A sensação de quem nunca pegou em um carro de câmbio automático, ao saber que vai dirigir um veículo assim pela primeira vez, é de medo. “Vou apanhar!”, foi o que pensei quando soube pelo meu editor que ficaria uns dias com o Fiat Bravo, a última menina dos olhos da fabricante, para testá-lo e, depois, redigir esta matéria. Habilitada há 10 anos, sempre dirigi carro com câmbio manual. Mas vamos lá, pensei, vai ser uma nova experiência. Tive uma aula básica para saber como manusear o carro e pronto, estava entregue.
A aula foi básica porque, realmente, não precisa mais que aquilo para dirigir o Fiat Bravo. Apesar de todos os recursos que foram colocados no novo carro, ele é fácil de dirigir e de lidar. Não me trouxe nenhum problema. Saí com o carro tranquilamente e ficava acompanhando a mudança de marcha pelo painel. Em poucos segundos, passa de primeira para segunda e, logo, dependendo da pista em que se está, chega à quinta marcha. O Bravo consegue subir morros até pesados na terceira marcha.
Uma das coisas bacanas do Fiat Bravo é a visibilidade. O carro permite que o motorista veja muito bem, o que está ao lado, de frente e atrás. Isso é muito bom! Dá segurança. Para baixinhos, como a repórter-motorista, não há problema, já que possui um sistema eficiente de regulagem de banco – 22 possibilidade de ajustes –, de volantes e de retrovisores.
A versão que passou pelo teste durante sete dias foi a Fiat Bravo Dualogic 1.8 16 V Flex, da cor cinza tellurium, bem bonita, diferente dos tons comuns que não estão colorindo as ruas. A versão não era a básica. Possuía opcionais, volante em couro e com comandos para os rádios (o que eu achei o máximo, já que dispensa o desvio do olhar para mudança de estação ou alteração de volume), bancos revestidos parcialmente em couro (muito bons, por sinal, bem ergonômicos e confortáveis) e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.
Confesso que, com esse último recurso, eu ficava um pouco assustada com os bipes – eles começam a avisar bem antes que existe um obstáculo que pode arruinar a sua lataria. Então, é questão de costume e de calma. Outro acessório interessante é o Blue & Me, que permite que o motorista faça e receba chamadas de telefone sem atrapalhar a direção. Bom recurso para se evitar as desagradáveis multas por fone ao ouvido.
Para os que não gostam de câmbio automático – o que, agora, não é o meu caso, já que a experiência com a tecnologia foi bem agradável –, o Bravo Essence Dualogic tem a opção de câmbio manual. É claro que não é como as marchas que a gente está acostumada a ver por aí. É mais prático e fácil de trocar. Bem tranquilo também de manusear. O bom é só prestar atenção se o carro não está no automático ou no manual, o que é indicado no painel do volante, para não desgastar o motor inutilmente.
Dirigindo, o motorista nota que o carro tem boa estabilidade e boa suspensão. É silencioso. Um dos motivos que explica essa característica é o que a Fiat chama de conforto acústico, que minimiza ruídos e vibrações que são transmitidos do piso para motor e câmbio. Outro elemento que favorece a tranquilidade de quem está dentro do veículo é a espuma dos bancos, que absorve vibrações.
Por fora, o visual do Fiat Bravo chama a atenção. Todo mundo olha! É grande, esportivo, tem um design realmente diferenciado, com a parte traseira mais elevada. Segundo a Fiat, é inspirado nos veículos de Gran Turismo. O modelo concorre no segmento chamado de hatchback médio e promete dar trabalho aos demais, já que a Fiat quer aumentar a participação nesse mercado. É aguardar para ver. O espaço interno também é amplo e deixa motoristas e passageiros confortavelmente acomodados.
Além da versão que ficou com a reportagem, a Fiat lançou o Bravo em mais três opções nacionais: a Essence 1.8 16 V Flex, mais básica, a Absolute 1.8 16 V Flex, que fica acima das duas anteriores, e a Absolute Dualogic 1.8 16 V Flex, que é ainda mais equipada. Todas têm motor E.torq, desenvolvido pela montadora para dar mais potência aos veículos. Existe, também, uma versão importada, a T-Jet Turbo, com câmbio de seis marchas. Há opcionais como o teto solar skydome, que tem dois painéis de vidro, um fixo e um móvel acionado eletricamente por meio de um botão que fica no teto.
A Essence vem com itens de série interessantes, como airbag duplo, ar-condicionado, direção elétrica com função city, roda em liga leve 16, faróis de neblina com sistema cornering, freios a disco nas quatro rodas, piloto automático, equipamento de CD com MP3, retrovisores externos elétricos e vidros elétricos dianteiros e traseiros com sistema One Touch e antiesmagamento, entre outras mordomias. Os opcionais vão desde freios com ABS a comando de câmbio no volante (somente para a versão Dualogic). Lançado no final de 2010, o Fiat Bravo já está nas concessionárias. Após um test drive, sua opinião certamente será semelhante a da repórter.