O governador Antonio Anastasia está pagando um preço caro por permitir que a sua campanha eleitoral saísse às ruas com tanto atraso. A menos de 50 dias das eleições, e já há seis meses no exercício do cargo em substituição ao ex-governador Aécio Neves, que renunciou para disputar o Senado, Anastasia ainda é desconhecido de mais da metade dos 14,5 milhões de eleitores do estado. Isso é bom e ruim, depende de onde se olha. Mas certamente não é bom estar sempre atrás nas pesquisas e torcendo para que o adversário não desapareça na curva, como tem ameaçado o senador Hélio Costa, da coligação PMDB-PT-PC do B. É verdade que a diferença entre eles, e sempre favorável ao senador, já foi maior, mas ainda é incômoda para Anastasia, em torno de 20 pontos, a menos de 50 dias da eleição.
A aposta do governador, tido no início como favorito na disputa, é a propaganda eleitoral gratuita. A coordenação da campanha põe fé não apenas na qualidade da propaganda como na sua capacidade de fazer com que Anastasia seja finalmente conhecido do grande público. De fato, a televisão é o grande agente da comunicação nas campanhas eleitorais. Pesquisa do Datafolha mostra que nada menos de 65% dos eleitores se informam ou buscam orientação sobre os candidatos na televisão e 12% o fazem pelos jornais e a internet, enquanto o rádio fica em terceiro lugar.
Curiosamente um pouco acima das conversas entre amigos e familiares (6%).
De forma que nesse ponto Anastasia tem razão em apostar na televisão. Mas poderia depender menos da TV se tivesse sido lançado candidato há mais tempo e começado a rodar o interior do estado na companhia do ex-governador Aécio Neves, que na primeira rodada de pesquisas já apareceu com mais de 60% de intenção de votos para o Senado. Cada um tem seu jeito de fazer política, claro, mas o presidente Lula não fez o que Aécio fez e assim que se definiu pela ex-ministra Dilma Rousseff, tão ou mais desconhecida do que Anastasia, tratou de sair com ela pelo país afora, colocando-a sob a exposição da mídia. Não deu outra. Mesmo recebendo forte ataque dos jornais alinhados com a oposição, sobretudo paulistas e cariocas, Dilma saiu do zero e chega nessa fase da campanha já na frente de José Serra.
Há tempo para a reação? Claro que há. O governador Anastasia não conta apenas com a televisão para se tornar conhecido. Com ele estão mais de 600 prefeitos e um elenco de deputados, federais e estaduais, de fazer inveja. É evidente que não se pode confiar muito na lealdade do mundo político até porque nessa área há uma lei irrevogável: é a sobrevivência no meio que determina o comportamento. De sorte que esse contingente, sólido no princípio, costuma rachar quando os números mudam e o vento vira. O desafio de Anastasia é chegar ao final do mês encostado em Hélio Costa. Se isso acontecer, será mantido o otimismo da campanha. Caso contrário, dá-se a senha para a debandada e aí dificilmente a televisão poderá funcionar como elemento de mudança do quadro. Hélio Costa sabe disso e também investe na televisão para se manter na frente.
Não foi por outra razão que ele trouxe para orientar sua campanha o bruxo Duda Mendonça, o mesmo que quebrou o jejum de três eleições do presidente Lula. De sorte que essa última quinzena de agosto, o mês dos desgostos, pode ser decisiva para a sucessão em Minas.