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EconomiaNegócios da ChinaO mundo inteiro se rende aos produtos chineses, que há muito ganharam em qualidade, e empresas mineiras seguem a onda aumentando, a cada ano, o mix de produtos importados
Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Daniel de Cerqueira, Pedro Vilela, Arte: Paulo Werner
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A opção por produtos de ponta, com maior valor agregado, fez com que a China transferisse para Vietnã e Malásia a produção de itens de menor valor e, consequentemente, de qualidade inferior. Mas isso não foi sempre assim. A China, assim como os Tigres Asiáticos, passou pelas mesmas fases de crescimento em momentos e velocidades diferentes. Os Tigres Asiáticos e o Japão iniciaram os investimentos na China antes de o resto do mundo voltar os olhos para aquele país. Hong-Kong, Japão e Taiwan passaram pela mesma condição da China, com produtos de qualidade duvidosa, mas já superaram esta fase. “Hoje, todos esses países são referência no mundo em tecnologia”, observa o especialista em estratégia, marketing e novos negócios, Jony Lan. Além de ser responsável por bons produtos a China ainda mantém fatores competitivos, como os subsídios do governo e o estímulo à exportação. Outro fator que chama a atenção é o forte investimento do governo chinês na educação. Por isto, a gerente executiva de Negociações Internacionais da CNI aposta que a abertura da China para o comércio exterior veio para ficar. “A tendência é de que os chineses sofistiquem cada vez mais sua participação no comércio internacional”, opina Soraya Rosar. Se não é possível competir com os chineses, a opção de algumas empresas foi mesmo unir-se a eles. A Loja Elétrica resolveu iniciar importações daquele país há dez anos. De acordo com o gerente de vendas da empresa, Herbert Gomes Pádua, foi estabelecida parceria com a SBV Group, da China, que desenvolve produtos para a companhia mineira. Todos os itens são produzidos por empresas chinesas. “Os produtos são desenvolvidos com as normas técnicas brasileiras e especificações da Loja Elétrica”, diz Pádua. |
Ao todo, 400, dos 30 mil itens comercializados pela Loja Elétrica, com sua marca, são produzidos na China. Incluindo os custos de importação, os produtos comprados lá ficam de 30% a 40% mais baratos do que se fossem produzidos no Brasil. A SBV Group mantém pessoal na China, responsável pela inspeção e controle de qualidade dos produtos. Os itens representam 1,5% do total do faturamento da empresa. “Pode até parecer pouco, mas a lucratividade é alta”, garante Pádua. Devido às vantagens oferecidas pelas mercadorias chinesas, a tendência, segundo ele, é de aumentar as importações. Os produtos chineses também conquistaram a Tambasa Atacadista, que negocia com o país desde 1995, com a importação de ferragens e ferramentas, totalizando 350 produtos. Segundo o diretor comercial da empresa, Gerson Bartolomeu Filho, a opção foi por causa do menor preço. “Mas, observamos ao longo desse tempo, a melhora na qualidade dos produtos chineses”, ressalta. A opção da Tambasa foi também uma forma de a empresa reduzir os espaços para seus concorrentes. Gerson diz que, por todas as vantagens dos produtos chineses, a tendência é de que a empresa aumente o mix de produtos vindos daquele país. |
São opções assim que fazem com que tudo na China tenha grandes proporções. Jony Lan diz que o que é construído lá é gigantesco, não por exagero da política comunista, mas pela visão de que o país continuará crescendo. “Enquanto o Brasil sofre com o sucateamento do transporte baseado em rodovias, a China expande linhas de metrôs, trens e portos. Tudo isso torna o país atrativo ao investimento e faz com que a produção mundial se aloque lá. A consequência disso nós já sabemos: crescimento contínuo e mais rápido do que qualquer outro país”, pondera. E isto não está ocorrendo gratuitamente. Segundo Lan, a China tem investido muito nos últimos anos no desenvolvimento do consumo interno, o que a tornará ainda mais forte economicamente. Além disso, o país é um dos maiores fornecedores de produtos industrializados. Em outras palavras, a China tem mercado interno e externo em abundância. O avanço dos chineses na exportação somente poderá ser contido se algum outro país conseguir se tornar economicamente mais viável e, ao mesmo tempo, ter mão de obra barata, infraestrutura, tecnologia própria e mercado consumidor. “Se não aparecer nenhum concorrente com estas características, a China continuará despontando como meca de fornecimento de produtos no mundo por no mínimo, mais 10 anos, sem tendência de mudança no longo prazo”, finaliza Jony Lan. |
Participação da China nas importações brasileiras
- 2000: 2,19% do mercado A China é o segundo maior fornecedor do Brasil. É superada apenas pelos Estados Unidos, cuja participação nas compras externas brasileiras é de 14,8%
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