Terça, 21 de Maio de 2013
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Especial Brasil

2011

Texto: | Fotos: Nélio Rodrigues


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A Viver Brasil quer contar cinco histórias para você, leitor, neste ano que se inicia. São cinco personagens, cada um com seus sonhos e metas. Um continua na fila do transplante à espera de melhor qualidade de vida. Outra busca um relacionamento sério e duradouro. Um terceiro espera este ano conseguir se livrar do vício do crack. Outro busca prosperar em um novo negócio. E uma quinta personagem convive com gravidez não planejada. Nas edições 58, 65 e 73 novas reportagens com a sequência da história destas pessoas como em uma novela da vida real.


À espera de um rim

Antônio Carlos Miranda espera por um transplante há cinco anos e acredita em boas notícias para 2011

Quem: Antônio Carlos Miranda Silva 
Idade: 54 anos
Em 2011: Um novo rim transplantado

O extremo na vida do auxiliar educacional Antônio Carlos Miranda Silva, 54, é fazer justamente o contrário do que é pedido a qualquer simples mortal. Se o calor está intenso, a quantidade de água deve ser a menor possível. Ele também não bebe água de coco, sucos, outras bebidas, limita o consumo de frutas como banana, laranja, uva, grãos como o feijão. Está sem urinar há cinco anos. Sim, é isso mesmo. Silva tem um problema renal sério, faz hemodiálise 12 horas por semana e espera pacientemente ser chamado para o transplante de rim que poderá mudar sua vida. Da última vez que olhou, estava no 2.600º lugar na fila de espera. A esperança é que 2011 seja o ano da mudança, com o encontro do doador compatível que o fará ter a vida normal e as sonhadas férias em sua terra natal, o Rio de Janeiro, para curtir sol, cerveja e praia.

Ele poderia até ir ao Rio neste ano. Mas confessa que já se acostumou tanto com a equipe e com a clínica, que passou a ser um caso de confiança. Não adianta cantar loas de instituições de saúde cariocas, porque nessa hora ele vira mineiro. Só confia na clínica em que faz hemodiálise há cinco anos.  “Quando estou com muita saudade dos meus irmãos, pego um ônibus na sexta à noite, mas no domingo já volto. Tenho hemodiálise na segunda”, explica. 

Brincalhão, não se deixa abater, mas não disfarça a vontade de que tudo volte a ser como antes de 1992, anos bons e de vida boa, até que uma dor de cabeça intensa o levou ao médico. O diagnóstico era um problema sério nos rins, que já estavam em falência. A solução viria com o primeiro transplante.

“Tenho 12 irmãos e somente o mais novo era compatível”, conta. Toda a família, inclusive sua esposa, fez o teste de compatibilidade. Sete meses depois já estava de rim novo e durante 13 anos, religiosamente, tomava todos os dias os remédios para não ocorrer a rejeição. “Teve época que eram 18 por dia”. Não adiantou, há cinco anos, passou mal durante um final de semana. Perdeu o rim que havia sido doado. Apelidou as três sessões semanais de hemodiálise de spa. Chega geralmente com uma variação de 76 a 78 quilos. Pode perder somente quatro quilos por sessão.

Silva não é amargurado, pelo contrário. É positivo e se apega à esperança de uma vida quase normal depois do segundo transplante. Ele integra um contingente absurdo de quase 13 milhões de pessoas com problemas renais no país, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Desses, 95 mil estão com problemas graves, dependendo de hemodiálise e transplante. É por ele e por esses tantos colegas desconhecidos, que o apelo pela doação sai não como súplica, mas como um chamado à solidariedade.

“Dessa vida não se leva nada.  Se puder doar, faça isso”, aconselha. Outra indicação que gosta de fazer aos filhos, parentes, amigos e conhecidos é para a procura de um médico. Não é preciso esperar sintomas, o melhor, segundo ele, é se antecipar à doença. “Meu médico fala que se tivesse me antecipado, talvez minha história fosse diferente”, conta. 

Nesses cinco anos de espera, já foi chamado uma única vez para a possibilidade de um transplante, mas não adiantou. O órgão não era compatível. Mesmo ansioso pelo recebimento do rim que mudaria sua rotina – hoje ele trabalha somente meio período numa entidade educacional de Belo Horizonte, Silva é resignado e acha que tudo deve ocorrer na hora certa. “Quero que seja feito um transplante com segurança para que, se Deus quiser, possa levar uma vida normal”.

