Não era para ser assim. Pelo menos é o que estão mostrando as primeiras semanas da campanha eleitoral. De fato, a candidatura do senador peemedebista Hélio Costa, impulsionada pela coligação com o PT e o PC do B, não parece tão fácil assim, como imaginavam os tucanos e seus aliados. Hélio Costa tem batido o seu oponente Antonio Anastasia por até 26 pontos de frente nas pesquisas eleitorais. E com essa, certamente, os tucanos não contavam. Com efeito, quando da escolha dos candidatos, houve tucano que até pedia para que o candidato do campo adversário fosse o então ministro Hélio Costa. “Pra nós será mais fácil”, diziam tanto no PSDB como no Democratas, temerosos todos de uma chapa encabeçada pelo ex-prefeito Fernando Pimentel, até então tido como o principal oponente de Anastasia. Se Hélio Costa era desejado, o também então ministro Patrus Ananias nem era citado. Hélio fez o que pareceu impossível.
Engolindo cobras e lagartos, mas com o decisivo apoio do PMDB nacional, Hélio Costa conseguiu remover Pimentel da cabeça de chapa e posteriormente convencer Patrus Ananias a ser o seu vice – coisa também tida como inimaginável. E aí deu-se o que nenhum tucano previu: Hélio Costa, considerado também como bom de partida, mas ruim de chegada, logo saiu na frente, graças evidentemente à boa lembrança de seu nome pelos eleitores e ao empenho pessoal da ex-ministra Dilma Rousseff, que enquadrou o PT mineiro, sobretudo seu amigo Pimentel. É óbvio que isso não quer dizer que a eleição está decidida. O que o momento mostra é a vantagem de Hélio Costa e a atonicidade do PSDB que acabou cometendo um erro de avaliação e outro tático. O primeiro ao não levar a candidatura de Hélio Costa na devida conta e o segundo ao atrasar-se na decolagem da campanha, seguindo-se outro erro: o de centralizar toda a mobilização na estratégia e na figura do ex-governador Aécio Neves. De fato, Aécio é o grande nome da campanha tucana. Mas não é o único. Assim, mesmo já tendo Anastasia como escolhido, o PSDB ficou esperando a definição de Aécio – se seria candidato à Presidência ou à vice – enquanto Hélio Costa cumpria expediente até quinta-feira em Brasília e passava o fim de semana percorrendo o interior de Minas. Resultado: quando as duas campanhas foram para a rua, a de Hélio Costa saiu na frente, mas muito na frente, enquanto a de Anastasia se arrastava atrás da campanha de Aécio para senador.
Hélio Costa, no entanto, deve saber avaliar bem esse quadro que lhe é vantajoso no momento. A primeira constatação é de que não deve considerar como definitivo o baixo desempenho de Anastasia nas pesquisas. A segunda é de que não pode se descuidar, porque essa diferença entre os dois é factual. O governador, quer o peemedebista goste ou não, tem muita lenha para queimar e não ficar empacado nos 20 pontos que tem até aqui, em média. Da mesma forma, Anastasia não deve continuar com a avaliação de que seu adversário é bom de largada, mas ruim de chegada. É bom atentar para o efeito do fenômeno Lula na campanha. Já tendo colocado Dilma Rousseff onde ninguém esperava que pudesse, Lula vai impulsionar também as candidaturas estaduais afinadas com o seu projeto de governo, como é o caso de Hélio Costa, em Minas. Se isso acontecer, isto é, se o presidente se envolver um pouco mais na campanha de Dilma em Minas, o governador Antonio Anastasia passará por maus momentos, mesmo que Aécio mude a sua estratégia e passe a trabalhar mais em favor de seu candidato.