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LivroDe volta à casa grandeSetenta fazendas dos séculos 17 e 18 do Sul de Minas dão o tom histórico ao livro que será lançado este mês pelo arquiteto Cícero Cruz
Texto: Fernando Torres | Fotos: Divulgação / Robson Regato
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Mas, embora os produtos fossem variados, a arquitetura das fazendas seguia linhas uniformes. A maior parte delas, por exemplo, utiliza a técnica construtiva conhecida como gaiola de madeira. “As paredes são erguidas em torno de armação parecida com uma gaiola”, explica o autor. Apesar de receber influência da gaiola pombalina – método desenvolvido pelo Marquês de Pombal após o terremoto de Lisboa, em 1755 –, a técnica ganhou vida própria em Minas, graças à qualidade das madeiras brasileiras. Para compor o livro, patrocinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Cícero visitou mais de cem fazendas, das quais pelo menos 70 foram incluídas. Entre elas, algumas ganham destaque. Originária do século 18, a Fazenda da Barra, em Delfim Moreira, está encravada na serra da Mantiqueira, próxima aos rios Sapucaí e Verde. “Além de suas características físicas serem típicas do período, ela se localiza em um descaminho, rota não oficial do ouro, traçada pelos mineradores para fugir do fisco”, diz Cícero. Já a Fazenda do Mato, em Três Pontas, representa a evolução das construções no século 19, com a planta em L. “A casa impressiona pelo bom estado de preservação, com piso, paredes e armários intactos.”
FRASE: "A produção mineira era diversificada" - Cícero Cruz |
A propósito, a conservação das fazendas do Sul de Minas é muito variável. Cícero relata que, enquanto algumas estão praticamente derrubadas, outras sofreram intervenções que as descaracterizam. Há também aquelas bem restauradas. “Considero que as fazendas em estado ideal são aquelas que tiveram manutenção ao longo do tempo.” Em muitas delas, ainda há moradores, apesar de não constituir a residência principal da família. Mas isso não impede que, com jeitinho, o visitante encontre café passado na hora ou uma tacinha de licor caseiro de jabuticaba. Tudo servido com a histórica hospitalidade mineira. |