Um sorriso bonito é o principal cartão de visita tanto nas relações pessoais quanto nas profissionais. Em uma sociedade cada vez mais exigente e preocupada em seguir os padrões de beleza, dentes saudáveis são sinônimos de boa imagem, mais que isso, de saúde. De acordo com o implantodontista José Bernardes das Neves, a falta de dentes prejudica o sistema mastigatório, assim como a autoestima. Para driblar o problema, nada melhor que contar com novos materiais e técnicas de implante dentário.
Na última década, numerosos tipos de tratamento e produtos foram desenvolvidos no mercado nacional, o que tornou o procedimento menos invasivo e os resultados altamente previsíveis. “Quando o paciente perde um ou mais dentes, o implante passa a ser a melhor opção para recompor o sorriso. A incisão é mínima e, em muitos casos, a pessoa está reabilitada em até três dias”, explica. Ele ressalta que o processo substitui a raiz do dente perdido. Para aplicá-lo, é inserido no osso um parafuso de titânio que irá servir de suporte para fixar a prótese. “Não há risco de rejeição em função de o titânio segurar um material integrável ao osso”, afirma.
A presença do dente é de vital importância para o desenvolvimento e preservação do osso. O implante pode ser unitário, parcial ou total. Em alguns casos, ainda é necessário realizar o enxerto ósseo. Neves destaca que este processo permite reconstruir o osso e a gengiva. Ambos darão suporte aos implantes dentários. “Pessoas que perderam o dente em acidente ou devido a alguma doença passam a sofrer de constante absorção óssea. Para a realização do implante é necessário que o osso esteja em condições ideais. Todo o procedimento tem duração de um a dois anos”, afirma.
A capacidade individual de exibir o sorriso, de acordo com o implantodontista, depende da quantidade e qualidade dos dentes e da gengiva, da relação dos dentes com os lábios durante o sorriso e da integração harmoniosa entre os componentes faciais. “Atualmente, já é possível reunir implante e estética. O paciente sai do consultório com um sorriso natural e perfeito, em que não é possível atestar a cirurgia”, avalia.
Com o avanço das técnicas de implantes, mesmo os pacientes que possuem maxilas atrofiadas não precisam utilizar dentaduras móveis. Os implantes zigomáticos são excelente opção já que, no procedimento, os pinos são mais compridos que os convencionais e são fixados no osso zigoma – na maçã do rosto – sem a necessidade de enxerto ósseo.
Conforme o implantodontista, os pacientes que usam dentaduras apresentam déficit mastigatório elevado. A partir da técnica e restituição dos dentes fixos, sem cobertura do palato (céu da boca), a eficiência mastigatória aumenta, a nutrição se torna mais adequada, e todo o organismo é beneficiado, bem como a estética e a dicção.
Outra evolução nas técnicas de implante está no sistema livre de metal, hoje uma realidade e exigência no que diz respeito à biocompatibilidade e estética. Segundo Neves, a tendência de realizar restaurações metal free se deve aos ganhos reais no aspecto estético, sem que haja perda nas qualidades biomecânicas dos materiais.
Em virtude de as cerâmicas apresentarem excelências estéticas, o material tem sofrido modificações estruturais com a finalidade de torná-lo mais resistente para ser utilizado exclusivamente como material restaurador.
Outra tecnologia já disponível no Brasil é a que permite o implante dentário com um corte mínimo na gengiva. Toda a cirurgia é preparada antes no computador, a partir de tomografia tridimensional da arcada dentária do paciente e de softwares especialmente desenvolvidos para o procedimento. Além de ser menos invasiva, a cirurgia guiada possibilita a fixação do implante e a colocação do novo dente no mesmo dia. Porém, de acordo com Neves, o procedimento é indicado apenas a pacientes que não possuem dentes.
Uma nova técnica em que é possível criar a prótese a partir da tomografia do paciente está em fase final de pesquisa. “Com isso, se tornará uma realidade moldar os dentes no próprio consultório sem precisar passar pelo protesista, o que fará o processo mais rápido e acessível. A ideia foi patenteada por um brasileiro e, em breve, estará no mercado”, explica. Neves, que também é protesista, destaca que tem laboratório em seu consultório para facilitar a criação da prótese. “É prático e consigo atender à necessidade de todos os pacientes”, diz.
Doença periodontal
A maioria dos pacientes que evolui para o implante possui doença periodontal avançada. O mal é responsável tanto pela perda do dente como também pela alta incidência de infecção e redução do índice de sobrevivência dos implantes. A doença é silenciosa e o paciente não tem dores na gengiva. Algumas alterações como sangramento, mudança na posição dos dentes, mobilidade, retrações gengivais, retenções de alimento e edema gengival sinalizam que a doença periodontal está presente.
Segundo Neves, a placa bacteriana removida diariamente por meio de limpeza bucal doméstica com fio dental e escova de dente aliada a uma consulta periódica ao dentista são métodos de prevenção que devem ser utilizados com frequência. “Entretanto, por falta de orientação, as pessoas não têm esse hábito, o que contribui para o agravamento do quadro, perda do dente e necessidade de implante dentário”, afirma.
Outro problema, de acordo com ele, está na falta de manutenção da higiene bucal após o implante dentário. O implantodontista explica que grande parte dos pacientes somente retorna ao consultório quando há alguma anomalia. “Além de ir ao dentista para análise do implante, as pessoas precisam fazer limpeza de três em três meses, o que não acontece”, diz.