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Esp. Conexão Empresarial III
Uma tarde com Dilma
Repórter acompanha bastidores da visita da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, a Tiradentes
Texto: Márcia Queirós | Fotos: Daniel de Cerqueira, Nélio Rodrigues, Pedro Vilela
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 Dilma abraça Tilden Santiago na chegada ao aeroporto de São João Del Rei
São quase 13 horas de uma tarde fria no Aeroporto Prefeito Octávio de Almeida Neves, em São João del Rei, quando a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT) entra no banheiro. Retoca a maquiagem, disfarçando as olheiras com base corretiva. Nessa hora, longe do cerco de políticos e assessores, pergunto-lhe se me concederia uma entrevista. Com voz afável, mas olhar indisfarçável de determinação e firmeza, Dilma diz logo que não. “Talvez depois da palestra em Tiradentes”, adianta. Insisto e puxo conversa.
A petista conta à repórter que visitara Tiradentes duas vezes, mas era a primeira como candidata a presidente. E nada de política. Pergunta sobre o frio na cidade, fala sobre o amor a Minas e ajeita a roupa: terno cinza de corte reto, lenço floral com predominância da cor alaranjada sobre as golas, sapatos baixos cinza e brinco dourado cravejado de pedras nas orelhas. No mais feminino dos universos – o banheiro de mulher –, Dilma reflete no espelho a imagem de uma senhora vaidosa, que nada lembra a figura da jovem guerrilheira dos anos 1960 ou da técnica despida de vaidade que integrara a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi com essa Dilma repaginada, de pele esticada e discurso enfático sobre os avanços do Brasil na era Lula, que os empresários do Conexão Empresarial estiveram frente a frente em Tiradentes. A passagem de Dilma pela região do Campo das Vertentes começa às 12h30, quando ela aterrissa no aeroporto de São João del Rei, na aeronave PT JAA, fretada, acompanhada de duas assessoras. Ao descer as escadas do avião, é recebida com aplausos.
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Dilma Rousseff durante coletiva de imprensa |
Políticos do cenário nacional, entre eles o candidato do PMDB ao governo de Minas, Hélio Costa, o ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB) e o candidato a senador pelo PT em Minas, Fernando Pimentel, anfitrionam Dilma. Junto a eles, lideranças regionais, como o prefeito de Tiradentes, Nílzio Barbosa (PMDB), e vereadores, além de políticos de Barbacena (reduto eleitoral de Costa). “Veja, Dilma, viajaram de Barbacena (a 64 quilômetros de São João) para vê-la”, diz Walfrido à candidata. Afável, ela retribui com sorrisos, abraços e adjetivos. E fotos, muitas fotos ao lado dos que foram recebê-la. A empresária Ângela Gutierrez, que chegara ao aeroporto minutos antes e não fazia parte do movimento político de recepção à Dilma, cumprimenta a petista. “Dilma, esta aqui é a presidente do comitê feminino da sua campanha em Minas”, brinca Walfrido ao se referir a Ângela, arrancando risos.
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Folheia a Viver Brasil ao lado de Paulo Cesar de Oliveira |
Terminada a sessão de afagos políticos, Dilma vai ao banheiro e depois viaja de carro seguida pelos políticos e assessores até Tiradentes. Na Pousada Pequena Tiradentes, onde acontece o evento, uma suíte presidencial é reservada à petista para toalete. “Pediram um apartamento simples pra ela (Dilma). Como a proprietária não estava e a responsabilidade ficou nas minhas mãos, fiz questão de reservar a melhor suíte da pousada. Sou fã dela”, confessa o funcionário Leonir Gonçalves. Dilma, no entanto, não chega a usar a suíte. Segue direto para almoço, onde é recebida pelo diretor-geral da VB Comunicação, Paulo Cesar de Oliveira.
No caminho até a mesa, é cercada por exército de jornalistas de várias regiões do país. Sem saída, Dilma se dirige, então, à área externa da pousada e, diante do empurra-empura, concede entrevista coletiva. Fala sobre a importância da aliança do PT com o PMDB nos estados, que, segundo ela, sustentou o segundo mandato do presidente Lula. Também defende a unidade do PT e, em cada brecha, enfatiza os avanços da era Lula. “O Brasil antes 8 de Lula não crescia, não empregava. Hoje o brasileiro tem comida na mesa e acesso a bens que antes jamais teria, como computador e celular”, diz.