Repórter: Eliana Fonseca

Alguém para amar

Natália Ruas, 26 anos, 1,58 m e 54 kg está à procura de um relacionamento sério que resulte em uma frase: felizes para sempre

Quem: Natália Ruas de Andrade
Idade: 26 anos
Em 2011: Encontrar um companheiro  

Poemas de amor. Filmes de amor. Livros de amor. Até mesmo crimes e dores de amor. Páginas e páginas na internet destinadas a ele, seja para explicar ou confundir-nos. O que não falta é quem esteja vivendo um amor. Ou, o contrário, sofrendo de desamor. Ah, os paradoxos do amor! Há pesquisas para tentar entender tal sentimento. Cientistas da Universidade de Stanford (Califórnia) concluíram que o amor é mais poderoso que analgésicos. Aqui, na revista Viver Brasil, fomos entender um pouco como é a busca pelo ser que inspira o amor e os caminhos que faz um coração para encontrar outro. Vamos acompanhar, por um ano, o coração de Natália Ruas de Andrade, 26 anos, formada em Sistema de Informações. “Sim, estou buscando um relacionamento”, fala a moça, sem rodeios. “Mas sou muito exigente.”

Cabelos longos e loiros, olhos azuis e ligeiras sardas, 1,58m e 54 kg, Natália conta que já tem na cabeça o perfil do homem que procura: não precisa ser rico, mas tem que ser formado, ter uma profissão. Bom papo, maturidade e independência financeira. Não precisa ser lindo, mas ter um charme é essencial. “Gosto de morenos.” Ah, quem não gosta, né? Detalhe: pagar a conta é uma gentileza deles para com ela que faz toda a diferença. “Já gastamos muito ficando bonitas para eles. Mas, se numa ocasião ele estiver apertado, podemos dividir.” Além da conta, para os momentos em que o carro dá um problema, em que não há companhia para almoçar no domingo, mas também para viajar, não é? De preferência um final de semana num resort de luxo, jantar a dois ao ar livre. “Sinto falta de uma presença masculina, um companheiro de todas as horas.”

No entanto, nossa querida não é tão romântica assim. Não é necessário estar loucamente apaixonada, ela fala, mas química é indispensável. E não sai, como se diz ironicamente, a passeio. A pista é pra negócio. E dos sérios. De preferência daqueles que resultem em papel passado e aliança. Natália tem objetivos e planos: até os 30 gostaria de estar casada. “Se fico com o cara e gosto já penso no namoro. E quando estou namorando penso no casamento.” Mas garotos, atenção: cigarro, nem pensar e se você é mais novo que nossa bela, pode tirar o cavalinho da chuva. 

Tênis branco na balada? Tá fora. Mas se usar sapatênis e o perfume Ferrari ou Polo Black, tá dentro. Roupa social? Bom... tecnicamente fora, mas uma camisa polo bacaninha? Tá dentro. Cabelinho bem cortado também tá dentro. E sabe a famosa barriguinha de chope? Não tá fora, não. Mas cuidado! Nada  caindo pra fora da calça. A moça mais parece uma boneca e merece par à altura.

De Carangola (Zona da Mata) para BH, Natália chegou aqui para estudar. Há 6 meses terminou o último relacionamento: ele passou num concurso e foi para Araçuaí (Vale do Jequitinhonha). “Acabamos nos afastando. Às vezes ele manda mensagem.” O ex ficou como parâmetro.

Independente, motorizada e satisfeita com o próprio visual, não concorda que os homens não querem nada com a dureza. “Até me surpreendo como há caras carentes querendo algo mais sério. Mas os homens procuram muito pela beleza, e acho que estão se deparando com falta de conteúdo. Sinto que estou no meu melhor momento e gostaria de dividir tudo isto com alguém.”

Bom, como o amor tem razões que a razão desconhece, vejamos como vai se desenrolar este novelo. Torcendo para ao final de 2011 podermos dizer, sem exagero ou fantasia: foram felizes para sempre.

