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Turismo
Viagem no Trem Azul
Nossa repórter experimentou toda a sofisticação e mordomia em 27 horas de percurso entre a Cidade do Cabo e Pretória, na África do Sul
Texto: Nayara Menezes | Fotos: Nayara Menezes
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 Nada de monotonia: cenários variados ao longo de todo percurso
Uma viagem em um dos mais luxuosos trens do mundo pelo país marcado pelos contrastes. O Blue Train, ou Trem Azul, na tradução para o português é uma experiência singular aqui na África do Sul. São várias as rotas percorridas e diversos os cenários a serem apreciados. O roteiro escolhido foi um dos mais convencionais – o trecho que liga a Cidade do Cabo a Pretória. A viagem dura aproximadamente 27 horas. Ao longo do percurso muito luxo e sofisticação.
A partida é da estação de trem de Cape Town. É lá onde milhares de trabalhadores pegam o trem comum para seguir a labuta diariamente. Eu mesma já o utilizei bastante por aqui. Mas dessa vez foi bem diferente. Nada que se compare às experiências anteriores. A começar pela recepção. Às 8h30, horário marcado para o check in, lá estava eu no lounge de recepção do Blue Train. Uma bonita sala que destoa da estação de trem dos trabalhadores. É como achar um pontinho de diamante em meio a uma terra árida. A cortesia nesse oásis começa logo cedo. Somos recebidos com café, chá e canapés. Nesse momento um dos funcionários explica pacientemente a cada um dos passageiros qual é a programação do dia.
Às 10h o Trem Azul parte da estação rumo ao seu destino. E logo vem a primeira agradável surpresa. Lá estava o gentil Albert, que seria o meu mordomo durante a viagem. É isso mesmo, cada hóspede conta com um, que está ali para atender a todas as necessidades e desejos do cliente. Muito simpático e discreto, é ele quem me mostra o funcionamento da minha charmosa suíte. As persianas são ativadas com controle remoto, assim como a temperatura do aquecedor, que pode ser regulado em cada ambiente. Pela televisão, podemos assistir a filmes, notícias ou acompanhar a rota do trem, por meio de uma câmera instalada na cabine do motorista.
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A bordo: ambientação e serviço de hotel cinco estrelas |
A beleza e o luxo do trem impressionam. Em madeira italiana,com detalhes em metal dourado nos corrimões, quadros na parede e carpete no chão, o ambiente lembra o de um hotel 5 estrelas. Em cima da mesa do quarto, um prato com frutas cuidadosamente ornamentadas dão as boas-vindas. Uma enorme janela propicia visão privilegiada de toda a paisagem fora do trem. Logo às 11h, um brunch é servido no lounge car. Petiscos como amêndoas, castanhas e uma típica carne seca daqui podem ser degustados com champanhe, chá ou qualquer outra bebida do cardápio. Um aperitivo ao delicioso almoço que estava por vir.
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Antigo ônibus do século 18 leva passageiros para conhecer Matjiesfontein |
É nesse momento que os 27 hóspedes que fazem essa viagem se conhecem. A maioria que estava nesse comboio era formada por casais e famílias. Além de sul-africanos, há pessoas de várias nacionalidades, como norte-americanos, ingleses, irlandeses e japoneses. Todos com um objetivo em comum: relaxar e desfrutar do conforto e luxo do Trem Azul. Após o momento de descontração, aproveito para dar uma volta pelo trem. Conheço alguns dos 30 funcionários que trabalham ali. Todos, sem exceção, muito cordiais. Visito outros vagões como o dinning car, onde como o próprio nome diz, é servido o jantar. Além dos outros dois lounges, onde se pode beber e petiscar o dia inteiro, ler um livro ou simplesmente apreciar a paisagem. Há um vagão destinado exclusivamente aos fumantes.
