Com o olhar perdido, como quem olha para dentro de si, a mulher contempla a vista, na sacada. Suas mãos, sem muitos detalhes, seguram algo, cabendo à imaginação, de quem aprecia o quadro, desvendar o que seja. Ao fundo, pinceladas dão forma à igreja barroca e à arquitetura do lugar, indicando nuances das típicas cidades históricas de Minas Gerais. Já o chapéu da elegante figura feminina remete aos de palha, utilizados pelas apanhadeiras de café, assim como o decote mais ousado, relembrando os das roupas de colheita os quais o artista plástico Jarbas Juarez observava na adolescência curiosa com olhar de gente grande. Na tela Turista Visita Minas, o mineiro oferece aos apreciadores de arte um panorama sobre as lembranças de sua pequena aldeia, pronto para ser lido por interpretações pessoais e percepções estéticas distintas. A pintura, permeada por elementos que fazem referência à vida de Juarez, eternamente fotografados em sua memória, integra uma nova fase em sua trajetória na qual o artista aplica aos quadros uma veladura que utilizava apenas no desenho. Com a sobreposição de tons de azul, o mineiro dá às telas unidade e climas diferenciados, ora suaves, outros, sombrios. Até o momento, o premiado artista que busca em suas obras emoção e satisfação pessoal – e admite destruir as que não lhe agradam –, diz que o resultado das nuances azuladas tem sido positivo. Mas, se terá continuidade, ou se seu destino será o lixo, difícil saber. Não se pode responder pelo amanhã, ele logo avisa. Aos admiradores do irreverente mineiro, que continuem acompanhando sua carreira, para descobrir. E que Juarez permaneça fazendo da arte, devastando-a ou não, um universo rico em talento, experimentações e criatividade.