Repórter: Raquel Ayres

Sob domínio do crack

Há 10 anos Diego Carvalho fuma a pedra da morte e após três internações decidiu que chegou a hora de voltar à vida

Quem: Diego Leandro Carvalho Neves
Idade: 24 anos
Em 2011: Espera largar o vício  do crack e arrumar  emprego

Diego Leandro Carvalho Neves quer voltar à vida. Retomar sentimentos, dignidade, respeito minados pela droga que se meteu à sua frente, aliou-se a ela, curvou-se, esvaziou-se. Vivia para ela: primeiro a maconha, depois a cocaína, o crack, na escala que se repete com dependentes químicos do século 21. Começou a década de 2000 e terminou assim: entregue a ela, estagnado no mundo. “Não conseguia nem chorar.” Perdeu a namorada, reduzida a qualquer outra mulher, ignorou a família, deixou o emprego, submeteu-se a pequenos delitos. “Vendia tudo o que via pela frente.” Só não conseguiu passar adiante, precisava sobreviver, caiu na real entre uma das 20 a 30 pedras fumadas por dia. “Estava me matando aos poucos. Pensei em tirar a própria vida. Fumar até morrer, mas quanto mais usava o crack, mais tinha vontade.” O prazer era maior, retomar a direção de sua história nesta nova década também. Decidiu por expurgar a droga de cada camada do corpo e da alma, lutar, recomeçar em 2011, apagar os 10 anos submetidos a ela. Sabe que não é fácil.

“Sou compulsivo.” Pediu ajuda à mãe Antonieta de Lima Carvalho, foi no dia 19 de novembro do ano passado para clínica de recuperação Associação Ministério Jérico, em Santa Luzia, distante 275 km da sua Juiz de Fora, na Zona da Mata. Veio parar nas páginas da Viver Brasil, mostrar a cara, expor-se neste reality show contado em palavras e fotos a sua batalha titânica contra o crack. Estava lá no dia 15 de dezembro, a 15 dias da virada do ano, da sua vida, preparado para essa luta, com o coração aberto, disposto a refazer a sua trajetória, guinada quando tinha 14 anos. 

Agarrou-se ao crack no buraco da vida. Só queria fumar, não importava com ninguém, o estudo, o emprego, onde ia arrumar dinheiro para manter o vício. Vendeu colchão, suas roupas, objetos que pedia emprestado. Roubou a família, minou a própria vida. Passou por três outras clínicas de recuperação: quatro dias, três meses, quatro meses. Voltava ao crack em busca de prazer imediato, que logo se esvaía e vinham as alucinações. “Dava medo. Via gente me perseguindo por todos os lados. Aí tinha que tomar cachaça para ficar solto.” A prisão, a soltura, o prazer, voltava todo o ciclo que o levava cada vez mais afundar no submundo. “Tinha complexo de inferioridade, sentia-me sujo, antissocial.” Falava que ia desistir, agarrava-se ao remorso, mas no outro dia estava novamente com o crack.

Vinha a vergonha de sair na rua. Ficava três, quatro dias sem comer. Chegou a pesar 40 quilos. “Era que nem a bandeira de pirata: só pano e caveira.” Não conseguia sair do poço em que se meteu com a pedra. “Será que tenho de morrer? Preciso virar homem, está na hora.” Havia perdido tudo, aí veio a inquietação, a necessidade de içar-se do buraco, explodir a pedra, dar ordem ao caos. Internou-se, tem nove meses pela frente para se colocar no prumo da vida cotidiana de trabalho, estudo, família, como a maioria das pessoas. “Sempre quis ter filho antes dos 25 anos. Faço em agosto e não vou conseguir.”

Agarra-se à nova história que quer escrever para sua vida. Deixou o crack, o cigarro, voltou a chorar, a ter saudades dos momentos bons que passou com a família. “Aqui dentro é fácil ficar longe do vício.” Tem medo de sair e começar tudo de novo, de fumar cigarro e lembrar das cinzas do crack, que largou a poucas horas de entrar para a clínica. “Sonho sempre com drogas, com pornografia.” Acha que vai passar, apagar da mente esse período ruim, essa compulsão pela pedra, moldar seu caráter, limpar as cinzas, levantar-se delas. “Quando vocês voltarem aqui, vou ser outra pessoa. Estava morto, voltei à vida. Sei que há muitas lutas pela frente.” 

