-se, mexe, vai, também corre, não imune a transtornos, para abrigar tanta gente com suas necessidades, a Copa 2014 que está quase aí. Vive. Pegamos carona no comboio do prefeito Marcio Lacerda, para ver com olhos do cidadão, o que ocorre nesses consertos na cidade de 331 quilômetros quadrados, cerca de 2,4 milhões de moradores.
Vai a van pela cidade, com o prefeito, representantes da Caixa Econômica Federal, governo do estado, prefeitura e nós. Para na avenida Antônio Carlos perto da barragem da lagoa da Pampulha, onde o engenheiro Joaquim Pimenta Gonçalves Filho, da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), explica que as obras estão um pouco atrasadas. Há necessidades de desapropriações até a Pedro I. “Mas vai ficar parecida, na sua concepção arquitetônica, com Nova Iorque”, diz. Terá pistas exclusivas para ônibus, no meio das avenidas, como ocorre no restante da Antônio Carlos. Promete fazer fluir o trânsito ali.
Mais embaixo, no sentido centro da cidade, no cruzamento da Abrahão Caram, ferros espetados no chão e a estrutura de concreto armado começam a formar, a aparecer os esqueletos de dois viadutos. Depois serão construídas pistas que se bifurcam e vão distribuir o tráfego, fazer andar ligeiro ali, emendar com os locais à frente onde as obras foram concluídas. Fomos chegar ao complexo da Lagoinha, à avenida do Contorno, no Barro Preto, no Boulevard Arrudas. Lá o ribeirão foi tampado, novas pistas começam a ser abertas. Haverá ciclovia, outro tipo de iluminação da rua Carijós até a avenida Barbacena. “O edital para
segunda etapa, até o Coração Eucarístico, está pronto. Acredito que daqui a três meses começam os serviços”, informa Murilo Valadares, secretário municipal de Obras e Infraestrtura. Esse trecho do Boulevard deve ficar pronto no próximo mês.
Corre dentro do prazo, a van também no horário estipulado. A próxima parada no bairro Milionários para inspecionar a construção do Hospital Metropolitano do Barreiro. A obra é vistosa de longe. Serão 43 mil metros quadrados, 16 lajes. “Oito estão prontas. Nós estamos com o cronograma atrasado. Daqui a sete meses entregamos a primeira fase”, diz o engenheiro Sérgio Alvarenga. Ele vai começar a funcionar, com pronto-socorro, CTI, centro cirúrgico. Aparece na estrutura e também quando estiver pronto. “Obra de saneamento é que tem pouca visibilidade”, lembra Murilo Valadares. Lá fomos nós ver a escondida contenção dos córregos Olaria e Jatobá, também na região do Barreiro.
“A água chegou quase a meio metro da casa onde moro”, diz o missionário Celso Silva. Estava no local da obra, visitada pelo prefeito Marcio Lacerda. Vista, informada do andamento pelos engenheiros, prosseguida dentro do prazo. O comboio também em direção à Savassi, pelo Anel Rodoviário. “A obra é aqui embaixo prefeito”, apontava o secretário Murilo Valadares. “Vamos parar”, pedia Marcio Lacerda. Era para ver a obra de contenção do córrego Bom Sucesso, o segundo maior afluente do ribeirão Arrudas, que não estava no roteiro. A próxima e última parada: as obras de revitalização da Savassi. “Todo o miolo da praça será elevado, mas vai ser subida suave”, explica a arquiteta Edwiges Leal.
Percorre o trecho da Antônio de Albuquerque, entre Paraíba e a praça, vai até a Pernambuco, que foi fechada. A obra deverá ser concluída em 12 meses, parar em dezembro, por causa do Natal. Pega na pá para fazer foto. Satisfeito? “A impressão é a melhor possível. Uma ou outra é que terá atrasos. Eu visito mais as obras pequenas. Dessas maiores tenho informações, vejo fotos nas reuniões que fazemos na prefeitura toda semana”, afirma Marcio Lacerda.
Havia naquele dia. Responsáveis pelas obras sentam-se à mesa com o prefeito. Mostram o andamento das obras, explicam os atrasos, aparecem as carinhas verde, de positivo, amarela, de regular e vermelha, de negativo. As amarelas dominaram o tempo em que a revista teve acesso à reunião. A duplicação da avenida Pedro I e a construção do viaduto na Abrahão Caram ficaram com caras amarelas. Faltam remoções de moradores de locais desapropriados. Prosseguem a reunião, a vida da cidade, os transtornos, as obras.