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CidadeXô, fumaçaApós a proibição de fumo em locais públicos e fechados, agora os fumódromos viram alvo de novo projeto de lei municipal
Texto: Miriam Gomes Chalfim | Fotos: André Fossati e Pedro Vilela
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Em Nova Iorque, o cerco ao fumante vai mais além. A proibição de fumar em vigor nos bares e restaurantes da metrópole poderá ser estendida para os parques e praias. A medida foi anunciada recentemente pelo prefeito Michael Bloomberg. Segundo ele, a ciência é clara sobre o tema: uma exposição passiva prolongada à fumaça de cigarro, no interior ou no exterior de um local, prejudica a saúde. A proibição de fumar ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Municipal. Nova Iorque tem 22,5 km de praias e mais de 1.700 parques e áreas de lazer, incluindo o célebre Central Park. O segmento empresarial de Belo Horizonte encara com ressalvas a edição de uma lei municipal para o fumo. O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhorb) considera desnecessária uma nova legislação. Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) é favorável à atual proibição, mas com ressalvas. Para o presidente da Abrasel em Minas, Paulo Sérgio Nonaka, os fumantes estão conscientes e a lei que existe atualmente funciona. “Basta sair e ver que a determinação é respeitada por todos”, garante. Segundo ele, outro problema seria o dinheiro investido pelos empresários que instalaram os fumódromos. É o caso da casa noturna Jack Rock Bar, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O gerente do estabelecimento, Fabrício da Silva Nonato, afirma que foram cerca de 10 mil reais para instalar o fumódromo, com sistema de exaustão e de ar-condicionado, além da reforma, compra de mesas, cadeiras e televisões. “O fumódromo é um conforto para os clientes, que não precisam mais sair da boate para fumar”, justifica. Já os especialistas em saúde pública são a favor da proibição absoluta do fumo em ambientes fechados. Um deles é o presidente da Associação Mundial de Antitabagismo e Antialcoolismo (Amata), Sílvio Tonietto, que reforça que a fumaça do cigarro ultrapassa limites e atinge os não fumantes, como os garçons, por exemplo. “Não podemos esquecer também da grande concentração de fumaça existente nesses locais. Isso prejudica ainda mais a saúde dos que fumam”, diz Silvio Tonietto. O pneumologista Paulo Corrêa, mestre em Estudos de Saúde pela Faculdade de Medicina da UFMG, tem a mesma opinião. Segundo ele, o fumódromo é incapaz de proteger os comerciantes que trabalham no estabelecimento e prejudica também a saúde dos fumantes. “Para que o sistema de exaustão desses ambientes fechados funcionasse, seria necessário um furacão dentro dos estabelecimentos, o que é impossível”, rebate o médico, que é um dos diretores da Sociedade Brasileira de Pneumologia. |
Uns contra, outros a favor
Ex-fumante, a professora de arte Ana Leda Vilela Abdelnoor acha a restrição um absurdo. “Ninguém precisa acender um cigarro num restaurante perto de quem está comendo. É uma questão de bom senso e educação. Mas restringir o fumódromo, também não precisa. Desse jeito, daqui a pouco vão proibir o cigarro até ao ar livre. Para Ana Leda, a exclusão do fumódromo é uma forma de marginalizar quem é adepto do cigarro. “A questão do limite, do espaço, é muito mais importante do que restringir o fumo. É preciso educar as pessoas para saber usar o espaço, mas nunca proibir, porque assim você marginaliza, e não educa”, opina. |
O músico e compositor Madson Guimarães Figueiredo diz que não é contra o fumódromo, desde que realmente funcione. Mas defende que os fumantes deveriam ter uma área aberta para fumar. “O fumódromo parece uma câmera de gás, mesmo para quem fuma”, comenta. Ele aprova a lei que proíbe o cigarro em ambientes fechados, mas acha radical o projeto de lei que quer acabar com os fumódromos. Já a advogada Patrícia Moura aprova o projeto de lei, já que, mesmo quando há fumódromo, o cheiro de cigarro pode ser sentido. “O cheiro me incomoda muito. Por isso, prefiro ir a locais onde não é possível fumar de nenhuma forma. As pessoas hoje estão mais conscientes com relação à saúde, e também estão mais preocupadas com o coletivo. Se aprovada, a lei vai pegar”, aposta. Mesmo sendo fumante, o fotógrafo Sérgio Gloor aprova o fim dos fumódromos. “Eu já não fumo em locais fechados, dentro de casa ou do carro. Tenho uma bolsinha para guardar guimbas de cigarro e não jogá-las no chão. Num restaurante, por exemplo, qualquer fumante pode perfeitamente bem sair para fora na hora que quiser fumar. Por isso, não precisa ter fumódromo”, destaca. |
CERCO AO CIGARROComo é a Lei Antifumo em vigor em Minas
. Proíbe o fumo em todos os ambientes fechados (bares, restaurantes e repartições públicas) O que prevê o projeto de lei para BH com relação ao cigarro:
. Parques e praças: liberado |
É PROIBIDOOnde o fumo é totalmente proibido hoje no país
SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO E PARANÁ: Como é o cerco ao cigarro no país: O fumódromo é proibido, mas é permitido o fumo nas áreas externas: Roraima, Amazonas, Rondônia e Paraíba Proíbe em locais fechados, mas permite os fumódromos e nas áreas externas: Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão, Ceará, Sergipe, Espírito Santo e Distrito Federal Espaço para o fumante é previsto, mas pode ocorrer mesmo em ambientes fechados: Acre, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Piauí e Bahia Fontes: Aliança de Controle do Tabagismo, Associação Mundial Antitabagismo e Antialcoolismo, Câmara Municipal de Belo Horizonte e Assembleia Legislativa de Minas Gerais |
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