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Esp. Saúde e Estética ILazer 50 anosEste feixe de luz, descoberto em 1960, provocou verdadeira revolução na medicina e em tratamentos estéticos. A outra boa notícia é que muito mais deve vir por aí
Texto: Fernando Torres | Fotos: Pedro Vilela, Wilton Junior/AE, SXC, Arte: Paulo Werner
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De lá pra cá, a tecnologia só se fortaleceu. Uma das principais evoluções aconteceu em 1995, com a difusão dos aparelhos de aplicação fototérmica de baixa e média potência, beneficiando especialmente a dermatologia e a estética. “Com 12 sessões, o laser consegue remover manchas provocadas pelo sol, cicatrizes, marcas de acne, rugas e tratar celulite e estrias”, diz a terapeuta estética Angela Marçolla. Como isso é possível? “Ao transformar luz em calor, os raios alteram a estrutura do colágeno, promovendo fotorrejuvescimento e atenuando cicatrizes e pequenas lesões”, descreve Roncatti. Os aparelhos fracionados (fraxel laser) também vieram somar à qualidade dos tratamentos, minimizando efeitos como vermelhidão. “A luz penetra em pontos reticulados, mas sem queimar a pele”, diz o cirurgião. Isso significa que o paciente pode sair da sessão a laser e ir diretamente para casa ou para o trabalho. Em alguns casos, pode até amenizar as marcas de procedimentos cirúrgicos. “Quando aplicado uma semana depois da cirurgia, o laser tem efeito anti-inflamatório, impedindo a formação de queloides”, diz Angela. |
No campo da dermatologia estética, uma das principais aplicações da laserterapia é a depilação. “O laser diodo e de alexandrita, compatíveis com todos os tipos de pele, conseguem por meio do calor destruir a melanina dos bulbos capilares, responsáveis pelo crescimento dos pelos. Isso acontece a partir de cinco sessões”, informa o dermatologista Samuel Taioba. A modelo Natália Guimarães, 25, ex-miss Brasil e atual apresentadora do programa Hoje em Dia, da TV Record, já se submeteu a três sessões de laser nas axilas e pernas e aprovou o resultado. “Os pelos voltam a crescer com o tempo, mas nascem muito mais fracos. Os das pernas estão praticamente sumindo”, comemora. O inconveniente do método é a dor, segundo Natália, maior que a depilação com cera. “Para driblar o incômodo, uso pomada anestésica 40 minutos antes da sessão”, ensina. Mesmo sendo um procedimento estético, a depilação a laser deve ter acompanhamento e indicação de dermatologista e ser realizada por um especialista capacitado. Se o aparelho for mal utilizado, pode provocar queimaduras, manchas e cicatrizes. “Em geral, não há contrandicações, com exceção da área da sobrancelha, pois fica muito próxima ao globo ocular”, diz Taioba. |
Mas nem só da beleza vive o laser. Na oftalmologia, o feixe de luz tem diversas aplicações. A mais comum é a cirurgia refrativa, indicada para miopia, hipermetropia e astigmatismo. “Entre cinco a 10 minutos, o laser nivela as camadas da córnea, corrigindo o grau do paciente. Dois dias depois, ele já está recuperado e não precisa mais usar óculos”, resume o oftalmologista Luiz Carlos Molinari, vice-presidente do Departamento de Oftalmologia da Associação Médica de Minas Gerais. Com a evolução dos tratamentos, as cirurgias refrativas estão se tornando personalizadas. “O médico faz uma programação no computador específica para cada paciente. É uma grande evolução”, diz Molinari.
