| |
Turismo
Entre o antigo e o novo
Lisboa alia tradição histórica e modernidade, destacando-se como um dos destinos mais luxuosos e cosmopolitas da Europa
 Fotos: divulgação
Pegue um bonde centenário e vá pelos bairros antigos, repleto de casarões onde moradores ainda penduram roupas para secar nas varandas floridas, num colorido de encher os olhos. Visite castelos, museus e contemple azulejos seculares em afrescos e fachadas, ao som do tradicional fado. Se você é do tipo que dispensa passeio histórico, vá a shoppings, boates e edifícios que mais remetem à moderna Dubai, o paraíso luxuoso dos Emirados Árabes. Lisboa, capital de Portugal, é assim: alia o antigo e o novo. Conhecida pela rica arquitetura histórica e herança cultural, a cidade vem se destacando também como um dos roteiros mais contemporâneos e luxuosos da Europa.
|
|
TRADICIONAL: bonde centenário |
Entre as atrações mais modernas, está o parque das Nações, antiga zona portuária que hoje reúne construções de arquitetura única. Passar por lá é verdadeira viagem ao futuro. A região se desenvolveu a partir de 1998, em função da exposição mundial. Para a realização do evento, os organizadores ergueram às margens do rio Tejo monumentos com o tema Descobrimento. O mais famoso deles é o Oceanário, um dos maiores aquários do mundo que reproduz os oceanos Atlântico, Ártico, Indico e Pacífico. Cerca de 1 milhão de pessoas percorre por ano a exposição, sendo o local mais visitado em Lisboa. Projetado pelo arquiteto Peter Chermayeff, o Oceanário é composto de dois edifícios ligados por uma ponte. O principal, que abriga a exposição e é cercado por água, representa um navio pronto a zarpar. A programação para os turistas vai desde visitas guiadas, workshops, concertos para bebês e até – imaginem – o direito de passar uma noite ao lado dos tubarões.
|
|
|
EDIFÍCIOS DO OCEANÁRIO: local mais visitado da capital portuguesa |
165 mil
turistas provenientes do Brasil em 2009 injetaram 243 milhões de euros na economia da capital lusa
O bairro abriga ainda o Museu do Conhecimento, espaço onde se pode interagir e experimentar descobertas científicas que fizeram a evolução da humanidade, além de restaurantes, centro comercial e o cassino de Lisboa. O Pavilhão Atlântico, assim como o cassino, recebe diversos espetáculos, sem contar o teatro Camões, com programação regular, sobretudo de dança. Em função dos monumentos, a região atraiu luxuosos empreendimentos residenciais, tornando-se reduto de milionários.
Quem quiser luxo não pode deixar de percorrer também a larga avenida da Liberdade. Aberta em finais do século 19, é uma das mais simbólicas vias lisboetas e onde se encontram as lojas de grifes mais sofisticadas do planeta, entre elas Ermenegildo Zegna, Armani, Calvin Klein, Hugo Boss, Louis Vuitton e Prada.
|
|
|
Praça do Comércio |
Bem longe dos luxos contemporâneos, impossível permanecer na capital lusitana sem fazer uma viagem ao passado. A melhor opção é pegar um dos elétricos, bondinhos que percorrem a antiga Lisboa. É emocionante ver a cidade do alto, formada por sete colinas (picos).Uma da vistas mais belas se tem do castelo de São Jorge. De lá, vale um passeio a pé pelos populares bairros de Alfama e da Mouraria, de origem muçulmana. As casas estreitas e antigas ostentam azulejos nas fachadas. Nas varandas, vasos floridos e roupas a secar.
Outros roteiros imperdíveis são o Chiado e a Baixa Pombalina, conhecida como a cidade renascida. Praticamente arrasada pelo grande terremoto de 1755, a baixa Lisboa foi reconstruída na gestão do marquês de Pombal, que doou imóveis a famílias portuguesas para o funcionamento de lojas e residências. Daí a predominância de ruas repletas de comércio, sendo a Augusta a mais interessante e movimentada. A praça do Comércio, também chamada de Terreiro do Paço, fica às margens do Tejo, rodeada por imponentes edifícios, hoje ocupados por ministérios.
