Quarta, 23 de Maio de 2012
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Especial Estética

Beleza com pressa

Custos menores e recuperação mais rápida fazem Crescer demanda por cirurgia plástica conjugada; médicos aprovam a intervenção, mas alertam para alguns cuidados importantes

Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Pedro Vilela, Alberto Wu, Sergio Amzalak


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Bárbara Sanches: mamoplastia e lipoaspiração

Com uma média a­nual de 600 mil ci­rurgias plásticas por ano e quase duas mil por dia no país, não é incomum um paciente adentrar o consultório médico com o desejo de realizar mais de um procedimento no mesmo dia. Especialistas não veem mal algum na prática, mas é preciso tomar alguns cuidados para diminuir os riscos e aumentar a chance de sucesso nessas intervenções associadas, cada vez mais comuns em Minas Gerais. Nos próximos meses, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e o Conselho Federal de Medicina finalizarão a elaboração de um check list de segurança, que será balizado por especialistas na 15ª Jornada de Cirurgia Plástica, realizada em outubro, em Belo Horizonte. A ideia sobre o documento, que já é adotado em vários países, é traçar protocolos de procedimentos que deverão ser adotados desde as primeiras consultas até o pós-operatório do paciente.

Na prática, esse check list vai homogeneizar uma prática que é seguida por grande parte dos especialistas. É o caso do cirurgião plástico Ronan Horta que segue uma tríade infalível nas cirurgias conjugadas realizadas por ele. A equipe completa, bem constituída e entrosada é um dos critérios fundamentais para o sucesso, mas fatores como o estado geral físico e psicológico do paciente; assim como uma excelente infraestrutura hospitalar também têm o mesmo peso. “O êxito acontecerá com a conjugação desses fatores”, avisa.


Ronan Horta: “É essencial que pacientes não neguem informações”
Ronan Horta: “É essencial que pacientes não neguem informações”

É preciso, no entanto, estar atento de que só vale fazer uma cirurgia plástica conjugada para determinadas especialidades. O importante é que essas cirurgias durem entre uma e quatro horas. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) – Regional Minas Gerais, Eduardo Nigri, o tempo é primordial na cirurgia conjugada. Quanto maior a duração da intervenção, maior o risco. O ideal, segundo ele, é não ultrapassar quatro horas. Tudo para evitar problemas como hipotermia, desidratação, possibilidade de infecção por causa da exposição, espoliação. “Isso não quer di­zer que a cirurgia plástica seja feita com pressa, mas com responsabilidade, com boa avaliação, sempre com segurança”, afirma.
 

Eduardo Nigri: tempo é primordial na cirurgia conjugada
Eduardo Nigri: tempo é primordial na cirurgia conjugada

Se o Brasil hoje é o segundo colocado no ran­king mundial de cirurgias plásticas – perde apenas para os Estados Unidos –, a agitação e compromissos da vida moderna são fatores que estão levando os pacientes a não quererem perder tempo, por isso a escolha da cirurgia associada. Segundo o presidente nacional da SBCP, Sebastião Nelson Edy Guerra, outro fator importante para essa procura seriam a evolução das técnicas e o controle dos riscos de complicações. “Os resultados das cirurgias associadas somam, proporcionando maior satisfação ao paciente. Neste tipo de procedimento, o que seria resolvido em vários tempos cirúrgicos, se reduz na maioria das vezes em apenas um ato”, afirma. Guerra observa, no entanto, que é preciso levar em conta se a somatória das cirurgias associadas não comprometerá o paciente, colocando em risco sua recuperação e vida. “É importante ressaltar que essas intervenções requerem, também, maior habilidade e experiência da equipe em geral”.

Os fatores positivos da cirurgia associada são, além da recuperação única, o fato de o paciente passar somente por um estresse físico e emocional, há diminuição no custo total da intervenção, já que haverá uma internação, uma equipe médica e o tempo de recuperação também será menor do que se as cirurgias fossem realizadas em mo­mentos diferentes.

Maria Cristina Portela: “É um sacrifício que compensa”
Maria Cristina Portela: “É um sacrifício que compensa”

Independentemente de conjugada ou única, a cirurgia plástica, segundo Ronan Horta, de­ve sempre ser orientada por uma relação franca entre paciente e seu médico. “Se houver dúvida, o melhor a fazer é orientar-se com outro profissional, que pode ser o médico da família ou algum outro de confiança”, diz. E isso implica, segundo Horta, barrar cirurgias em pacientes que tomam pílulas anticoncepcionais, pelo risco da tromboembolia, e aqueles que fumam, já que a nicotina faz com que os vasos sanguíneos se contraiam ou se comprimam, o que reduz o fluxo de sangue, influenciando nas complicações pós-operatórias. “É essencial que o paciente não negue nenhuma informação ao médico porque disso vai depender o sucesso na cirurgia e sua recuperação”, adverte.
 

