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Lazer
Silêncio lá fora, festa aqui dentro
Fone no ouvido, opção de escolher o ritmo de preferência e muita animação na pista: a novidade atende pelo nome de silent party e começa a ganhar as casas noturnas no Brasil
Texto: Fernando Torres | Fotos: Alexandre Brum, Cintia Sanchez
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 Escolha da música: se o DJ não agradar é só mudar de canal
Tudo começou no verão holandês de 2002, quando os amigos Nico Okkerse e Michael Minten organizaram uma balada inusitada para o festival de teatro Parade. Em vez de caixas de som, a música das pick-ups ia diretamente para fones de ouvidos sem fio distribuídos a todos os convidados. Era a primeira experiência de silent party, ou festa silenciosa, tendência mundial que está dando as caras no Brasil.
Quem inaugurou a moda por aqui foi o próprio Niko Okkerse, que hoje atende pelo codinome de NO DJ. Em São Paulo, durante a Virada Cultural de 2008, ele fez tremer 500 headphones na pista em frente ao Mosteiro São Bento, no largo São Bento, região central da cidade. O set incluiu tanto músicas clássicas remixadas quanto hard rock, hip hop, salsa e eletrônica, além de canções de Elvis Presley, Frank Sinatra, Jorge Ben, Cesaria Évora e até do grupo amazonense Carrapicho.
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Festa na boate Dama de Ferro, no Rio: cada um escuta o que quiser |
De lá pra cá, em 2010, a boate carioca Dama de Ferro, em Ipanema, saiu na frente e inseriu a festa Shh! Club Silêncio em sua programação semanal. Já em São Paulo, quem dá as cartas é o bar Sonique, com a balada mensal Nokia Silent Club. Por fim, a Beco Discoklub, em Porto Alegre (RS), teve em março a primeira experiência silenciosa e planeja a segunda edição para agosto. “São três festas em uma”, define a artista plástica Adriana Lima, sócia-proprietária da Dama de Ferro. Isso porque cada fone de ouvido tem três canais, geralmente pop, indie/ rock e eletrônica, comandados por DJs diferentes. “O clubber pode escolher o que quer ouvir e dançar. Se não estiver gostando, é só trocar de estação”, diz Adriana, empenhada em espalhar o silêncio pelo país. Em Belo Horizonte, ela já contatou a casa noturna Josefine/Roxy, mas sem nenhuma resposta oficial.
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Para quem nunca foi a uma festa silenciosa, a sensação é de que falta interação na pista. Não é o que dizem os silent dancers – sim, os frequentadores levam esse nome. “As festas têm linguagem diferente. A gente tende a usar mais o corpo, a tocar mais as pessoas”, entrega o designer gráfico Alberto Lins. Já o publicitário Luiz Monteiro admite que o headphone dificulta um pouco a comunicação, mas não acredita que prejudique a interatividade. “Se alguém quiser conversar, é só tirar o fone, sem precisar gritar. Além disso, todos indicam por gestos qual estação está bombando naquele momento”, conta.
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Mas, afinal de contas, por que uma balada silenciosa? “A ideia é que as pessoas possam interagir com vários temas musicais de forma diferente e vivenciar uma nova experiência envolvendo música e tecnologia”, explica o DJ Adrian Harley, gerente de música da Nokia, empresa que promove as festas no bar Sonique. Outra vantagem da silent party é evitar reclamações da vizinhança a respeito do som alto das festas sem perder a diversão.
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Bar Sonique, em São Paulo: animação silenciosa |
Em contrapartida, os baladeiros assíduos podem desenvolver danos à audição. “O ouvido humano não deve se expor a ruídos acima de cem decibéis por mais de uma hora diária. Isso leva inevitavelmente à surdez”, informa o otorrinolaringologista Rogério Araújo. Levando-se em conta que a música facilmente chega a essa potência, se a festa durar entre seis a sete horas, o ideal é abaixar o som para pelo menos 85 decibéis, já que o volume pode ser controlado. Não dá para marcar bobeira. “A perda de audição é lenta e progressiva, mas, depois de instalada, é irreversível”,diz Araújo.
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Vale lembrar que as silent parties também se associam aos flash mobs, mobilizações organizadas por internet, geralmente entre desconhecidos, com o intuito de reunir pessoas para algo inusitado. E quer flash mob mais autêntico do que uma balada silenciosa no metrô?! É a subway party, que toma conta dos trens metropolitanos de Nova Iorque, Londres e outras cidades. O modismo, claro, também se adaptou aos trópicos. No último verão, a praia do Arpoador e a lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, receberem grupos de pessoas com máscaras de macacos e fones de ouvidos para uma dança silenciosa ao pôr do sol.
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Seria exagero definir essa loucura como arte performática? Talvez, mas não deixa de ser uma espécie de intervenção urbana. De qualquer forma, é interessante ficar de fora, realmente em silêncio, observando a reação das pessoas. Ou, então, colocar o fone e se jogar na pista, sem preconceitos.
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Onde Dançar
Dama de Ferro (RJ)
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Rua Vinicius de Moraes, 288 Ipanema (21) 2247-2330
Sonique (SP)
Consolação (11) 2628-8707
Beco Diskoclub (Porto Alegre)
Moinho de Ventos (51) 3026-2126
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