Quarta, 23 de Maio de 2012
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Cultura

Arte ao alcance de todos

FIT encerra 10⁰ edição com nova identidade e balanço extremamente positivo: foi considerado, por muitos, o melhor festival realizado até aqui

Texto: Nayara menezes | Fotos: Nathália Tucheti


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PRAÇA SETE: palco para contemplar a cidade

 

Uma noiva desce por uma corda do nono andar de um alto edifício do centro da cidade. De outro prédio, um homem vestido de terno e gravata também chega ao chão pendurado de cabeça para baixo. Uma multidão se aglomera para ver a curiosa cena. Trata-se da abertura Das Saborosas Aventuras de Dom Quixote, um dos espetáculos de rua que fizeram parte da 10a edição do Festival Internacional de Teatro, realizado em agosto. A peça mencionada foi uma entre várias que a população belo-horizontina teve a oportunidade de assistir durante os 11 dias em que durou o FIT 2010. Este ano o festival ganhou nova cara. Aproximou-se do povo, das pessoas que não são frequentadoras assíduas do teatro. Os espetáculos de rua e várias intervenções proporcionaram diversão e cultura pelos quatro cantos da cidade.

Na plateia composta por transeuntes de rua não era raro ver o encantamento das pessoas. Olhos brilhantes, bocas abertas e muitos aplausos. Para o prefeito Marcio Lacerda, a proposta do FIT deste ano foi sintonizada com uma das princi- pais metas do programa de governo de Belo Horizonte, que é levar a arte e a cultura a todas as regiões da cidade. “Foi muito bom ver as apresentações ocupando os nossos centros culturais, a rodoviária, a praça Sete e as ruas da cidade. É de fundamental importância na construção da nossa identidade e da própria cidadania democratizar o acesso à arte e à cultura”, diz Lacerda. Para o presidente do conselho curador da Fundação de Cultura, Rinaldo Soares, o grande mérito dessa edição foi realmente a ocupação de todos os espaços da cidade, com a disseminação da cultura por todas as classes. “Pela primeira vez o público C e D foi amplamente contemplado. O FIT levou arte a pessoas que raramente têm acesso”.


Márcio Lacerda com Sérgio Mamberti
Márcio Lacerda com Sérgio Mamberti

 

Outra novidade desta edição foram as obras de arte ao ar livre idealizadas pelo cenógrafo Paulo Pederneiras, que também aproximou o povo da arte. O diretor artístico do Grupo Corpo criou instalações urbanas em dois dos principais pontos de circulação de pessoas da capital mineira: a praça Sete, no centro, e a avenida Getúlio Vargas, na Savassi. As vias foram pintadas de vermelho chamando a atenção de todos para a realização do FIT. No centro das praças foram colocadas arquibancadas como um convite para que os mo- radores contemplassem a paisagem urbana de Belo Horizonte. As obras chamaram a atenção de todos que passaram pelos dois movimentados pontos da cidade.

Pederneiras explica que a intenção foi despertar a sensibilidade das pessoas para cenários aparentemente comuns, rotineiros. “Parar para observar a cidade causa certa estranheza, porque as pessoas nunca têm tempo para fazer isso. Com essa obra, as pessoas puderam olhar a mesma coisa de outra maneira, de outro ponto de vista”, explica.

ESPETÁCULO NA RUA: aproximação com pessoas de todas as classes
ESPETÁCULO NA RUA: aproximação com pessoas de todas as classes

Além da extensa grade de espetáculos, que somou 101 espetáculos, o público contou ainda com a programação de eventos especiais, como exposições, debates, workshops e outras atividades, como destaca a presidente da Fundação de Cultura de Belo Horizonte, Thaís Pimentel. Na opinião dela, duas oficinas mereceram destaque este ano. A primeira, coordenada pelo fotógrafo e professor Eugênio Sávio, reuniu fotógrafos amadores, estudantes e profissionais para produzir fotos inusitadas do FIT. “Foi muito interessante o material produzido, fotos que fogem totalmente do olhar institucional”, comenta Thaís.

A segunda oficina destacada pela presidente da Fundação de Cultura foi dirigida pela arquiteta Mariza Machado Coelho e voltada para arquitetos. O grupo ficou encarregado de elaborar um projeto que destaque os teatros e centros culturais no ambiente urba- no. “A proposta é que eles pensem em formas de iluminação e sinalização que faça com que a população veja mais facilmente esses espaços.”

E as atividades do FIT não param por aí. Já está agendado para o mês de outubro um seminário que avaliará todas as mudanças e novidades da 10a edição e discutir o formato do FIT 2011. Para a presidente da Fundação Clóvis Salgado, Eliane Parreiras, o evento é imprescindível para que se avalie os resultados obtidos e se pense no desenho do próximo. “O formato tradicional dos festivais é uma coisa que precisa ser repensada, não só aqui, mas no mundo inteiro. Acho que este ano o acerto maior foi mexer nesse for- mato. Mas é preciso debater com a co- munidade artística e a sociedade civil para encontramos o melhor formato para os próximos anos”, diz Eliane.


 
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