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Especial Diabetes
EU E A DIBETES
Nos dias atuais, com tantos produtos voltados para pessoas portadores da doença, a ordem
é ir em busca de uma maior qualidade de vida
Texto: Fernando Torres | Fotos: André Fossati e Pedro Vilela
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A depender do ponto de vista, o Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro, não tem motivos para comemorações – a doença é um dos principais males em ascensão. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que o diabetes atinge mais de 250 milhões de pessoas em nível global, número que deve aumentar em 52% dentro de 20 anos. No Brasil, a estimativa fica em torno de 10 milhões de pacientes, dos quais 78% são do tipo 2, e 22%, do tipo 1. Sem dúvida, o aumento da obesidade e a cultura do fast-food contribuem para esses índices altíssimos.
Em contrapartida, a vida moderna também propicia muitas alternativas para que o diabético possa ter mais qualidade de vida. Foi o que demonstrou o Circuito Viver Diet, promovido pela Drogaria Araujo. Realizado na última semana de outubro, no Minascentro, o evento reuniu cerca de 5 mil pessoas, com 35 estandes diversos, oficinas, palestras e debates, com divulgação sobre tratamentos, acessórios, alimentos e produtos. Houve participação de profissionais de múltiplas especialidades, como endocrinologia, oftalmologia e ginecologia, nutrição, fisioterapia e educação física. “A carência de informações sobre diabetes é muito grande. Com 104 anos de fundação, a Araujo se sente no dever de acabar com os mitos sobre a doença”, diz Modesto Araujo, presidente da rede de farmácias.
Uma das palestras que mais chamou a atenção do público foi sobre a vida sexual dos diabéticos, com o ginecologista e sexólogo Gerson Lopes. “A disfunção erétil realmente é mais frequente nos pacientes com diabetes. Isso ainda é mais comum quando se associam fatores como obesidade e hipertensão arterial. Porém, muitos homens apresentam dificuldade de ereção mais por ansiedade, estresse ou medo de falhar do que por fatores físicos”, afirma. O mais importante é que há tratamento, desde medicações orais a serem usadas horas antes da relação sexual até injeções indolores diretamente no pênis. Em setembro, também foi lançado no Brasil uma droga oral de tratamento diário, à base de tadalafila.
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CRISTIANO GUIRLANDA: “Descobri que sou diabético” |
Outro ponto alto do Circuito Viver Diet foram as oficinas, com informações práticas sobre a convivência diária com a doença. Foi lá que o engenheiro Cristiano Guirlanda,36, tirou todas as suas dúvidas sobre a autoaplicação de insulina. “Descobri que sou diabético há apenas 15 dias, e isso está mudando completamente minha vida. A oficina foi ótima para esclarecer questões como a posição certa da agulha e a recente troca da seringa pela caneta”, elogia.
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ANTÔNIO NOGUEIRA: preocupação com aumento do índice glicêmico |
O representante comercial Antonio Augusto Nogueira, 60, diabético há 15 anos, aproveitou a feira para medir o nível de açúcar no sangue (índice glicêmico). E descobriu que seu grau não está nada controlado. “Para minha idade, e como sou diabético, o ideal é que a glicemia esteja abaixo de140 mg/dl, mas a medição apontou 176 mg/dl”, conta. Antonio já tem um aparelho de monitoração, mas o susto fez com que ele comprasse um modelo mais moderno.
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MARIA AÍDA: “Fico de olho na pressão, pois o diabetes altera todo o organismo” |
Realmente, não dá para descuidar. Um dos principais problemas dos pacientes com diabetes é a relação com as doenças cardiovasculares. “O excesso de açúcar no sangue pode levar a infarto, hipertensão, arteriosclerose, derrame, trombose, insuficiência cardiovascular, entre outras doenças”, lista o endocrinologista Wesley dos Santos. Caso da administradora Maria Aída Araliciba, 64, hipertensa e diabética há pelo menos 10 anos. “Fico de olho na pressão, pois o diabetes altera todo o funcionamento do organismo”, diz.
Outro problema muito comum para quem tem diabetes (cerca de 20% dos pacientes) é o pé diabético, que, dependendo da gravidade, pode até ser amputado. O problema acontece quando o índice glicêmico está muito acima do esperado, causando o endurecimento das paredes dos vasos sanguíneos. Uma equipe do curso de fisioterapia do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH) esteve no Circuito Viver Diet para investigar o problema nos visitantes. Além de fazer diagnósticos, o grupo de fisioterapeutas divulgou pequenos cuidados para evitar o pé diabético: cortar as unhas de forma reta; não retirar a cutícula, usar meias e sapatos confortáveis, sem salto e que não apertem o pé; não andar descalço; dobrar a higiene local; não usar água quente; secar bem entre os dedos após o banho; usar cremes para a sola dos pés (nunca entre os dedos).
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DEBATE NO VIVER DIET: busca de alternativas para que diabético tenha qualidade de vida |
Variados produtos
Os anos 90 presenciaram a invasão dos produtos diet nas gôndolas de supermercado e, na sequência, na mesa dos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos (Abiad), 75% das pessoas da classe A consomem alimentos diet ou light. Como esses produtos são mais caros que os convencionais, pode-se supor que são reservados apenas à elite. Engano. O mesmo estudo aponta que 35% dos membros da classe C também são fiéis ao segmento.
