Quarta, 19 de Junho de 2013
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Bate-papo

Conceitos revistos

Texto: Márcia Queirós | Fotos: Gustavo Scatena / Imagem Paulista


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Ele foi um dos precursores da política de humanização da obstetrícia, iniciada na década de 70, que defende a presença do pai na sala de cirurgia e considera o parto vaginal o mais indicado. Hoje, o ginecologista Malcom Montgomery, 60 anos, revê esses conceitos. “Na tentativa de humanizar, impuseram regras que desumanizam. Vejo isso transformado em espécie de marketing dos hospitais”, diz o médico, que não poupa críticas também às filmagens de partos. “O nascimento, momento íntimo,  transformou-se em espetáculo.”  Conhecido por aliar a psicologia ao atendimento e como o ginecologista das estrelas – é casado com a atriz Carla Regina e tem clientes famosas –, Malcom acaba de lançar o livro Mulher - Um projeto sem data de validade, em que aborda questões ligadas ao corpo e alma femininos.

Houve avanço na humanização da obstetrícia no Brasil? 

Uma parte do meu livro chama-se o desumanizar o parto humanizado. É quando você na tentativa de humanizar impõe regras, que não acho legal, tipo o parto normal é melhor porque a mulher que der à luz a um filho de parto vaginal é mais mãe. 

Mas não seria o mais saudável? 

O tipo de parto, na verdade, é só o momento entre a fantasia e a realidade. Se a mulher fez um pré-natal e teve o desejo, por ela mesma, de ter um parto vaginal,  a gente tem de estimular e tentar. Mas se essa mulher tem pavor de parto vaginal ou colocaria em risco a saúde dela e do filho, a gente não pode forçar essa barra. Se uma tia dela der mais segurança na sala de parto, é melhor que colocar o marido, que pode até atrapalhar. É a mãe que tem de escolher. Isso é humanizar. O melhor parto é o que for bom para a saúde e bem-estar da mulher. 

Pais gostam de registrar o nascimento com fotos e filmagens. Isso é importante? 

O homem precisa de ter uma insegurança em relação ao mistério que é a mulher. Quando a mulher aparece nua em um palco de striap-tease, ela ainda leva para fora do palco o escuro vaginal que ninguém conhece. Nós, homens, não entendemos muito aquela coisa da anatomia da mulher, que é escondidinha. Então para que escancarar um parto para toda a família e depois para todos os amigos? É uma situação em que a criança nasce em meio ao sangue, fezes e urina. É muito íntimo. Eu fui um cara que lutei muito para colocar os homens nas salas de parto, mas hoje acho que talvez seja melhor o pai ficar do lado de fora. 

Estamos no mês das mães, época em que mulheres sem filhos costumam ser questionadas. A maternidade é essencial para a mulher? 

A mulher precisa ter maturidade para tomar decisões. Tenho casos de pessoas que atendo desde que tinham 25, 30 anos e hoje estão acima dos 50. Elas sempre disseram que queriam trabalhar e viajar, não eram afeitas à maternidade. Hoje são realizadas em suas áreas. No entanto, outras que tinham o mesmo pensamento, depois dos 40 criaram um conflito grande, passaram a questionar. Então, a pessoa deve saber o que realmente quer e para isso é preciso maturidade. Quando falo de maturidade, não é a idade. Há mulheres que sabem o que querem antes dos 30 anos, mas tem gente que com 50 não sabe. 


 
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