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LazerCaminho abençoadoAs mineiras Sandra Lanna e Cláudia Innecco andaram 310 km para Santiago de Compostela e a Viver Brasil pegou carona
Texto: Silvânia Arriel | Fotos: Divulgação
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“Começamos a caminhar às 7h. Até as 11h foi tranquilo, temperatura boa, passamos em pequenos vilarejos. Depois foi uma loucura, sol, muito calor, nenhuma árvore. Andamos mais ou menos 26 quilômetros em 7 horas." Sandra Lanna As dificuldades do primeiro dia, o começo de tudo, o cansaço, as bolhas nos pés nessa empreitada, planejada há três anos, depois que a empresária Sandra percorreu a trilha para Machu Picchu e quis mais estrada pela frente. Convenceu a educadora Cláudia, que sempre gostou de caminhar, de aventuras, mas não é ligada a questões místicas. Foi para exercitar-se. “Quando ando, a minha sombra vai o tempo todo na minha frente. É como se eu estivesse me olhando no espelho. Dá para pensar muito. O primeiro dia foi tenso, pensei que não iria aguentar.” Cláudia Innecco Aguentou, continuou a percor- rer, mudou de ideia, diz que nunca rezou tanto neste caminho próprio para introspecção e de paisagens, povos diferentes a dar passagem a dezenas de caminhantes. Jovens, adultos, no mês de férias na Europa, a povoar as trilhas marcadas com setas amarelas, pisadas há 12 séculos. |
“Estamos num lugar que é como se fosse uma cidade fantasma, casas destruídas. Só tem quatro albergues, à altitude de 1.900 metros do nível do mar. Gastamos 9 horas de caminhada para chegar aqui, estava muito quente e foi só subida. Mas o lugar é lindo.” Cláudia Innecco O lugarejo aí é Foncebadón, de três casas de pedra. Quase deserta, se não fossem os peregrinos; fria, num dos cantos do caminho para Santiago. Perto há a cruz de ferro, um dos monumentos mais antigos, onde as pessoas deixam pedras. “Não sei o significado, mas para mim foi como se eu tirasse um peso. Estou leve, adorei. Continuamos a caminhada, muito vento. Passamos em vários povoados, depois começamos a descer. Foi um horror para os joelhos e dedos. Quase 8 horas de descida e chegamos a Molinaseca, onde havia piscinas naturais.” Cláudia Innecco O caminho não se faz só de subi das, descidas. Há florestas de carvahos, campos, matas de eucaliptos, videiras, bodegas de vinho, igrejas. Quase os mesmos peregrinos de cada dia, encontrados nos albergues, hotéis, restaurantes. Conhecidos por mancarem. |
“O tempo aqui é enorme. Vocês nem imaginam como custa a passar. Temos encontrado com alguns brasileiros, é uma delícia, total alegria. Cada dia estou mais tranquila, a expectativa do desconhecido acabou.” Cláudia Innecco Mas o tempo passa, o caminho chega ao final. Não tão cansativo como no início e lá estavam as mineiras em Santiago de Compostela, capital da província da Galícia, no marco zero, um dia antes de 25 de julho, o de são Tiago. A cumprir rituais, a dividir com a multidão a entrada pela porta da indulgência, a queimar as roupas a 90 km dali, em Finisterra, a voltar para o lado de cá perdoadas, a seguir suas vidas em outras vias. “Esqueci até a senha do computador”, diz a educadora. “Fiquei satisfeita comigo, reconheci que sou capaz de fazer qualquer projeto”, afirma a empresária. Há mais estradas pela frente. |
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