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Família
Um é pouco, dois é bom, três...
A chegada do primeiro filho no casamento: hora de conflitos ou de união?
Texto: Vanessa de Cobucci | Fotos: Victor Schwaner, Pedro Vilela
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 Georgina Tsutsumi, com Pedro: “O primeiro mês pós-parto foi o mais impactante"
Mal se apagam as velas do bolo, vem a lua de mel, época de romance e mútuo conhecimento. De volta à rotina de trabalho e à vida social, começam as cobranças da sociedade sobre os recém-casados: “Quando, enfim, vocês terão um filho? Já pensaram no nome?” Costumam questionar os mais indiscretos. Todo casal passa inevitavelmente por esse bombardeio inconveniente. O que todo mundo sabe é que um filho muda não só a rotina na vida a dois, quanto mexe financeira (no orçamento) e psicologicamente com os novatos pai e mãe. Planejado ou não, a chegada do terceiro membro à família é um momento rico em aprendizado para ambas as partes. O que poderia ser um polo de conflitos e dúvidas pode se tornar ponto de partida para soluções, segundo especialistas.
A psicóloga Cássia Maria Avelar, da Clínica Pró-Criar de Reprodução Humana, diz que a recepção ao primeiro filho depende muito de como era a relação anterior dos pais. Se o relacionamento desanda após o nascimento, há que se ter muito cuidado. Não se pode rotular a criança como o pivô de separação, pois provavelmente o
problema tem raízes anteriores à fase gestacional. “Da mesma forma que nenhum filho salva uma relação já naufragada, ele não é a causa do ponto final, é apenas a gota d’água.”
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Sexólogo Gerson Lopes: dificuldade de harmonizar o lado mãe, mulher, amante |
Com a atenção voltada para o bebê, é preciso tato para não deixar a libido para escanteio. Segundo o médico sexólogo Gerson Lopes, após o parto há mudanças físicas, culturais e psíquicas que têm de ser observadas com cuidado. “É comum que a mulher tenha dificuldade de harmonizar o lado mãe,mulher, amante, pois ela dedica toda a energia ao bebê. Há o desgaste físico, não só da amamentação, quanto por ter o sono interrompido pelo choro da criança, o que trará fadiga. O marido tem de colaborar, estar presente e se dedicar a cuidar do filho também.” Coordenador do setor de medicina sexual do Hospital Mater Dei, Lopes explica que se o casal detecta problemas nesse período, embora transitórios, deve procurar ajuda médica. Há casos de homens que mantêm distanciamento da mulher tão logo ela engravide. Eles têm dificuldade em lidar com isso, há repulsa, a chamada síndrome mal resolvida da Virgem Maria, que envolve questões psíquicas e culturais. E existem mulheres que perdem o desejo sexual no pós-parto, o que é explicável biologicamente, visto que o hormônio prolactina (da amamentação) provoca ressecamento vaginal, causando dor na relação sexual. “É um incômodo provisório, que passa, mas é bom ir a um ginecologista.”
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Joana Moreira, com os filhos Rodrigo e Bruno e o marido Kleber: equilíbrio |
Casas separadas
Desde que seu namoro se tornou sério, o advogado e empresário Geraldo Marcos Leite de Almeida, 46, decidiu, em comum acordo com a mulher, Márcia, viver em casas separadas. Em 2004, quando completaram quatro anos de casados à maneira moderna, Márcia engravidou. Hoje, a pequena Marina tem seis anos. Porém, houve uma fase em que lidar com a novidade em família mexeu com o relacionamento amoroso. “Deu uma abalada, chegamos ao limite da convivência, época em que tivemos que discutir a relação várias vezes. Essa fase foi tão logo a bebê completou um ano de vida e se estendeu até por volta dos 3 anos.” Geraldo lembra que a temporada mais turbulenta coincidiu com aquela na qual há dependência total do bebê com a mãe, algo compreensível. “Depois, tudo voltou aos eixos. Hoje, a Marina é o fator unificante entre nós, montamos nossas agendas pensando nela, a prioridade é sempre ela.”
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Insegurança
A dentista Georgina Fontes de Pádua Tsutsumi, 36, diz que é inimaginável o quanto um bebê muda a rotina de uma casa, em todos os sentidos. “O primeiro mês pós-parto foi o mais impactante, senti uma insegurança enorme. Só no segundo mês em diante essa sensação foi passando. É uma época em que a mãe fica 100% por conta do bebê, é um processo mútuo de conhecimento, meu e dele.” Pedro nasceu em 2008, e hoje está com 1ano e 7 meses. A chegada dele mexeu também com a dinâmica de trabalho – como morava na Cidade Nova e trabalha no Buritis, a dentista resolveu mudar para este bairro, onde também mora a mãe dela. Agora, curte almoçar todo dia em casa, quando aproveita para mimar o garoto e inspecionar o trabalho da babá. Georgina diz que teve sorte, pois não pensava que o marido fosse tão participativo. “O Fábio participa no que pode na criação do Pedro. Ele viaja a semana toda, quando chega, fica por conta do garoto o sábado e domingo inteiros. Às vezes, ele reclama, diz que não sento mais a seu lado para fazer companhia nos filmes e programas prediletos, como era no passado. Tem hora que não tem jeito mesmo, vivo correndo atrás de filho o dia todo.”
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Geraldo de Almeida, que teve crise após filha nascer: “Chegamos ao limite” |
Um só não, dois
A psicóloga Joana Libório Moreira, 31, planejou bem sua primeira gestação. Tão logo Rodrigo completou 3 anos, ela e o marido, Kleber, decidiram repetir a dose, pois não queriam diferença de gerações entre irmãos. Hoje, Rodrigo está com 5 anos, e Bruno, 2. Joana não faz jus ao conceito de que em casa de ferreiro... Ela diz estar sempre alerta a quaisquer sinais que possam denotar um afastamento do marido ou dos filhos. “Não se pode deixar o marido em segundo plano, depois que se têm filhos. Claro que não é fácil equilibrar os papéis, mas com jeito e criatividade tudo é possível. Costumo dizer para as pacientes o que sinto na prática: filho não une casal, separa se não houver harmonia.” Joana conta que houve momentos hilários, principalmente as famosas interrupções inconvenientes de choros e de chamatório dos filhos quando o casal estava no quarto, namorando. “Se não fosse hilário, seria trágico. Até meu marido sugeria, rindo, encararmos com graça a situação. No início, quando eles eram bebês, eu não conseguia relaxar. Agora, depois de oito anos de casamento nesse embalo todo, colocamos a criatividade à prova. E não dispenso convites de minha irmã, Thê, nem de minha mãe, quando se oferecem para ficar com as crianças para que possamos curtir um namoro só a dois”, ressalta.
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