Repórter: Silvânia Arriel

Negócio aberto

O casal Daniele Gontijo e Mauricio Piñero é dono de um restaurante recém-inaugurado na capital mineira e espera 2011 só de deliciosas realizações 

Quem: Mauricio Piñero
Idade: 36 anos, chef de cozinha
Quem: Daniele Gontijo dos Reis
Idade: 38 anos, contadora
Em 2011: Consolidação do restaurante Vení!

A história de Mauricio Piñero é como a de tantos estrangeiros que visitam o Brasil, apaixonam-se pelas belezas naturais e pelo povo daqui, e elegem o país para viver. A princípio, o local escolhido foi a praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, em 2003, mesmo ano em que visitou o Brasil pela primeira vez. Em Montevideo, no Uruguai, ele trabalhou como músico e ourives. No Brasil, aprendeu a elaborar pratos requintados com um famoso chef em Pipa, em especial com menu degustação. De Pipa, Piñero foi para Natal, onde abriu um restaurante. Em 2007 veio para Minas e, no ano seguinte, inaugurou o Parrilla Montevideo, em Casa Branca. Depois, voltou para Pipa, já com a esposa Daniele Gontijo, onde montaram o restaurante de comida francesa, Déjà vu. A permanência do casal no Nordeste foi de apenas nove meses porque os filhos dos dois, de outros casamentos, ficaram em BH.

Eles já vieram com a ideia de montar um restaurante na capital mineira. Não deu outra. Assim que chegaram começaram a fazer pesquisas de mercado e perceberam que a competitividade na capital nacional dos bares é muito grande e que precisariam de um grande diferencial para atrair os futuros clientes. A opção foi por uma gastronomia diferenciada para agradar ao exigente paladar mineiro. Foi aí que surgiu o Vení! Resto & Tapas, baseado no conceito de tapas espanhóis, que são uma forma de petiscos mais sofisticados. “Nossa ideia é agradar a dois públicos: o que gosta de bar e de boa comida e o que gosta de alta gastronomia”, destaca a contadora especializada em finanças e responsável pela área administrativa do restaurante, Daniele Gontijo, que também recepciona os clientes.

Ela conta que, até que o Vení! fosse inaugurado – o que ocorreu em 30 de setembro de 2010 – foram seis meses somente para viabilizar o local e o restaurante. O casal visitou mais de 150 imóveis até encontrar uma casa, construída em 1945, e que teve sua fachada preservada. Foram investidos 150 mil reais, com propósito de retorno em um prazo de três anos. A decoração da casa ficou por conta de Mauricio e Daniele. Já a cozinha é de total exclusividade de Mauricio, que elabora o cardápio e os pratos. “Servimos comida de excelente qualidade, por um preço justo. Aliás, sermos justos com nossos clientes é um dos nossos objetivos. A boa aceitação e o crescimento do restaurante não implicarão a elevação dos preços dos pratos”, ressalta o chef autodidata, que está confiante que o resultado de seu trabalho na cozinha agradará ao exigente e desconfiado mineiro, o que, consequentemente, culminará no sucesso do Vení!. 

O restaurante está estrategicamente situado em área nobre de Belo Horizonte: na esquina das ruas Flórida e Canadá, no Carmo-Sion. Daniele conta que os clientes estão gostando da proposta do casal. “As pessoas chegam meio desconfiadas, mas depois que percebem o bom atendimento e a qualidade da comida, viram amigas, fazem o boca a boca e voltam ao restaurante”, comemora. Como o investimento na abertura do Vení! foi elevado, não foi feita nenhuma campanha publicitária para sua divulgação, mas o casal aproveitou o sucesso de dois clubes de compra para oferecer comida com altos descontos, com o intuito de divulgar a casa. O retorno financeiro, segundo Daniele, não foi muito elevado, mas o casal ganhou na publicidade do restaurante e no que eles consideram a melhor forma de se fazer propaganda de um negócio: o cliente que experimentou o serviço, gostou e o recomenda a amigos e familiares. Os resultados começaram a aparecer. O segundo mês de funcionamento do Vení! Resto & Tapas, o faturamento superou as expectativas do casal. “Hoje, nossa ocupação média é de 35%. Queremos chegar a 70% nos próximos meses”, antecipa Daniele. Por enquanto, ela e Mauricio querem mesmo é que o Vení! dê certo. Mas a ideia do casal é, futuramente, abrir filiais do restaurante em outras áreas desse Belo Horizonte. 

