Sexta, 03 de Setembro de 2010
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Artes Plásticas

Texto: Ana Clara Furtado | Fotos: divulgação
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Com o olhar perdido, como quem olha para dentro de si, a mulher contempla a vista, na sacada. Suas mãos, sem muitos detalhes, seguram algo, cabendo à imaginação, de quem aprecia o quadro, desvendar o que seja. Ao fundo, pinceladas dão forma à igre­ja barroca e à arquitetura do lugar, indican­do nuances das típicas cidades históricas de Minas Gerais. Já o chapéu da elegante figura feminina remete aos de palha, utilizados pelas apanhadeiras de café, assim como o decote mais ousado, relembrando os das roupas de colheita os quais o artista plástico Jarbas Juarez observava na adolescência curiosa com olhar de gente gran­de. Na tela Turista Visita Minas, o mineiro oferece aos apreciadores de arte um pano­rama sobre as lembranças de sua pequena aldeia, pronto para ser lido por inter­pretações pessoais e percepções estéticas distintas. A pintura, permeada por elementos que fazem referência à vida de Jua­rez, eternamente fotografados em sua memória, integra uma nova fase em sua trajetória na qual o artista aplica aos quadros uma veladura que utilizava apenas no desenho. Com a sobreposição de tons de azul, o mineiro dá às telas unidade e climas diferenciados, ora suaves, outros, sombrios. Até o momento, o premiado artista que bus­ca em suas obras emoção e satisfação pessoal – e admite destruir as que não lhe agra­dam –, diz que o resultado das nuances azuladas tem sido positivo. Mas, se terá continuidade, ou se seu destino será o lixo, difícil saber. Não se pode responder pelo amanhã, ele logo avisa. Aos admiradores do irreverente mineiro, que continuem acom­panhando sua carreira, para descobrir. E que Juarez permaneça fazendo da arte, devastando-a ou não, um universo rico em talento, experimentações e criatividade.


O Artista

  •  Era sentado no balcão do trabalho do pai, comerciante, que o pequenino Jarbas Juarez costumava fazer desenhos nos papéis de embrulhar toucinho. Na escola, várias foram as vezes em que permaneceu na sala durante o recreio, deixando a imaginação fluir no quadro da professora. Nascido em Coqueiral, mudou-se aos três anos para Nepomuceno, onde morou até os 18 e armazenou muitas memórias artísticas, resultantes em criações cujas entrelinhas remetem ao tempo que passou. Relembra-se com carinho da vida interiorana, das panhadeiras de café, como costuma dizer, – presenças constantes em suas obras –, da liber­da­de que fruía na fazenda e do gosto que aprendeu a nutrir por animais. Mudou-se para Belo Horizonte para estudar Belas Artes e, motivado pela mundial revolução cultural da década de 60, iniciou uma fase preto sobre preto explorando diferentes materiais, entre eles tinta automotiva, que lhe rendeu um prêmio em 1964. Viveu uma vida boêmia na lírica Ouro Preto, em 1966, dedicando-se a um surrealismo barroco, retornando à capital pouco tempo depois, convidado por Álvaro Apocalypse e Haroldo Mattos para dar aulas na Faculdade de Belas Artes da UFMG. Por lá lecionou por quase 30 anos, experimentou esculturas e fez gravuras em metal. Pintor, desenhista, gravador, escultor, ilustrador, professor e jornalista, critica a arte conceitual contemporânea baseada em ideias vazias, a massificação do mercado e as influências da mídia. Aluno de Guignard, com o mestre aprendeu a grande lição de retirar suas viseiras, buscando elementos diferentes para seus trabalhos. “E isso foi algo que sempre procurei ensinar aos meus alunos: não fique preso apenas ao que você vê”, ensina.

 
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