Quinta, 09 de Fevereiro de 2012
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Artigo

Lições da Copa

Talvez por isso a visível irritação e o evidente descontrole de Dunga no jogo contra a Holanda. Tombar aí significava que a teoria de que vale mais o futebol de resultados do que o futebol arte ia por terra abaixo

Texto: Paulo Paiva
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Paulo Paiva -

Rei morto rei posto. Terminada a Copa do Mundo da África do Sul, a vitória da Espanha já faz parte do passado e todos os olhares se voltam para o Brasil, sede da próxima competição em 2014. Mas é bom ver quais as lições que ficaram de 2010.

Depois do fracasso de 2006 na Alemanha, a CBF optou por uma mudança profunda de comportamento chamando Dunga para liderá-la. Mas qual foi o resultado? O Brasil parou nas quartas de finais. Interessante que foi aí que ficou a seleção de Telê Santana, nos anos oitenta, tão decantada pelo seu futebol arte. Foi aí também que tombou a seleção de Carlos Alberto Parreira, tão criticada pelos excessos extracampo de seus jogadores em 2006. Enfim, é aí que chegam as melhores seleções do mundo, quando não estão prontas para as finais. Explico-me. A forma adotada pela Fifa na organização dos grupos para a fase eliminatória baseia-se na história das seleções e na sua classificação no ranking mundial. As melhores, por sua trajetória passada e mais bem pontuadas naquele ranking, são as cabeças-de-chave. Depois as outras são pré-arranjadas em subgrupos, conforme o mesmo critério. Assim, em geral, passam para as oitavas de final as melhores e é nessa fase que ocorrem as chamadas zebras. Este ano, Itália e França ficaram aí, exceções que confirmam a regra. Nas oitavas de finais as primeiras colocadas na fase eliminatória jogam com as segundas colocadas.Via de regra, é uma extensão da fase anterior. Assim, é nas quartas de finais que as principais seleções começam seus confrontos diretos. É a partir daí que a Copa começa para valer para os grandes. Parar aí é um enorme feito para as seleções de Gana e do Chile, mas uma derrota para seleções como a do Brasil, da Argentina, da Alemanha, por exemplo.

Talvez por isso a visível irritação e o evidente descontrole de Dunga no jogo contra a Holanda. Tombar aí significava que a teoria de que vale mais o futebol de resultados, do que o futebol arte ia por terra abaixo. Tombar aí significava que atitudes aparentemente autoritárias de prender os jogadores na concentração sem acesso ao mundo exterior e de confrontar a imprensa não ajudavam em nada. A era Dunga parou onde pararam todos as outras seleções no passado. Nada de novo. A escolha fracassou.

Do lado vitorioso apareceu a Espanha, cuja vitória não era surpresa para os que acompanham o futebol europeu. A seleção espanhola já havia conquistado a Eurocopa em 2008 e seus jogadores participaram de campanhas vitoriosas nas seleções de base.

Por exemplo, a Espanha foi campeã mundial sub-20 em 1999 e venceu a Eurocopa sub-21 em 1986 e 1988, a sub-19 em 2002, 2004, 2006 e 2007 e a sub-17 em 2007 e 2008.

Ademais o campeonato espanhol de futebol profissional é muito bem organizado onde jogam vários dos melhores jogadores do mundo, sem excluir a participação dos próprios espanhóis.

Certamente aí esteja a lição: planejamento para a vitória exige visão de longo prazo, boa organização administrativa e cuidado com a formação dos atletas desde o início da carreira. Essas lições o Brasil precisa conhecer e aprender se pretende em 2014, aqui em casa, chegar à final. Cuidado com o fantasma do maracanazo.

 
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