Sexta, 03 de Setembro de 2010
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Lazer

Um giro de 360º

Em todas as direções do entorno de Belo Horizonte existem atrações imperdíveis: mergulho pela história, convite à prática de esportes radicais ou o fascinante mundo do ecoturismo

Texto: Fernando Torres | Fotos: Daniel de Cerqueira, Pedro Vilela, Miguel Aun, Sérgio Mourão / Acervo Setur MG
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Murilo Vargas viaja duas vezes por mês de São Paulo a Sabará para escalar

Se Belo Horizonte já possui uma série de atrativos que compensam uma visita, o entorno da capital mineira é polo de história, ecoturismo e turismo de aventura. Para quem deseja aproveitar esses destinos sem perder as facilidades de uma cidade grande, hospedar-se em BH pode ser  boa opção. A 70 km, por exemplo, fica Con­gonhas do Campo, cuja fama está na Ba­sílica do Bom Jesus de Matosinhos. O conjunto arquitetônico executado por Alei­jadinho e seus ajudantes é um dos mais ricos do barroco brasileiro, esculpido entre 1800 e 1805. A visita se desenvolve em três etapas: 1) As seis capelas, cujo interior revela 64 imagens de cedro reconstituindo cenas da Paixão de Cristo (algumas foram coloridas por Mestre Athayde); 2) O átrio, onde estão os 12 profetas es­culpidos em pedra-sabão, com des­taque para Daniel e Habacuc, os mais bem-acabados; 3) A igreja em si, inspirada em templos portugueses.

Já Ouro Preto, a mais famosa das cidades históricas, merece pelo me­nos dois dias inteiros para ser percorrida a pé, sem pressa. Distante 99 km de BH, apresenta conjunto arquitetônico de 12 igrejas barrocas, oito capelas e casario colonial praticamente intocado. A Igreja de São Francisco de Assis, resultado de dobradinha entre Aleijadinho e Mes­tre Athayde, é um dos principais pontos turísticos. No exterior, chamam a atenção o medalhão de São Francisco e as torres em recuo, que projetam a construção para frente. Inter­na­men­te, repare na pintura do forro: a imagem de Nossa Senhora da Porciúncula cercada de querubins, todos com feições mulatas, é tridimensional, dando a impressão de ser uma continuidade das colunas reais.


Ouro Preto

Ouro Preto não é feita apenas de igrejas e museus. A cidade também abriga o Festival de Inverno, em julho, com peças de teatro, shows e espetáculos de dança. E no quesito agitação, a cidade faz bonito no Carnaval (tão concorrido quando o de Olinda) e na Festa do Doze (em outubro). Sem falar nas baladas das repúblicas universitárias (mais de 200), que correm soltas o ano todo

 

Outra atração é a Igreja de Nossa Senhora do Pilar. Datada de 1733, exibe entalhes de madeira revestidos por 434 quilos de ouro em pó, o que a posiciona como a segunda igreja mais rica do Brasil. E se a pedida é visitar museus, a cidade também não deixa a desejar. As opções são: Museu do Oratório, com 162 peças expostas; Casa dos Contos, que conta a história do dinheiro; Museu de Ciência e Técnica, com 23 mil amostras de minérios do mundo todo; e o Museu da Inconfidência, que, como o próprio nome já diz, homenageia os inconfidentes no prédio da Antiga Casa de Câmara e Cadeia.

Mariana, por sua vez, possui seu próprio casario colonial e arquitetura barroca em um centro histórico enxuto. A primeira capital de Minas Gerais se destaca pela Catedral da Sé, com dois altares torneados por Francisco Xavier de Brito, mestre de Aleijadinho. Na mesma igreja, a organista Elisa Freixo dá concertos no órgão Arp Schnitger, instrumento alemão de 1701, com 1.039 tubos. O horário é ingrato (às sextas, 11h30, e aos domingos, 12h15), mas o esforço extra vale a pena para os amantes da música barroca. Em tempo: Mariana está a 110 km de BH, mas pode ser alcançada por meio de um passeio de maria- fumaça que sai de Ouro Preto.

Gruta de Maquiné: importante registro arqueológico de Minas
Gruta de Maquiné: importante registro arqueológico de Minas

Cansado de história? Então, fique com o roteiro ecológico. Sabará, a 17 km de distância, é mais conhecida por suas igrejas. No entanto, as montanhas que circundam a cidade também são pretexto para o turismo de aventura. Que o diga o escalador Murilo Vargas. Ele vive e trabalha em São Paulo, mas vem para Minas Gerais duas vezes por mês para escalar. “O estado já é um dos mais atrativos para a prática desse esporte, mas Sabará tem uma das melhores e mais bonitas formações rochosas que eu já vi”, diz ele. Em maio, Murilo cumpriu tabela e participou do 6º Festival de Boulder de Pedra Rachada, em Sabará. “Trata-se de uma modalidade de escalada sem o uso de cordas, apenas com a sapatilha e o crash pad, um colchão que permanece no solo para eventuais acidentes. A altura é menor, mas a angulação da rocha exige maior força e técnica”, conta.

