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MercadoRotas lucrativasÁgeis e versáteis, os helicópteros despertam a atenção dos mineiros e vendas de aeronaves em Belo Horizonte deve dobrar em dois anos, segundo especialistas
Texto: Camilla Baeta | Fotos: Pedro Vilela
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Em parceria com um grupo de amigos empreendedores da capital mineira, ele investiu no ramo de venda de helicópteros novos e usados em Belo Horizonte. “Em cinco meses já comercializamos três aeronaves e para 2011 encomendamos outras cinco”, diz o dono da Claro Aviação, empresa que também atua na manutenção e venda de peças de helicópteros. Enquanto em São Paulo, a febre entre o empresariado é a aeronave da marca Agusta (bem mais potente), em Belo Horizonte a coqueluche é o helicóptero Robinson 44, considerado o mais básico dos modelos do mercado. “O mineiro é conservador e está começando agora a conhecer a fundo esse mundo de helicópteros. Por isso, não se arrisca logo de cara num modelo mais robusto e caro. Mas, com o tempo, isso muda, pois ele vai descobrindo as vantagens e benefícios dessas máquinas e troca por modelos mais potentes”, explica Cláudio Jorge. |
Um modelo de porte pequeno, que comporta três passageiros, custa em média 1,2 milhão de reais. O de porte médio com capacidade para cinco passageiros sai por cerca de 5 milhões. Para quem precisa de aeronave maior, terá de desembolsar um pouco mais. Um modelo de grande porte que carrega oito passageiros custa em média 12 milhões. Apesar da diferença de preços, todos os helicópteros, independentemente da marca e modelo, voam com velocidade máxima de 140 nós e não ficam no ar mais do que quatro horas seguidas. “A diferença de uma aeronave para outra está na amplitude da cabine e na tecnologia da máquina, como tipo de motor. Um modelo com porte maior é mais confortável e seguro”, diz o piloto de helicóptero Theo Rohlfs. Para quem quer se arriscar nesse mundo da aviação, existem várias instituições financeiras que trabalham com linhas de crédito para compra de helicópteros. Um dos mais usados, segundo os especialistas, é o Finame, leasing do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cuja taxa é de 4,5% ao ano. Além do desembolso para adquirir uma aeronave, o consumidor terá de arcar com o custo mensal do equipamento, baseado no número de horas de voo. Para quem utiliza um helicóptero para trabalhar todos os dias, por exemplo, terá custo médio de 15 mil reais por mês, incluindo piloto, manutenção, abastecimento, garagem e seguro. Para um helicóptero de porte médio, esse custo pode chegar a 40 mil. |
Com o aumento das vendas, intensifica a necessidade de melhorar a infraestrutura para suportar o crescimento desse setor. Faltam garagens, pilotos, mecânicos e consultores especializados no ramo. A falta de helipontos é outro gargalo. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), existem oito helipontos em Belo Horizonte – a maioria deles em hospitais. Atento a esse nicho de mercado, o piloto Enrico Benedetti, no ramo há mais de 25 anos, se aliou ao empresário e piloto Vitor Pereira para montar a Helibh Service Center, um centro com heliponto e suporte para helicópteros, localizado na saída para o Rio de Janeiro. Inaugurada há seis meses, a Helibh já conta com cartela de 15 clientes. A previsão é de expansão nos próximos anos. “O negócio surgiu dessa defasagem de infraestrutura para helicópteros”, afirma Vitor Pereira. Segundo ele, além de heliponto, a Helibh oferece receptivo com secretária bilíngue, sala vip, locais para reuniões, garagem, pilotos e serviço de abastecimento. Os preços variam de 2,5 mil a 5 mil reais, de acordo com o porte das aeronaves. Para atender a esse mercado em crescimento, é cada vez maior a procura de pessoas querendo se tornar pilotos na capital mineira. Na Escola de Pilotagem (Efai), em Belo Horizonte, a procura por cursos aumentou mais de 100% nos últimos dois anos, segundo Juliana Kraft, gerente administrativa e comercial da escola. “Temos 30 alunos em treinamento de voo e mais 15 na lista de espera”, afirma. Para realizar o curso completo de piloto de helicóptero, com duração de um ano e meio, o aluno irá desembolsar 85 mil reais, incluindo curso teórico e aulas práticas. “Para atender ao aumento do número de alunos temos quatro helicópteros e estamos comprando mais um prevendo o aquecimento do mercado em 2011”, declara a gerente da Efai. |
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PERFILTheo Rohlfs Com apenas 21 anos, o piloto mineiro Theo Rohlfs já acumula experiência invejável para muitos marmanjos do ramo da aviação civil. Ele possui no currículo 1,5 mil horas de voo em helicópteros, o que dá cerca de 500 horas por ano. Performance invejável se comparado à média dos pilotos desse tipo de aeronave que é de aproximadamente 150 horas de voo por ano. Mas a jornada pelo mundo da aviação desse jovem comandante começou bem antes disso, o que explica a larga experiência. “Minha mãe conta que a primeira palavra que eu disse foi avião. Já criança, meu brinquedo preferido era um simulador de voo, com o qual eu podia sonhar que estava voando; cheguei a acumular 3,5 mil horas nesse simulador”, conta. Aos 8 anos, Theo começou a intensificar seu contato com o mundo da aviação. Uma das fases mais marcantes foi a experiência adquirida com o já falecido comandante Milton José da Silva, Miltinho como era conhecido. Com ele recebeu os primeiros ensinamentos. “Miltinho foi mais do que um professor para mim. Eu tinha por ele o respeito de pai”, declara. Mas foi aos 10 anos que Theo Rohlfs descobriu sua grande paixão no mundo da aviação: o helicóptero. Aos 18 anos, quando pode tirar o brevê de piloto, ele já tinha acumulado mais de 400 horas de voo. Em pouco tempo, cruzou o espaço aéreo brasileiro do Oiapoque ao Chuí. E não parou por aí. Theo se mudou para os Estados Unidos, onde tirou o brevê norte-americano, o que lhe rendeu voos mais altos; agora como empreendedor. Em dois anos, ele já participou da venda de cinco helicópteros para empresários. E com o aquecimento desse mercado em Minas Gerais, estuda implantar alguns projetos, que ainda são guardados em sigilo. Segundo Rohlfs, a demanda por aeronaves irá dobrar em Belo Horizonte nos próximos dois anos. “O empresário mineiro começou a descobrir as vantagens dessas máquinas: custo, benefício, versatilidade, flexibilidade e segurança. Além disso, a infraestrutura para dar o suporte, como o surgimento de helicentros, está se tornando cada vez melhor em BH. É um mercado com grande potencial de expansão.” |