|
|
|
Márcia Queirós |
FRASE:
Os turistas brasileiros representam um dos cinco mais importantes mercados para Lisboa, devido à facilidade do idioma
Ex-ponto de encontro de intelectuais de Lisboa, o Chiado (nome criado em homenagem ao escritor popular Antônio Chiado) continua a ser um dos lugares mais charmosos e procurados. O escritor Eça de Queirós faz referência ao Chiado em suas obras. Aliás, ler Eça de Queirós para conhecer melhor Lisboa é uma das recomendações da colunista Danuza Leão, uma das apaixonadas pela cidade, no livro Fazendo as Malas.
|
|
|
Márcia Queirós |
Ao lado de pastelarias históricas como a Bernard e a Brasileira, o Chiado preserva igrejas barrocas, antigas livrarias, edificíos em art déco e lojas de marcas prestigiadas. É lá que funciona o primeiro restaurante de Portugal e um dos mais antigos do mundo, o Tavares, com suntuosos lustres de cristal, espelhos venezianos e teto banhado a ouro. Inaugurado em 1861, o local foi durante muitos anos o ponto de encontro de intelectuais do país e pessoas ilustres. A cozinha, totalmente renovada, está a cargo do chef José Avillez, um dos mais conceituados de Portugal. Se passar por lá, não deixe de experimentar, na entrada, a Horta da galinha dos ovos de ouro, ovo cozido com aromas da terra, seguida pelo tradicional Bacalhau a Brás.
|
|
|
MONUMENTO: bairro de Belém |
Para jantar, uma boa pedida é o Restaurante da Travessa. A casa funciona no antigo convento das Bernardas, decorado com móveis antigos de famílias portuguesas, como cristaleiras que lembram a das nossas avós mineiras. No cardápio, muitas entradas pequenas, como mexidos servidos em frigideiras, batatas e porco preto fatiado, típico da região de Alentejo. A ideia, segundo um dos donos do restaurante, Antônio Moita, é receber como se estivesse em casa.
E não é difícil se sentir em casa na terra-mãe. Um dos bairros que não devem deixar de ser visitados é Belém, banhado pelo rio Tejo, de onde partiram as embarcações portuguesas rumo ao oceano para a aventura da descoberta de novas terras. Um dos monumentos mais belos é o Mosteiro dos Jerônimos, construído a pedido do rei Manuel I em agradecimento à descoberta da Índia. Junto à Torre de Belém, símbolo da cidade, o mosteiro está classificado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
|
|
|
Tradicionais azulejos portugueses |
Depois da visita aos dois monumentos, atividade que exige caminhadas e gasto de calorias, permita-se encerrar o passeio com um doce: recarregue as energias saboreando pastéis de Belém. Contam que a receita, à base de massa folhada e recheio de creme, foi criada pelos monges dos Jerônimos, mas acabou sendo passada por uma família tradicional portuguesa,que mantém desde 1837 a Pastelaria de Belém. Decorada com azulejos azuis, a casa não fecha as portas e, nos fins de semana, chega a vender 30 mil pastéis. A receita é mantida a sete chaves. Outros portugueses criaram iguarias parecidas, como o pastel de nata, mas pastel de Belém de verdade – dizem – só o da antiga pastelaria, servido com açúcar, canela e, de preferência, acompanhado de vinho do Porto.
|
|
|
Mapa de Portugal |
OUTRAS ATRAÇÕES IMPERDÍVEIS
-
Sintra – Charmosa vila histórica do distrito de Lisboa, onde se come a famosa queijada. Uma das atrações é o Palácio Nacional da Pena (foto). Representa uma das melhores expressões do romantismo arquitetônico do século 19 no mundo
-
Cascais – Chamoso balneário, a 30 minutos de carro de Lisboa. Trata-se de um dos destinos portugueses mais apreciados pelos turistas, devido ao clima ameno, às praias, às paisagens e à oferta hoteleira e gastronômica variada. O local preserva castelos que serviam de residência de verão dos nobres portugueses
|
|
|
Palácio Nacional de Queluz |
Palácio Nacional de Queluz – Construído a partir de 1747, pelo futuro rei dom Pedro III, o palácio era local de realização de festas da família real. A arquitetura segue as rígidas regras do estilo rococó, sendo comparado ao Palácio de Versalhes. Em estilo francês, os jardins com enormes esculturas são o maior atrativo.
* A repórter viajou a convite da Associação Turismo de Lisboa (ATL)
Confira os bastidores da matéria no BLOG DA REDAÇÃO.
|
|
Busca no Portal
|