Sexta, 03 de Setembro de 2010
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Política

500 empresários e Dilma

Em evento promovido pelo Lide, candidata à Presidência reforça intenção de reforma tributária e ouve questões dos grandes empresários

Texto: Ana Cristina D’angelo | Fotos: Silvia Santana
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Almoço-debate em São Paulo: 480 empresários e mais de 50 jornalista

O almoço-debate promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) com a presença da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, contou com público recorde, segundo o anfitrião e presidente do Lide, João Doria Jr. Mais de 480 empresários e executivos de grandes empresas e mais de 50 jornalistas compareceram ao Hotel Grand Hyatt, no Morumbi, em São Paulo, para ouvir e debater com a candidata do presidente Lula. No dia 26 de julho, o Lide recebe o candidato do PSDB, José Serra.

Com seu tradicional terninho vermelho, Dilma chegou ao Hotel Grand Hyatt acompanhada do seu vice na chapa, deputado Michel Temer, e do senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Também participaram do almoço a ex-ministra Marta Suplicy, o senador Eduardo Suplicy e o coordenador da campanha do PT, Antonio Palocci.

Na mesa principal, estavam lado a lado lideranças empresariais como o presidente da Nestlé, Ivan Zurita, e o presidente do Conselho de Ad­ministração da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan. Em 20 minutos de exposição, Dilma falou de temas diversos, passando da educação de qualidade, como condição essencial para o desenvolvimento do país, aos investimentos na exploração do pré-sal, como imprescindível para o progresso econômico e social do país. Também falou sobre Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e não se esqueceu do tema preferido da classe empresarial brasileira: a reforma tributária.

“Nós tributamos quem emprega mais, o que é uma perversidade. Não se estimula o emprego”, afirmou Dilma Rousseff. “A desoneração não pode ser zero porque quebraria a Previdência. Quando se desonerar a folha de pagamento, vamos reconhecer que o Tesouro vai ter que entrar com medidas compensatórias. Mas isso será no curto prazo porque contamos com o aumento da arrecadação”, acrescentou.


João Doria Jr., Dilma Rousseff e o jornalista Paulo Cesar de Oliveira
João Doria Jr., Dilma Rousseff e o jornalista Paulo Cesar de Oliveira

Durante o debate, a candidata foi mais questionada sobre economia e, principalmente, reforma tributária. Em uma das respostas, Dilma defendeu a desoneração integral dos impostos sobre investimentos, mas não explicou como irá fazer isso caso seja eleita.

“Precisamos dar um salto em competitividade. Não há sentido em onerar os investimentos quando fazemos um esforço enorme para termos crescimento”. Dilma classificou a estrutura tributária do Brasil como caótica e pouco eficiente.

Sobre o MST, Dilma disse que “movimento é movimento e governo é governo”. A candidata Dilma afirmou que o governo deve dialogar com o MST, desde que o movimento use métodos pacíficos, e se colocou contra a invasão de propriedades privadas, uma das principais práticas do MST. “Não acho que tem que compactuar com invasão de propriedade, mas quando eles estão na paz não há porque não dialogar e negociar.”

“A candidata Dilma colocou suas ideias de modo mais superficial, até porque não teve tempo pra isso. Acho que sua fala sobre a reforma tributária foi a que mais agradou à maioria dos empresários presentes”
Horácio Lafer Piva, ex-presidente da Federação das Indústrias de Sâo Paulo (Fiesp)


“Foi excelente. As perguntas foram bem dirigidas, foram questões importantes e a  candidata respondeu com clareza a todas elas. A Dilma mostrou que sabe da complexidade do nosso sistema tributário e de como a reforma tributária é essencial para o crescimento econômico brasileiro. Acredito que ela se posicionou bem a respeito do que pretende fazer sobre a política tributária. Fiquei muito satisfeito com o que ouvi aqui”
Roberto Oliveira, presidente da Vivo


“Foi muito bom ouvir a candidata. Ela expôs suas ideias com firmeza e respondeu às perguntas dos empresários de forma clara e transparente. É sempre bom também ver o lado da personalidade do candidato, não só o político. O debate foi muito proveitoso”
Edson Godoy, presidente da Amil


“Gostei muito deste encontro. A ex-ministra deu boas respostas, fez boas colocações. Agora esse grupo que está aqui (os empresários do Lide) tem todas as ferramentas para analisar a fundo o que cada candidato falar. Podemos fazer um benchmarking entre os candidatos e comparar as propostas e posições de cada um”
Ivan Zurita, presidente da Nestlé


 
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