Repórter: Terezinha Moreira

Nada planejado

Um descuido e, aos 22 anos, a confirmação da gravidez e a vida de Iala Monteiro virada ao avesso

Quem: Iala Monteiro Neves
Idade: 22 anos
Em 2011: ”Prosseguir com garra no trabalho e estudos até a chegada da Isabela. Estou certa de que serei excelente mãe mesmo inexperiente”.

Há exatas duas semanas do término de namoro de cerca de um ano e meio, entre muitas idas e vindas, a descoberta da gravidez. A novidade jogou por terra qualquer esperança de o primeiro atraso menstrual da vida ser decorrente de alterações hormonais de outra natureza. “Fiquei desesperada.” Após toda uma noite em claro, sem conseguir pensar em outra coisa a não ser na maternidade não planejada aos 22 anos, Iala Monteiro Neves decidiu que contaria para a mãe, Adriana, assim que se levantasse da cama. Apesar de trabalhar no setor de informática de uma multinacional na capital mineira há quase dois anos – mesma empresa, onde, inclusive, também é funcionário Rodrigo, 23, o pai do bebê, que na tarde do dia anterior a tinha apoiado ainda que tão surpreso e assustado –, estava receosa quanto às reações dos pais, do andamento do curso de administração de empresas na Fumec, enfim, do que iria se tornar sua vida. Estuda de manhã, no bairro Cruzeiro, almoça em algum restaurante no trajeto até o trabalho de oito horas de carga horária, no Mangabeiras, e, no final da tarde segue para casa, no São Pedro. “Aí assisto TV e apago. Se já ficava cansada antes da gravidez, agora tenho um sono sem fim. ” 

A notícia chegou à mãe, assim como um choque. “Ela ficou muito preocupada e decepcionada comigo. Mesmo consciente da minha vida sexual ativa, esperava que engravidasse quando estivesse mais madura, firmada profissionalmente.” A concepção de Isabela que, mês passado, acabava de fazer quatro meses e meio no ventre de Iala, com exatos 34 g e 16 cm, aconteceu em um período em que ela e Rodrigo se reencontraram depois de três meses separados. “Como não estava namorando ninguém naquela época, relaxei quanto à pílula. Com a camisinha, idem, mesmo porque não tinha costume de usá-la com meu ex-namorado. Até hoje não sei o porquê do descuido.” Se com a mãe, que será avó pela primeira vez – o primogênito Eduardo, 27, é casado sem filhos –, foi difícil expor a situação, com o pai, Ilson, de natureza mais introvertida, a tensão foi ainda maior. “Apesar de namorarmos firme, nossas famílias não se conheciam totalmente. Minha mãe já tinha sido apresentada a ele, mas meu pai e meu irmão nunca o tinham visto. Eu também só conhecia o pai e uma irmã dele.” A apresentação do ex-namorado à família ocorreu apenas quando Rodrigo foi à casa de Iala para comunicar que iria assumir, registrar a criança. “A partir daí, meu pai ficou um pouco mais tranquilo.” Embora Rodrigo, que a acompanha em todas consultas e ultrassons do pré-natal juntamente com a mãe dela e deseja retomar o namoro, Iala fica hesitante. “Não quero fazer nada por obrigação, conveniência. Quero ter certeza de meus sentimentos.” Em relação à família de Rodrigo – que segundo a mãe de Iala está exultante com a neném: “ele chorou até no primeiro ultrassom” –, Iala continua a não conhecer a avó paterna de Isabela. “Encontrei-me com o pai dele e ele me disse que está muito feliz.” Passado o susto, a mãe de Iala parece estar vivendo sua terceira gravidez, tamanho é seu entusiasmo. “Vou fazer questão de estar ao lado dela na hora do parto. Mas, quando a Isabela nascer, a Iala sabe que a responsabilidade é dela. Vou estar aqui apenas para ajudar, apoiar.” Enquanto se acostuma com as novas formas e sensações – 2,8 kg ganhos da primeira para a segunda consulta, muita azia e emoção à flor da pele: “passei a chorar à toa por qualquer coisa” –, Iala vai também alterando sua rotina. As idas aos shoppings estão bem menos frequentes enquanto as saídas para as baladas deram um tempo. “Acredito que o pior já passou. Só estou, claro, apreensiva com a futura realidade.”

Repórter: Luciana Avelino


 
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