Se houver fôlego depois da escalada, a sugestão é um voo duplo de parapente (também conhecido como paraglider). Do alto de seus 560 m de desnível em relação ao solo, a Serra da Moeda, na região de Nova Lima (30 km de BH), é considerada o sexto melhor local do Brasil para a modalidade, em termos de estrutura, condições metereológicas e acesso. Luiz Braga, dono da escola Vento Leste, acumulou cerca de 4,5 mil voos em seis anos. “Diferente da adrenalina do salto de paraquedas, voar de parapente é supertranquilo e confortável. Podemos dizer que é um voo panorâmico de cerca de 20 minutos, em que sobrevoamos o vale e a Lagoa dos Ingleses”, descreve. Não há idade mínima para experimentar. “A exigência é ter peso acima de 30 kg e inferior a 130 kg”, explica Braga. Os preços ficam em torno de 150 reais.

Mas a grande estrela do entorno de Belo Horizonte é a Serra do Cipó, a 90 km de distância. Ali, a aventura rola solta: trekking, rapel, canyoning (rapel em cachoeira), escalada, rafting, caiaque, tirolesa, entre outras aventuras. Além disso, a região abriga diversos cânions e cachoeiras, como o Cânion das Bandeirinhas, a Cachoeira do Gavião, a Cachoeira do Tabuleiro, o Véu de Noiva e o Poço Azul. Para alcançar esses atrativos, prepare o fôlego. As caminhadas têm média de uma hora e podem chegar a 9 km de trilha.

Para quem gosta de ecoturismo, mas prefere programas menos ousados, as paradas obrigatórias são as grutas Rei do Mato, em Sete Lagoas, e a de Maquiné, em Cordisburgo. A primeira fica a 62 km de BH e é considerada uma caverna viva, pois suas formações rochosas continuam em atividade. Já a Gruta de Maquiné, a 120 km de distância, é famosa por ser a maior caverna aberta  à visitação em Minas Gerais: com sete salões, tem 650 m de extensão, dos quais 440 m podem ser percorridos. Além disso, é importante registro arqueológico. Nela, foram encontrados diversos artefatos pré-históricos e pintura rupestre logo na entrada.

Por fim, no caminho entre Ouro Preto e Mariana fica uma das maiores minas do mundo abertas à visitação, datada de 1719. A descida de 120 m de profundidade é feita em um trole de 315 m de trilhos, terminando em um lago de águas transparentes. As crianças adoram, mas os adultos também se divertem ao avistar pontos luminosos nas paredes de pedra, o ouro dos tolos, sem nenhum valor. Infeliz­mente, o ouro verdadeiro ficou para a história. A joia que ultrapassou as fronteiras do nosso passado dourado são as próprias Minas Gerais.

Ecoturismo

Minas oferece diversas opções para quem gosta de praticar esportes radicais em meio a paisagens naturais exuberantes. Se o objetivo for interagir com a natureza, a escalada é uma boa pedida para tentar desvendar um pouco da beleza das montanhas de Minas. E quem curte adrenalina não pode deixar de conhecer a Serra da Moeda, na região de Nova Lima, a 30 km da capital mineira. O lugar é um dos melhores do país para a prática do voo duplo de parapente

Congonhas: profeta Isaías, esculpido por Aleijadinho
Congonhas: profeta Isaías, esculpido por Aleijadinho

Roteiro

Sabará – 17 km

- Pedra Rachada (escalada)

Serra da Moeda – 30 km

- Voo livre de parapente

Sete Lagoas – 62 km

- Gruta Rei do Mato

Congonhas do Campo – 70 km

- Capelas dos Passos
- 12 profetas de pedra-sabão
- Basílica do Bom Jesus de Matosinhos

Serra do Cipó – 90 km

- Cachoeira do Gavião
- Cachoeira do Tabuleiro
- Cachoeira Véu da Noiva
- Cachoeira Poço Azul
- Cânion das Bandeirinhas
- Esportes Radicais (trekking, rapel, canioning, etc.)

Ouro Preto – 99 km

- Igreja de São Francisco de Assis
- Igreja Nossa Senhora do Pilar
- Museu Casa dos Contos
- Museu do Oratório
- Museu de Ciência e Técnica
- Museu da Inconfidência

Mariana – 110 km

- Catedral da Sé
- Passeio de maria-fumaça
- Mina da Passagem

Cordisburgo – 120 km

- Gruta do Maquiné


 
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