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NegóciosA 200 por horaO empresário Sérgio Habib, dono do maior faturamento em vendas de carros do país, acaba de inaugurar loja da Aston Martin e se prepara para trazer a chinesa JAC
Texto: Ana Cristina D ́Angelo | Fotos: Divulgação
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Até o ano que vem, Habib protagoniza a virada no grupo e inaugura uma era de trabalho para os próximos 10 anos, segundo ele mesmo. Em agosto de 2010, quando o grupo abria a primeira revenda da inglesa Aston Martin no país, a loja situada em São Paulo já nascia como a maior concessionária da lendária marca no mundo naquele mês. Ainda na pré-abertura, 11 modelos que custam em torno de 1 milhão de reais foram vendidos e a previsão era fechar o mês entre 15 e 17 unidades. A representação da marca no Bra- sil levou sete anos de negociação com o grupo inglês, mas Habib intuía que era hora de trazer ao país modelos sofisticados num momento de crescimento do mercado. Foi um proces- so parecido com a vinda da Jaguar. “Estava saindo da garagem de casa e quase bati num Jaguar. Ia para o Salão do Automóvel de 1992. Fui seguindo o Jaguar por 25 km, ele também ia para o Salão do Automóvel. Fui pensando pelo caminho e quando cheguei já estava decidido a trazer a Jaguar para o Brasil”, conta o empresário. A década de 90 foi o marco da chegada dos carros estrangeiros com a abertura do mercado a importações. Habib surfou naquela onda e não parou mais. O primeiro carro Citröen chegou ao Brasil em janeiro de 1991. Em seguida, fundou a Associação Brasileira dos Importadores de Veículos Automotores (Abeiva). Ficou notória sua relação com os empresários franceses que o nomearam presidente da Citröen no Brasil por oito anos. Hoje ele mantém as concessionárias da marca, mas deixou o cargo executivo para cuidar de outra empreitada. |
Hora da JAC
Da negociação quase doméstica com os franceses – Habib é filho de franceses e fala a língua com perfeição – o empresário se lançou ao desafio de negociar com os chineses da Jianghuai Automobile Company (JAG). “Eu podia manter os negócios como estão, mas acho que a vida não tem graça sem desafio. Não gosto de rotina e negociar com chinês é puro desafio”, afirma o empresário, enquanto mostra, com animação, livros sobre a cultura e a economia chinesas que vêm devorando nos últimos meses. “Vou à China todo mês. O chinês valoriza o contato pessoal. O contrato para eles é um pedaço de papel. O chinês é parecido com o brasileiro na festa, na falta de pontualidade e organização e na afetividade”, conta. Para trazer a JAC ao Brasil, o investimento do grupo nos próximos dois anos será ao redor de 250 milhões de reais, incluindo campanha de lançamento dos carros, 32 concessionárias próprias (outras 13 serão franqueadas) e um centro de distribuição e reposição de peças em Vitória (ES). Pergunto se a Ogilvy, agência que fará o lançamento do produto, terá muito trabalho para convencer os brasileiros de que o carro chinês é bom. “Você verá. O que posso dizer é que o carro da JAC ganhou o prêmio de qualidade este ano de melhor compacto da China, à frente dos daHonda, Toyota, GM e Volks. Ele tem design italiano, freios alemães, todo sistema de injeção eletrônica é norte-americano, os airbags são alemães e a suspensão é projetada no Japão. O carro é montado na China e tem os componentes presentes nos melhores veículos do mundo, com preço competitivo”, diz Habib. |
No mercado brasileiro, o compacto da JAC deverá concorrer com Palio e Gol e o preço vai oscilar entre 37 mil e 60 mil reais, de acordo com o acabamento. Com os novos negócios, o grupo JAC somará 90 revendas, o maior do país. O investimento, explica Habib, dá-se com vistas à consolidação do Brasil como terceiro mercado consumidor de carros no mundo. “Teremos China, Estados Unidos e Brasil”, prevê. Para ele, ainda se viverá o auge do setor automotivo no país. Hoje é um mercado de pouco mais de 3 milhões de carros, sendo que metade é de carros populares e nas mãos de quatro marcas tradicionais. Habib aposta que o gosto do brasileiro está mudando. E ele quer ser o pioneiro em oferecer outros produtos e marcas. NÚMEROSO grupo SHC Fundado em 1991 tem 4 mil funcionários. A chegada da JAC vai gerar 2 mil novos empregos. Maior revenda de automóveis do Brasil em faturamento. Representa as marcas importadas Citröen, Jaguar e Aston Martin no Brasil. São 55 concessionárias (há revendas Ford e Volks também). Vende 45 mil carros por ano Está trazendo a marca chinesa JAC para o Brasil: modelos J3 sport, J3 compacto, J5 sedã e J6 minivan. Com estimativa de ter rede de 45 revendas no Brasil da JAC no começo de 2011 em 32 cidades brasileiras (32 próprias e 13 franquias). A JAC vendeu 310mil carros e faturou US$ 3 bilhões em 2009.
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