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Durante palestra no Conexão Empresarial |
No mais feminino dos universos – o banheiro –, Dilma reflete no espelho a imagem de uma senhora vaidosa, que nada lembra a figura da jovem guerrilheira dos anos 1960
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Dilma, Pimentel e Hélio Costa a caminho do almoço na Pequena Tiradentes |
Perguntada sobre a participação no Conexão Empresarial, Dilma fala sobre a importância de fazer palestra para a classe empresarial e enfatiza o carinho por Minas. “Eu vivi olhando as montanhas no bairro Carmo (região Centro-Sul de Belo Horizonte). Brasília é um planalto. Para mim, é gratificante olhar as montanhas e lembrar a infância”, declara.
Conduzida pelos assessores, Dilma encerra a entrevista, de exatos 10 minutos, e segue para o almoço. Senta-se à mesa ao lado do jornalista Paulo Cesar de Oliveira e de Fernando Pimentel, amigo de juventude e um dos coordenadores de sua campanha. A pauta gira em torno de amenidades, como o prazer de voltar a Minas e a culinária. Dilma serve-se de prato à base de peixe, preparado pelo chef Cantídio Lanna. Sabendo que a presidenciável gosta de doces, Cantídio serviu de sobremesa pé de moleque e cocada, acompanhados de doce de leite e canudinho, da famosa doceira dona Gemma, de Santa Luzia (MG). Dilma diz que não pode, mas não resiste às guloseimas.
Vai depois ao banheiro, onde é cercada por mulheres. A repórter aproveita para solicitar a entrevista, mas a assessora intervém para que Dilma seguisse ao local da palestra. São quase três horas da tarde, a petista saúda a plateia, lê o discurso por uma hora sobre projetos para saúde, educação, combate à criminalidade, política para mulheres, reformas política e tributária ... Na abertura, troca o nome da cidade de Bias Fortes por Dias Fortes. Pede desculpas dizendo que todo bom mineiro jamais cometeria um deslize desse. Termina dizendo que fazer campanha é mais fácil que ser ministra. Despede-se mandando beijos e abraços.
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Tête-à-tête: Dilma, Pimentel, Walfrido e Wilson Brumer |
Dilma sai pela porta de trás da pousada para driblar jornalistas. A repórter corre atrás com a colega Terezinha Moreira, o carro à espera na porta. É a última chance, insisto de novo na entrevista, o fotógrafo a convida para fazer fotos na cidade. Ela responde que poderia ser ali mesmo sob um limoeiro. Dilma posa para fotos, cruza os braços, como celebridade. Começamos a entrevista, ela segue caminhando até o carro abraçada com as repórteres. Os assessores dizem que não dará mais tempo. Um compromisso aguarda a petista em Brasília.Entro no carro junto com Dilma, depois a colega Terezinha e o fotógrafo Nélio Rodrigues. Ninguém nos impede.
A entrevista exclusiva durou 30 minutos até São João del Rei. Dilma é uma mulher de poucos gestos e fala articulada. A voz altera. Fica firme, ao dizer que colocará em prática a Lei Maria da Penha. Torna-se doce quando é perguntada se é vaidosa. “É cíclico. Algumas fases da vida sim, outras não. Mas acho que todas as mulheres têm de se cuidar”, aconselha.
Depois de quase cinco horas de assédio de políticos, jornalistas e uma hora de palestra, Dilma assegura não estar cansada. Sobre o câncer linfático, conta que sofreu somente durante a quimioterapia. “Tudo está controlado”, garante puxando os cabelos para mostrar que o tratamento já não traz efeitos colaterais, como a queda dos fios. A van estaciona no aeroporto de São João, Dilma continua a discorrer sobre política às repórteres. Encerra para se despedir do amigo Walfrido Mares Guia, abraça as jornalistas desejando boa sorte. Fim de tarde. O sol começa a se pôr nas montanhas de Minas. Dilma mira o planalto.
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