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A verdade é que a indústria de alimentos dietéticos facilita muito a composição do cardápio de pacientes com diabetes. O Circuito Viver Diet apresentou várias opções de produtos, inclusive aqueles alimentos que aparentemente não têm açúcar em sua composição. Apesar de levar o rótulo light em sua nomenclatura, as linhas Integral Light e Benefice Light de sanduíches Seven Boys, são totalmente isentas de açúcar. Há cinco opções de sabores: trigo e linho, iogurte e aveia, centeio, cereais com iogurte e sete grãos. “Os pães também podem ser consumidos pela população não diabética, pois têm teor reduzido de gorduras e 35% menos sódio”, informa Maíra Namorato, engenheira de alimentos da Seven Boys.
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ETELVINA DIAS experimenta doce dietético: “Sou apaixonada por sobremesas” |
Mas a verdade é que os doces são a maior dificuldade dos diabéticos. Ou melhor, eram. Hoje, o mercado oferece várias alternativas sem uso de açúcar, como biscoitos, wafers, adoçantes, entre outros. O tacho mineiro, aliás, está bem servido. Que o diga a empresa Doces São Lourenço, que comercializa 16 tipos de doce de leite dietéticos: puro, com ameixa, amendoim, avelã, chocolate, nozes, passas... A variedade de sabores também inclui bananada, goiabada, marmelada, cocada, paçoquinha, pé de moleque, ambrosia, leite condensado, brigadeiro de colher e 14 qualidades de geleias (entre elas, morango e uva). Sem falar nas compotas de pêssego, abóbora, abacaxi, goiaba, laranja e figo. Todos os itens são prato cheio para a cozinheira Etelvina Chaves Dias, 57, que descobriu ser diabética há cinco anos. “Sou apaixonada por sobremesas, especialmente doce de leite. Mas, tenho evitado”, lamenta. Ela conheceu a linha São Lourenço durante o Viver Diet. E, após a degustação, aprovou: “Não muda o sabor. Com certeza, vou virar freguesa.”
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Um dos mais populares produtos diet é, sem dúvida, o chocolate. Além de retirar o açúcar, a empresa gaúcha Olvebra inovou com o ChocoSoy, chocolate à base de soja e sem lactose. A linha diet tem quatro variáveis: tradicional, Pops (flocos de arroz cobertos com chocolate), Dark (50% de cacau) e Dark Mix (com linhaça, gergelim, castanha de caju e flocos de arroz), sem falar no de ovo de Páscoa. Mas, atenção: apesar de ricos em fibras e isentos de açúcar, os chocolates diéteticos não são indicados para quem pretende emagrecer. Em geral, para garantir a textura e a integridade do paladar, é necessário acrescentar uma quantidade maior de gordura. No fim das contas, o número de calorias pode até ser maior. Portanto, se seu objetivo for emagrecer, preste atenção no número de calorias e não se deixe levar pelas chamadas sem açúcar e afins.
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DIABETES RUNNING: participantes correm em BH com orientação de profissionais | André Fossati |
Exercícios
Engana-se quem pensa que o diabetes é motivo para deixar de praticar atividades físicas. Muito pelo contrário: os exercícios ajudam a manter os níveis de glicose equilibrados, reduzem a quantidade do açúcar no sangue e potencializam a ação da insulina. Porém, os pacientes diabéticos devem tomar alguns cuidados específicos, como alimentação e escolha do esporte.
Pensando nisso, a educadora física Fernanda Vasconcelos e a nutricionista Rachel Melo Kessler criaram há um mês o Diabetes Running, grupo esportivo voltado exclusivamente para diabéticos. Quatro vezes por semana, os participantes se reúnem no Belvedere para caminhar e correr sob orientação profissional e multidisciplinar. “Como a glicemia pode aumentar ou abaixar quando o paciente pratica atividade física, fazemos monitorações antes, durante e após o exercício”, diz Rachel. Além de monitorar a glicose, o Diabetes Running oferece cálculo nutricional, planos alimentares, avaliação física.
Belo Horizonte também conta com os serviços do Diabetes Weekend, uma colônia de fim de semana exclusiva para diabéticos. Três vezes ao ano, o programa reúne cerca de cem participantes em hotéis-fazenda do estado, como o Parque Hotel Pimonte, em São Francisco de Paula, e o Retiro das Rosas, em Ouro Preto. “A ideia do projeto é a troca de informações entre os diabéticos e, assim, melhorar a qualidade de vida”, conta o endocrinologista Levimar Costa Araújo, criador e coordenador da colônia e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Inicialmente, o Diabetes Weekend envolvia apenas crianças, mas hoje abarca pessoas de todas as idades. Uma das edições, por exemplo, reuniu apenas adolescentes. “Enfocamos temas próximos da realidade deles, como sexualidade e o uso de anabolizantes”, exemplifica Levimar. A 23ª edição, programada para o fim de novembro, deve acontecer na serra da Moeda. Desta vez, o público-alvo são os pais de crianças diabéticas. As inscrições ainda estão abertas e têm pelo menos 50% do custeio pago por patrocinadores.
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