Temos problemas, mas eles são resultado do sucesso e não do fracasso.” A afirmação é do presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, e foi feita a empresários e executivos que participaram da 9ª edição do Conexão Empresarial, promovido pela VB Comunicação, com patrocínio da Usiminas e apoio da Anglo American, Embratel e Mascarenhas Barbosa Roscoe. Meirelles referiu-se à falta de mão de obra qualificada, que já atinge vários setores da economia brasileira. Em sua visão, a falta destes profissionais comprova que o país está com ritmo acelerado de crescimento.
Mesmo rodeado de empresários, Meirelles não falou sobre o que 100% deles gostariam de ouvir: redução da taxa básica de juros, a Selic, que é definida mensalmente pelo Banco Central. De acordo com o presidente da instituição, por cumprimento de normas internas, ele não pode falar sobre projeções. “Mas, se tudo (política macroeconômica e desempenho da economia brasileira) continuar como está, o país poderá chegar à taxa de juros de níveis internacionais”, assegurou o presidente do BC, sem se arriscar a dizer um número sequer. Mas ressaltou que é necessário que o país mantenha a atual política de responsabilidade fiscal para que as taxas de juros caiam ainda mais.
Ao falar sobre um dos setores que mais crescem no Brasil, o da construção civil, Henrique Meirelles disse que, ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos, o Brasil não corre o risco de criar bolha de crescimento no setor, pois adota políticas completamente diferentes das norte-americanas para a concessão de crédito. “O segredo para não haver a bolha é não deixar que ocorra aumento excessivo de crédito em relação ao valor do imóvel”, afirmou. Além disso, o presidente do BC disse que o processo de crescimento da construção civil é ancorado pelo aumento da renda das famílias brasileiras e pelo crescimento da economia nacional.
Meirelles falou ainda sobre as mudanças que ocorreram no país e afirmou que, atualmente, no Brasil, discutem-se questões de longo prazo, ao contrário do que ocorria há alguns anos, quando o tema predominante de suas palestras eram as crises econômicas. “Hoje o país está em condições de fazer seu planejamento”, ressaltou. Meirelles lembrou que nem sempre foi assim. Nos anos 80, segundo ele, o Brasil enfrentou crises recorrentes. Na década de 90, os grandes problemas foram o baixo nível das reservas internacionais, dívida pública que chegava a 61% do Produto Interno Bruto (PIB), altíssima taxa de desemprego e salário mínimo de 200 reais, equivalente, na época, a 60 dólares. Problemas que deixaram o país totalmente vulnerável às crises. Meirelles disse que em 2002 a situação começou a ser modificada, por meio de medidas como a realização de pequenas reformas, aplicação de política monetária austera, introdução de combate à alta inflação, severo ajuste fiscal e cumprimento das metas inflacionárias. “Ao mesmo tempo, o Brasil começou a acumular reservas internacionais, o que nos permitiu partir, de maneira mais agressiva, para as políticas de exportação e, com isto, gerarmos saldos comerciais positivos”, afirmou o presidente do BC.
Por último, ao falar sobre sucessão presidencial, Henrique Meirelles apenas disse que os principais concorrentes ao cargo têm condições de conduzir bem o país. “Mas é preciso que mantenham o atual rumo da política econômica do Brasil”.