Quarta, 23 de Maio de 2012
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Trânsito

É um começo...

Com a inauguração da alça de Nova Lima, o problema do trânsito na região já aponta para uma luz no fim do túnel

Texto: Fernando Torres | Fotos: Pedro Vilela, Divulgação


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Só no papel: como deve ficar o Complexo Viário Sul

E não é que alça de Nova Lima ficou pronta? Inaugurada em 9 de junho, a Alça Sul liga a BR-356 à MG-030, desafogando entre 15% a 20% o tráfego da região do BH Shopping no sentido de Nova Lima, o equivalente a 6 a 7 mil veículos. Bastante anunciado, o empreendimento de 350 m de extensão e 7 m de largura ficou muito tempo no papel devido a entraves burocráticos, como a definição dos limites da Estação Ecológica do Cercadinho. Finalmente posto em prática, levou apenas 90 dias para ser entregue à população. “Os motoristas do Anel Rodoviário com destino a Nova Lima não precisam mais contornar o shopping, e quem vem das avenidas Nossa Senhora do Carmo ou Raja Gabaglia tem a opção de fazer o retorno pela trincheira do Extra”, descreve Gilmar Dias dos Santos, presidente da construtora EPO Engenharia, responsável pela obra.

Orçada em 1,5 milhão de reais, a alça demonstra ter uma boa relação custo-benefício, facilitando bastante a vida de quem trafega pela MG-030. A empresária Lala Coscarelli mora no residencial Vila Castela, pertencente a Nova Lima, e trabalha na região de Confins. No retorno para casa, pelo Anel Rodoviário, ela tem usado a alça diariamente e calcula que reduziu o tempo de trajeto em torno de 15 minutos. “Melhorar, melhorou, mas ainda é muito cedo para dizer se resolveu. A prova de fogo será na época do Natal”, diz.


Alça liga BR-356 à MG-030: desafogar o tráfego local
Alça liga BR-356 à MG-030: desafogar o tráfego local

Contudo, o verdadeiro congestionamento não está no sentido de Nova Lima. “Já cheguei a gastar mais de meia-hora de casa até o BH Shopping, um trecho de 3 km”, reclama Lala. A Alça Sul não aliviou em nada a rotina de quem faz esse caminho. “É apenas uma medida inicial. Precisamos exigir do poder público a obra viária completa para atender de fato às necessidades da população”, cobra Gilmar.

A obra tão aguardada é o Complexo Viário Sul, que inclui a construção de dois viadutos e uma trincheira entre a BR-356 e a MG-030. Mas apesar de a alça fazer parte do projeto, o dinheiro para a construção não saiu dos cofres públicos. Trata-se, na verdade, de uma medida compensatória atribuída à EPO Engenharia pela série de obras do Portal Sul, complexo que abriga a loja Leroy Merlin e, em breve, mais dois prédios comerciais – a propósito, a EPO também recuperou 100 mil m² de área degradada na região, com replantio de 4,5 mil mu­das de árvores, e construiu uma passarela de pedestres e ponto de ônibus com abrigo em frente à Le­roy. A iniciativa privada também está por trás do alargamento da praça Marcelo Goes Menicucci e da avenida Luís Paulo Franco, em torno do BH Shopping, que deve passar de duas para três pistas rumo ao Belvedere. Ambas também são medidas compensatórias conferidas ao shopping devido à expansão de cerca de cem lojas e não têm nada a ver com o Complexo Viário Sul.

Lala Coscarelli: “Ainda é cedo para saber se resolveu”
Lala Coscarelli: “Ainda é cedo para saber se resolveu”

As principais obras, portanto, continuam apenas no campo das ideias. Em outubro de 2009, a reportagem da Viver Brasil apurou que elas deveriam ter começado 8 em janeiro. O que aconteceu? “O poder público federal ainda não liberou a verba de 30 milhões de reais para a construção”, justifica o vereador Fred Costa, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Complexo Viário Sul. Já o superintendente do Departamento Na­cio­nal de Infraestrutura de Trans­portes (Dnit) de Minas Gerais, Sebastião Donizete, alega que foi detectada no fim de 2009 a presença de um posseiro na área em que a obra seria construída. “O problema acarretou atraso no processo e revisão de parte do projeto executivo, que atualmente está em Brasília para análise e aprovação.” Donizete diz que o edital de licitação deve ser lançado ainda em julho e o início das obras deve ocorrer até o fim do ano, com duração de 24 meses. O custo poderá ser repassado para a segunda fase do Programa de Aceleração do Cresci­mento (PAC 2). “Entendo que, se a verba não for liberada, a responsabilidade deve ser compartilhada pe­los governos federal, estadual e dos municípios de Belo Horizonte e Nova Lima”, declara o vereador Fred Costa.

Não está fácil esperar, já que essa é uma promessa que vem se arrastando há muito tempo. Que o diga o empresário José Renato Lara. Ele mora no condomínio Vila Del Rey, pertencente a Nova Lima, e trabalha no Belvedere, a poucos metros do BH Shopping. “Em horários de pico, costumo gastar cerca de 40 minutos no trajeto de cerca de 5 km rumo a Belo Horizonte. Com as obras do complexo, acredito que o tempo de percurso melhoraria bastante”, diz.

José Renato Lara: “Costumo gastar cerca de 40 minutos”
José Renato Lara: “Costumo gastar cerca de 40 minutos”

Se os empreendimentos de infraestrutura urbana caminham a passos lentos, o mesmo não pode se dizer das obras residenciais. Só no bairro Vila da Serra, mais de 30 torres de alto padrão estão em fase de acabamento. Isso sem falar na construção de novas casas nos condomínios fechados da região. “Caso o governo não execute projetos urbanísticos sérios com ur­gência, os bairros ficarão totalmente inviáveis”, preocupa-se Lala Coscarelli.

De fato, as soluções para o tráfego nunca passam apenas pela reforma do sistema viário. O engenheiro civil Silvestre de Andrade, especialista em trânsito, garante que a população irá sentir consideravelmente a diferença quando o Complexo Viário for inaugurado. “Mas, se a ocupação na região for muito grande, podem ser necessárias novas intervenções”, admite. Na verdade, a grande questão do trânsito passa pela melhoria do transporte público, incentivando as pessoas a deixar mais o carro na garagem – só na região, estima-se que circulem cerca de 30 mil veículos por dia. “O ideal seria ter espaços exclusivos para ônibus, o que garantiria a regularidade e o tempo de percurso”, aponta Silvestre. Enquanto isso não acontece, a sina é continuar a esperar – novamente, em filas imóveis de carros, carros e mais carros.


 
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