Há oito anos, o advogado Paulo Braga, se submeteu à cirurgia refrativa e conseguiu corrigir os cinco graus de miopia e os três de astigmatismo. “Se soubesse que o resultado ia ser tão positivo, teria feito antes”, testemunha. Hoje, aos 45 anos, Braga enxerga perfeitamente e não tem mesmo 8 Ainda na oftalmologia, o laser de argônio realiza a cirurgia de retinopatia diabética, complicação que pode levar à perda total da visão. O mesmo aparelho também tem indicação para procedimentos de glaucoma. “Nesse caso, o feixe de luz faz um pequeno furo na íris para que o líquido intraocular circule mais facilmente.” Vale ressaltar que vários exames oftalmológicos também utilizam essa tecnologia, como o analisador de fibras nervosas, o topógrafo de papila e o microscópio confocal. O futuro próximo também prevê a utilização do laser para remoção de catarata. “O facolaser está em fase avançada de pesquisas e tenho expectativa de que em breve será aprovado para uso de rotina”, antevê Molinari. |
Na urologia, o laser é tão poderoso a ponto de fragmentar cálculos renais menores e mais profundos, nos ureteres e rins. “O procedimento é feito por meio do ureteroscópio (espécie de endoscópio), com uma fibra ligada a um gerador de laser”, explica o urologista Rodrigo Quintela, especialista em tratamento de cálculo. Além de usar anestesia peridural, ser minimamente invasiva e não ter necessidade de internação, a cirurgia diminui as pedras a tamanhos microscópicos, evitando a dor durante a eliminação pela urina. Tumores da próstata que interferem na micção da urina (hiperplasia benigna) também podem ser tratados pela laserterapia, diminuindo drasticamente o nível de sangramento. “O laser GreenLight faz a vaporização da próstata, desidratando-a por meio da uretra. Dessa forma, o tamanho da glândula diminui e o paciente volta a urinar normalmente”, diz Quintela. Por ser relativamente nova – existe há três anos – a técnica só está disponível em Brasília e São Paulo. Em nível experimental no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, a pneumologia também poderá se beneficiar do laser frio ou terapêutico – de 1º C de temperatura – para tratamento de asma. As pesquisas indicam que os raios de luz podem auxiliar na regulação das substâncias inflamatórias do sistema imunológico. Isso poderá melhorar a qualidade de vida dos pacientes, com a diminuição das crises de falta de ar e a redução do uso de bombinhas e corticoides. Porém, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia alerta: o laser para tratamento da asma ainda carece de comprovação científica e não é recomendado como tratamento de primeira linha. Os pacientes esperam com muita expectativa para se livrar dos inconvenientes da doença. Se o aparelho for aprovado, será apenas mais uma das maravilhas do laser. |
Efeitos do laser- Fototérmico – Transforma a luz em calor, alterando a estrutura do tecido. Muito usado na dermatologia - Fotoquímico – Modifica a estrutura química dos tecidos, curando doenças, tirando dores e eliminando tumores - Fotomecânico – A luz se converte em força mecânica que explode os pigmentos. Usada para alteração de manchas e retirada de tatuagens monocromáticas Fonte: Claudio Roncatti, médico da diretoria executiva da Sociedade Brasileira do Laser |
Principais aplicações- Pele: Atenua rugas, cicatrizes, manchas, vitiligo, varizes, estrias e alguns tipos de tatuagem. Palavra-chave: rejuvenescimento - Pelos: Destrói os bulbos capilares definitivamente com um mínimo de cinco sessões - Cabelos: Age como coadjuvante no tratamento para calvície, aumentando a circulação sanguínea e estimulando a produção de colágeno e elastina - Olhos: Eficaz para a cirurgia refrativa (miopia, hipermetropia e astigmatismo), retinopatia diabética e glaucoma. Também é utilizado para exames de diagnóstico - Ureteres e rins: Fragmenta microscopicamente cálculos renais em regiões mais profundas - Próstata: Trata tumores benignos com menos sangramento - Pulmões: Ainda em nível experimental, regulariza as substâncias do sistema imunológico envolvidas no processo de inflamação. Em outubro, acontece o 7º Congresso da Sociedade Brasileira do Laser em Medicina e Cirurgia, em São Paulo |