Sebastião Nelson: “Essas intervenções requerem maior habilidade”
Sebastião Nelson: “Essas intervenções requerem maior habilidade”

FRASE

“Fiquei muito satisfeita
de poder fazer uma mamoplastia conjugada
com uma lipo, tudo de uma só vez”
Maria Cristina

A fotógrafa Maria Cristina Portella, 51, seguiu todas essas recomendações. Ela fez uma mamoplastia conjugada com uma lipo há 30 dias. Está impressionada com a sua recuperação e com o fato de não precisar esperar meses entre uma cirurgia para fazer outra intervenção. “Fiquei muito satisfeita de poder fazer tudo de uma só vez”, diz. Maria Cristina conta que não teve medo, mas preferiu esconder da mãe a internação para não preocupá-la. Só no dia seguinte, falou que além da mamoplastia também havia feito a lipo. Diz que tamanha leveza para tratar a cirurgia foi graças ao médico e sua equipe, que transmitiram segurança, comprometimento primordiais para enfrentar todo o pré e pós-operatório. “Lógico que onde fiz a lipo está um pouco dolorido, mas está muito confortável, é um sacrifício que compensa”, reflete.

A história que resultou na cirurgia plástica conjugada de Maria Cristina é no mínimo curiosa. A princípio, ela foi acompanhar a irmã em uma consulta com o médico. De acompanhante passou a paciente em potencial e acabou por fazer a cirurgia antes da irmã. Ela sentia-se incomodada em usar coletes e camisas abertas para esconder partes do corpo que não gostava. Agora, diz que nada supera o fator da autoestima elevada. “A satisfação que estou sentindo é algo que não tem palavras”.

Não foi bem uma indicação, mas o fato de a amiga Bruna Andréa de Barros Silva, 23, ter feito uma cirurgia plástica conjugada dois meses antes, foi fundamental para que a estudante de direito Bárbara Coelho Sanches, 22 anos, se sentisse mais segura e animada para sua cirurgia. Há 28 dias, Bárbara passou por uma intervenção conjugada de mamoplastia de redução e lipoaspiração no abdômen. Seguiu direitinho as orientações médicas. A ma­­moplastia de redução era uma questão de saúde, que estava influenciando negativamente em sua coluna. A lipo na barriga foi uma sugestão dela, acatada pelo médico. Não-fumante, com peso ideal para a cirurgia, Bárbara afirma que não saiu com nenhum hematoma do hospital e não inchou. “Estou ótima”, diz.

FRASE

“É preciso buscar a cirurgia
plástica quando a vida estiver equilibrada”
Ronan Horta

A estudante conta que propôs ao médico em uma das consultas a colocação de próteses de silicone nos seios, por medo de eles não ficarem como desejava. “Ele achou um absurdo e me disse não. O argumento era de que para que o seio ficasse com aquele formato redondo de silicone, seria preciso uma retirada maior. O problema era dar algum tipo de rejeição e de não adaptação ao silicone depois da cirurgia. Fui convencida”.
A cirurgia da amiga Bruna Andréa foi maior. Ela fez mamoplastia, otoplastia, lipoaspiração nos flancos e bioplastia dos glúteos. A cirurgia durou menos que quatro horas. O que mais a incomodava eram as orelhas de abano. A lipoaspiração e a mamoplastia de aumento foram ocasionadas pelo fato de que depois da gravidez sentiu que os flancos estavam um pouco maiores e os seios haviam diminuído. “Meu pós-operatório foi perfeito. Uma semana depois da cirurgia já estava fazendo minhas atividades. A única coisa que doía mais e até hoje incomoda, é a orelha. É uma parte muito sensível, péssima para dormir”, reclama.

Bruna também avisa que os gastos com a cirurgia não terminam depois da alta hospitalar. “É preciso um cuidado com massagens, cremes, que aumentam em muito o custo total da intervenção”, avisa a estudante, que colocou na ponta do lápis o gasto que teria se tivesse feito todas as cirurgias separadamente. A economia foi de 25% com a intervenção conjugada.

O especialista Ronan Horta afirma que o melhor momento para se fazer uma plástica é quando o paciente está equilibrado, tanto emocional quanto fisicamente. Por mais difícil que seja, e por mais fragilizado que esteja, a pessoa deve evitar cirurgias quando estiver passando por estresses ocasionados por perdas, divórcios, em puerpério imediato ou na tentativa de perder peso pela cirurgia. “É preciso buscar a cirurgia plástica quando a vida estiver equilibrada. Um paciente emocionalmente fragilizado terá mais propensões a infecções e a insucessos”, afirma.

O que deve-se levar em conta

- Tempo de cirurgia – o ideal é que dure menos horas possível. Quanto maior o tempo em que o paciente ficar no bloco cirúrgico, maior a chance de complicações

- Equipe médica completa e especializada

- Estado geral do paciente

- Infraestrutura hospitalar

PLÁSTICA CONJUGADA: A BUSCA DA PERFEIÇÃO

Algumas das cirurgias conjugadas que podem ser feitas:

- Face com pálpebra e rinoplastia pequena

- Face e pálpebra

- Abdominoplastia com lipoaspiração de flancos

- Mamoplastia redutora com abdominoplastia

- Lipoaspiração com mamoplastia de pouco volume

Vantagens da cirurgia conjugada

- Um único estresse físico e emocional no pré e pós-operatório
- Pode haver uma redução entre 15% e 20% do preço das cirurgias plásticas conjugadas
- Uma recuperação só
- Uma única anestesia e período de internação, que diminuem custos hospitalares


 
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