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DiversãoA Rua é de PraxeApós o acidente que vitimou Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, no Rio, fomos às ruas de Belo Horizonte saber onde os skatistas praticam o esporte na cidade. A conclusão foi a de que, por falta de locais adequados, o perigo no asfalto é iminente
Texto: Cláudia Rezende | Fotos: Pedro Vilela, Sergio Amzalak, SXC
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Não existe um cadastro completo das pistas de skate de Belo Horizonte. A Secretaria Municipal de 8 A do Parque das Mangabeiras, no Centro-Sul da cidade, é uma das mais novas e frequentadas da capital. Lá, encontra-se diversidade de skatistas – desde os pequeninos que vão com as mães até dultos, passando por adolescentes. Um deles é Erik Jorge Rios Cruz, 13 anos, na pista com o amigo Andrews Bettcher. Os dois estavam devidamente equipados, com capacete, joelheiras e cotoveleiras, para atravessar as rampas e banks da pista, mas não é sempre assim. |
“Na rua, eu não ando com acessório (de segurança) de jeito nenhum”, revela Érik, que tenta justificar por quê. “Não sei explicar, mas não vou por nada.” O amigo também não gostava de usar o equipamento, mas mudou de ideia. “Eu uso desde que eu caí no asfalto e quase rachei a cabeça”, diz Andrews. Ele também já passou por outra experiência ruim. “Uma vez o carro atropelou o meu pé quando eu estava remando com o skate. O motorista parou, mas eu não quis ir ao hospital. Doeu um pouco”, conta. Apesar dos riscos que sabem que correm, os dois adolescentes contam que gostam de andar na rua. “A pista aqui é muito longe da minha casa”, diz Érik, que mora na Pampulha. Para Andrews, que vive na região Noroeste, as pistas também ficam distantes. Ele conta que, para ir às áreas apropriadas, atravessa a avenida Pedro II remando, ou seja, levando o skate com um pé sobre ele e outro no asfalto, dando impulso. Na rua, dizem, qualquer lugar é bom para praticar o esporte. Victor Lobo Miranda, 15 anos, que pratica há cerca de um ano diz que gosta mais da modalidade downhill, aquela em que os skatistas descem ladeiras. Na rua, os locais que mais gosta para andar são vias na serra do Rola Moça, avenida Bandeirantes e Alphaville (Nova Lima). “É perigoso, mas é só tomar cuidado. Os streeteiros não gostam muito de usar os equipamentos porque eles incomodam”, afirma. Quanto a acidentes com os aventureiros, não existe registro de número de casos na BHTrans nem na Polícia Militar. |
É possível vê-los andando de skate nas principais avenidas, como Afonso Pena, Pedro II, Tereza Cristina, Nossa Senhora do Carmo – que, aliás, fica próxima de um reduto de skates por causa da pista particular na rua Grão Mogol, a Blunt – ou em praças. A preferida dos skatistas é a praça 7, principalmente à noite. A área é um dos pontos preferidos do skatista Flávio Gomes, 32 anos, o Truta NZ. Ele conta que vai sempre nas noites de terça e quinta-feira, depois que o comércio fecha. “Fico até mais ou menos meia-noite ou até a hora que eu aguentar.” Outra praça procurada pelos skatistas é a Hugo Werneck, na área hospitalar, região Leste da cidade. Praticante do skate por amor, como diz, Flávio acredita que Belo Horizonte ainda é muito carente de espaços adequados. Ele já se envolveu em várias mobilizações para construção de áreas para os praticantes – uma delas foi a do parque das Mangabeiras. Hoje, defende a criação de pista embaixo do viaduto de Santa Tereza, na região central. “Deveria ter pelo menos umas quatro em cada regional da cidade. É até uma forma de lazer para a galera, de prevenção da criminalidade”, acredita. Para Flávio, a cidade está em alta com skate, com cerca de mil praticantes. Ele até organiza eventos, como o que vai ocorrer no dia 26 de setembro, o Campeonato de Bowl Jam Sessions Bank Mangabeiras, dentro do parque. |
Mesmo tendo poucas opções em Belo Horizonte para o skate – oito parques, avenidas e uma pista particular –, quem é veterano não abre mão de praticar em locais apropriados. É o caso de Cléber Estevam, 33 anos, o Cléber Bicho. Ele é profissional e anda de skate há 23 anos. “Acho rua muito perigoso. Você tem de disputar espaço com carro. Mas tem muita gente que prefere a rua. Geralmente, quem vai para a rua não gosta de usar os acessórios”. Um dos locais preferidos de Cléber para a prática, além da pista que mantém em casa, é o bowl do Anchieta, que fica dentro do parque Julien Rien. A pista é adequada para a modalidade vertical, da qual ele participa, já que é possível fazer manobras de 90 graus. Também profissional, Cleiber Alessandro Silva, 37 anos, o Bin, lamenta a falta de incentivos no Brasil. “Apesar de ser esporte que está crescendo, a prática é baixa porque falta incentivo”, diz. Como praticante da modalidade vertical, ele costuma ir ao bowl do Anchieta, que, afirma, é o único espaço adequado para a categoria na cidade. Às vezes, anda na rua, mas não gosta muito por ser adequada para outra modalidade, o street. “Todas as ruas são boas para andar de skate. Nas planas, dá para fazer manobras.” Apesar de ser o espaço voltado para uma categoria específica de skatismo, a rua é um lugar impensável para os filhos, na opinião das mães. Uma delas é a socióloga Dalma Veiga Araújo, que incentiva o filho João, 8 anos, na prática do esporte e o leva para andar no parque das Mangabeiras, sempre com os equipamentos de segurança. E na rua, você deixaria ele andar? Antes de a pergunta ser concluída, um não enfático. “Não deixaria. Ele mesmo não tem vontade de andar na rua. Deixei-o ver a reportagem sobre o acidente (que matou Rafael Mascarenhas). Acho perigoso”, diz. João demonstra não querer se arriscar na rua. “Passou no jornal o menino que foi atropelado”, diz. |
MODALIDADES
STREET
VERTICAL
BANKS
MINI-RAMP
FREESTYLE
DOWNHILL-SPEED
DOWNHILL-SLIDE
SLALON
LONGBOARD
MOUNTAINBOARD |
DADOS DO ESPORTE
Fonte: Confederação Brasileira de Skate (CBSK) |
Para andar de skatePúblicas
Na rua
Fonte: Fundação de Parques Municipais e skatistas |