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Passeio na vila: apresentação de piano e visita a museu |
Às 12h30 é servido o almoço. Com todas as pompas de um restaurante sofisticado, os hóspedes têm duas opções de entradas, três de prato principal e duas de sobremesa. É até difícil escolher. Para começar, opto pelo salmão norueguês com queijo mascarpone. Para acompanhar, um vinho branco. No prato principal, vou de peixe do Malauí com molho de tomate e purê de batatas. Tudo muito bem preparado. A sobremesa é uma verdadeira tentação. Panquecas com molho e sorvete de morango. Depois de me esbaldar no almoço, volto para minha suíte.
Albert tinha passado por lá e feito minha cama. Ou seja, um convite a sesta, que não pude recusar. Após uma horinha de descanso, acordo com a energia renovada e pronta para continuar a apreciar as paisagens do caminho. As cenas do lado de fora da janela são bastante distintas. Desde vinhedos e belos campos verdes até as miseráveis townships – favelas africanas, que nos relembra um país marcado pelos contrastes e segregação.
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Repórter Nayara Menezes: momento de degustação |
Às 15h30 a primeira pausa do Trem Azul. Um passeio pela pequena vila de Matjiesfontein, que mais parece ter sido esquecida no tempo, relembra a época em que a colonização inglesa chegou por aqui. A bordo de um velho ônibus do século 18 conhecemos os encantos do vilarejo, onde moram apenas 300 habitantes. Após o curto city tour, somos recebidos com apresentação de piano e licor típico. Um museu com carros antigos e outras raridades, como a famosa taça de rugbi conquistada pela África do Sul em 1995, também podem ser visitados nessa parada.
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Variedade e sofisticação no cardápio do restaurante |
Quarenta e cinco minutos depois, voltamos para o trem. Mais um brunch é servido, com bolos, biscoitos e outras guloseimas. Enquanto isso, apreciamos um belo pôr do sol do último vagão, onde há enorme janela que mais parece um quadro. É hora de começar a preparar para o jantar de gala, que viria logo mais, às 19h30. A pedido da carta de recomendações, que recebemos ao fazer a reserva da viagem, homens devem trajar terno e gravata e mulheres vestidos elegantes. Eu, claro, segui a cartilha e me vesti para a grande noite.
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Panquecas com molho de sorvete de morango: tentação do menu |
Música clássica de fundo e muito requinte marcam o jantar. Mesa devidamente posta, com todos os detalhes de etiqueta observados. Os pratos continuam saborosíssimos e de difícil escolha. Para a entrada, sopa de abóbora e salada. O menu principal eleito dessa vez foi costela de boi ao molho de vinho acompanhada por batatas rosti. Uma perfeita combinação. Para acompanhar, vinho tinto, como não poderia ser diferente. A sobremesa, ah a sobremesa.... Musse de maracujá servido dentro de um delicado pote comestível de chocolate. Após o inesquecível jantar, às 22h30, volto à suíte para repousar. Ao retornar ao quarto, mais uma vez a cama pronta com chocolates e mensagem desejando boa noite.
A sensação de balançar sob os trilhos incomoda nas primeiras horas da noite. Mas logo me acostumo e pego no sono. Na manhã seguinte, um delicioso café da manhã, com frutas da estação, ovo pochê, vários tipos de pães, croissants e bolos apetitosos. Às 11h, o último brunch lembra: a viagem está chegando ao fim. Como diz o velho ditado, tudo o que é bom dura pouco. Antes de partir, escrevo alguns cartões-postais, que são gentilmente cedidos pela companhia, que também se encarrega de enviá-los. Um certificado de participação na viagem e um relógio de mesa como brinde são deixados de presente no quarto como mais um mimo da empresa. Despeço-me de Albert e agradeço por todas as cortesias. Às 13h, infelizmente nossa jornada chega ao fim na cidade de Pretória. E como boa mineira, recomendo esse trem para todos que tiverem oportunidade de realizar esta viagem. É bão demais sô!
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Preço
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Varia de acordo com o roteiro e a suíte escolhida. Vai de 3.800 a 5 mil reais, com todas as refeições e bebidas inclusas
Rotas
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Cidade do Cabo – Pretória (distância percorrida: 1,6 mil km em 27 horas)
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Pretória – Cidade do Cabo
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Pretória – Durban
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Pretória – Game Lodge Bonanza
Mais informações
http://www.bluetrain.co.za/
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