Enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estima um crescimento de 6,5 a 7% da economia brasileira em 2010, empresas mineiras que atuam no setor de rastreamento de veículos e monitoramento operacional de equipamentos via satélite estimam um aumento de 40 a 50% no faturamento, em relação a 2009. A projeção otimista deve-se a diversos fatores como a busca de cidadãos comuns por novos dispositivos de segurança em razão da escalada da violência, e a preocupação das empresas em reduzir o custo e ter maior controle de suas operações.
Exemplo disso é a By Sat, que começou suas atividades há dez anos apostando no segmento de segurança. Ao longo dos anos, a empresa percebeu que, utilizando quase os mesmos equipamentos, era possível monitorar bens remotos e decidiu investir no novo filão. A empreitada deu certo e, hoje, a By Sat é focada, principalmente, na otimização do uso de frotas.
Foi assim que a empresa passou a gerenciar, por exemplo, a entrega de cimento da Camargo Corrêa Cimentos, a operar a central de logística da V&M do Brasil, a responder pela coleta de resíduos sólidos no Rio de Janeiro e a atuar em áreas como a de colheita e carregamento florestal e também a agrícola, por meio da cadeia da madeira e da cana de açúcar.
De acordo com o presidente da By Sat, Horácio Rabelo Pereira, hoje, a empresa tem seis mil pontos de monitoramento. No ano passado, a receita da companhia foi de 7,5 milhões de reais e, segundo ele, a previsão é aumentar o faturamento entre 40 e 50% nos próximos dois anos.
A possibilidade de customizar o software responsável pela gerência remota de bens de acordo com as necessidades de cada cliente é um dos motivos apontados pelo executivo pelo aumento da demanda desse tipo de serviço. “Para 2011, estamos trabalhando para aprimorar a questão da automação industrial e temos uma área de desenvolvimento de hardware. Também projetamos um crescimento na parte de roteirização urbana, na industrial e ainda na florestal e agrícola”, informa Pereira.
Outra empresa que atua nesse segmento desde 2006 e também tem previsões otimistas para 2010 é a Sat Plus. No último mês de julho, a organização inaugurou uma sede de 200 m2 em Belo Horizonte. O diretor administrativo-operacional da companhia, Sávio Gonçalves Vieira Silvério, anuncia que a expectativa é fechar este ano com um aumento de 40% no faturamento frente a 2009, quando a receita foi de 5 milhões de reais. Silvério credita o aumento estimado à aquisição de três novas carteiras de clientes e também à elevação no número de pessoas físicas que desejam adquirir esse tipo de equipamento.
Ao contrário da By Sat, a Sat Plus quer ampliar essa fatia da clientela. Só no primeiro semestre deste ano, a demanda de pessoas físicas por esses serviços aumentou cerca de 50%. Silvério explica que isso se deve ao fato de o monitoramento veicular via satélite estar cada vez mais acessível. Atualmente, o custo do serviço é a partir de 900 reais, sendo 300 reais de instalação/locação do equipamento e mais 80 reais por mês, durante um ano. “As empresas nos procuram pensando em logística, controle, gestão e segurança. E as pessoas físicas estão em busca de mais segurança”, conclui.
Já no segmento empresarial, a Sat Plus também aposta na diversificação e na personalização do software de acordo com o objetivo proposto. Este pode variar desde o controle de temperatura de baú para frigoríficos passando pela abertura de portas para seguradoras, até a geração de relatórios gráficos de desempenho do condutor, entre outros. Segundo Nogueira, esses serviços significam economia de tempo e dinheiro e, em razão disso, esse nicho de mercado tem crescido cerca de 30% ao mês. Atualmente, a empresa faz o rastreamento de cinco mil itens, entre veículos e outros equipamentos.
Quem também está com expectativas positivas é a Brasil Track. Inaugurada em 2003, há quatro meses a empresa realizou uma fusão com a Logus, seguradora de Campinas especializada no segmento de transporte, mas que atua em todas as áreas de corretagem de seguros. Com a operação, a Brasil Track pretende aumentar sua carteira. “Trabalhamos com gerenciamento de risco e todos os clientes da Logus que possuem seguro de transporte são potenciais clientes nossos”, afirma Gustavo Castro, diretor da empresa.
Com a fusão, o foco da Brasil Track é ampliar sua atuação no Sudeste e também no Nordeste, áreas em que a Logus tem forte atuação. Hoje, a empresa tem sede na capital mineira, filiais em Recife e Salvador e está montando unidades em Fortaleza (CE), Campinas (SP), Montes Claros, Formiga, Itaú de Minas, Juiz de Fora e Governador Valadares. A empresa conta hoje com 1,3 mil clientes entre pessoas jurídicas e físicas, que possuem desde um veículo a grandes frotas. Pelo jeito, os bons ventos devem continuar a soprar no setor.