Sexta, 03 de Setembro de 2010
Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
 

Esp. Saúde e Estética III

Crescem o mal e a cura

Ao mesmo tempo que a incidência de câncer de mama alcança níveis preocupantes no Brasil, as notícias sobre os avanços nos tratamentos são animadoras

Texto: Fernando Torres | Fotos: Alberto Wu
Envie seu comentário


André Murad: “A maior parte dos casos tem cirurgias menos invasivas”

O câncer de mama é o tumor mais co­mum entre as mulheres. A Or­ga­nização Mundial de Saúde (OMS) estima que a cada ano surjam cerca de 1 milhão de casos. Só o Bra­sil registra 48 mil novas ocorrências e 10 mil óbitos anualmente, conforme dados do Ministério da Saú­de. Mas o aspecto mais preocupante é que, ao contrário do que acontece em países desenvolvidos, os níveis de incidência e mortalida­de aumentam por aqui. Levan­tamento feito pelo Hospital do Cân­cer, em São Paulo, aponta que, até 2003, o número de mulheres diagnosticadas com tumor nas mamas era de 5% a 7% do total de pacien­tes. Em 2004, o índice subiu para 17%.

“No Brasil, as mulheres de baixa renda têm mais dificuldade de aces­so aos métodos de detecção precoce, como a mamografia, e ao tratamento cirúrgico, quimioterápi­co e medicamentoso”, justifica o oncologista André Murad, coordenador do Serviço de Onco­lo­gia do Hospital das Clínicas da Universi­da­de Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Centro Avan­çado de Trata­men­to Oncológico (Ce­natron) do Hos­pi­tal Lifecenter. Outros fatores que colocam o câncer de mama no topo da lista são obesidade, sedentaris­mo, dieta rica em gordura e proteí­na animais, consumo de bebidas alcoólicas, menstruação precoce e me­nopausa tardia. “A terapia de reposição hormonal também é um fa­tor de risco considerável para o surgimento da doença. Os EUA registraram redução de 7% no número de casos depois que os médicos reforçaram a relação desse tratamen­to com a incidência do tumor”, afirma Murad.

Se houve avanço da doença, há boas notícias no que diz respeito ao tratamento. “A maior parte dos ca­sos tem cirurgias menos invasivas, evitando a mutilação da mama e o desconforto da paciente”, diz Mu­rad. Isso graças à técnica do linfonodo sentinela, que propicia a avaliação de apenas um gânglio linfático, evitando a dissecação cirúrgica da axila; e o uso da quimioterapia pré-operatória ou neoadjuvante, que reduz tumores grandes. Também já é possível avaliar o perfil genético dos tumores por meio da biologia molecular e planejar o tratamento individualmente. Segundo Murad, “a técnica permite determinar com precisão as pacientes que mais se beneficiam da quimioterapia adjuvante ou complementar e em quais o tratamento é desnecessário, evitando o uso indevido e os efeitos colaterais”.

Os medicamentos inteligentes (também chamados de alvo-específicos) são outra boa notícia no avanço dos tratamentos. “O mecanismo é totalmente diferente das drogas convencionais, agindo exclusivamente nas células cancerígenas e poupando as normais”, aponta Murad. Dessa forma, a paciente tem alto índice de tolerância à quimioterapia, sem efeitos como queda de cabelo, náuseas e anemia. Um desses remédios é o anticorpo trastuzumabe, que inibe o crescimento de células que passaram pela mutação genética do gene Her2/neu. “Muitas vezes, ele é combinado à terapia tradicional, reduzindo em 30% o nível de mortalidade.”
Por fim, em termos de drogas, o Congresso da Sociedade Ame­ri­cana de Ongologia, realizado em junho, em Chicago (EUA), apresentou a eribulina, droga derivada do extrato natural da esponja marinha Ha­li­chondria okadai. “Estudos feitos no Japão, EUA e Europa mostram que ela aumenta em até 25% a expectativa de vida”, diz Murad. A perspectiva é de que o medicamento chegue ao Brasil em 2011.

O combate ao câncer de mama inclui um olhar especial para as pacientes de alto risco – mulheres com predisposição hereditária ou que já tiveram algum tipo de lesão pré-maligna. “O pico de manifestação dos tumores genéticos (15% dos casos) acontece entre os 35 anos e não acima dos 50”, diferen­cia Murad. Nesses casos, o diagnóstico não é por meio de mamografia, mas sim de exames de identificação de mutação dos genes BRCA-1 e BRCA-2, disponíveis em laboratórios especializados. “Caso haja confirmação, a mulher deve se submeter à cirurgia de retirada do ovário e, em alguns casos, também de remoção das mamas. O procedimento previne em 40% a 50% o tumor”, orienta Murad. Em alguns casos, a paciente poderá vir a utilizar medicamentos quimiopreventivos, como o tamoxifeno e o raloxifeno.


Avanços no tratamento

- Cirurgias menos invasivas

- Avaliação do perfil genético dos tumores, individualizando o tratamento

- Surgimento das drogas alvo-específicas, que agem apenas nas células cancerígenas. Ex: trastuzumabe

- Quimioterapia com menos efeitos colaterais

- Futura aprovação da eribulina, que aumenta a expectativa de vida em até 25%

- Exames de detecção de mutação dos genes BRCA-1 e BRCA-2

- Utilização da ressonância magnética para rastreamento de mutações genéticas

 

15% dos tumores de mama são genéticos


 
Compartilhe:    Bookmark com Delicious  Bookmark com Digg  Bookmark com Facebook  Bookmark com /.   Bookmark com Google  Bookmark com StumbleUpon   Bookmark com Technorati  Bookmark com Linkarena  Bookmark com Yahoo  Bookmark com SEOigg  Bookmark com Spurl  Bookmark com Live  Bookmark com Rec6  Bookmark com Myspace
Versão para Impressão  Versão Impressão    Assinar NewsletterNews:    

Busca no Portal

 
  

Blog do PCO
Blog da Redação

© Copyright 2009, Revista Viver Brasil – MG-030, nº 8625. Torre2 – Shopping Serena Mall – Vale do Sereno.
Cidade: Nova Lima – MG / CEP:34000-000 | Telefone: (31) 3503-8888