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CulturaPaparazzi? Desde 1916Publicações especializadas em tratar da vida de celebridades surgiram lá trás, no início do século 20, nos moldes hollywoodianos
Texto: Raquel Ayres | Fotos: divulgação, Alexandre C. Mota
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Mas se você acha que a exposição disto tudo é recente, consequência dos 15 minutos de fama que cabe a cada um e da proliferação dos veículos ditos de fofocas, engana-se redondamente. Quem esteve na 5ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – Cineop –, em junho, pode saber que vem dos anos 20 a criação de uma das primeiras revistas a tratar da vida dos famosos no Brasil: a Cinearte, editada de 1926 a 1942. “A inspiração é a Photoplay norte-americana (1916), pioneira em perceber o interesse do público pela vida de atores e atrizes e a propagar a cultura do estrelismo. O modelo é Hollywood”, afirma o crítico e doutor em Estudos Cinematográficos pela New York University, João Luiz Vieira. Sob o comando de Adhemar Gonzaga (criador da companhia de cinema brasileiro, Cinédia, em 1930), Cinearte vai alavancar a produção cinematográfica nacional e internacional e um de seus pilares é a beleza: do corpo, dos trajes, das residências (lembra-lhe algo?).“Ann Harding estava encantadora e sua beleza loura, avaramente escondida pelas lentes das câmeras, contrastava lindamente com vestido de seda turquesa, com gola rendada em forma de V profundo.”Não faltavam fotos de Greta Garbo, de Alda Rios, Cláudio Montenegro e Lelita Rosa, atriz da produção nacional Lábios sem Beijos. Ensaio fotográfico realizado por grandes nomes, como o diretor Edgard Brasil. |
Peles impecáveis, cabelos perfeitos. Propagandas do creme Rugol e maquiagem Max Factor (novamente, não lhe parece familiar?).“Roupas e sapatos em detalhes. A Cinearte era uma revista extremamente visual. Apresentava os artistas em suas casas e também vestidos para pré-estreias. Numa delas, no cine Marabá, em São Paulo, para o lançamento de um filme da Vera Cruz, as fotos trazem atrizes de vison, como nos Estados Unidos”, comenta Vieira. Em suas páginas estão a atriz e diretora Carmen Santos de maiô na praia e as primeiras imagens de Oscarito. “Não havia moça que não desejasse ser artista de cinema – como hoje querem ser de TV – e não comprasse Cinearte”, lembra Alice Gonzaga, filha de Adhemar e hoje diretora da Cinédia. “Minha mãe, Didi Viana, que estava começando no cinema, recebia média de 2 mil cartas por mês quando aparecia na revista.” Ela lembra que a publicação tanto tinha seção de crítica cinematográfica quanto dedicada a roupas. E quando Rodolfo Valentino morreu, seus diretores organizaram uma missa de sétimo dia em homenagem ao astro. “As edições com foto dele saíam da gráfica direto para o largo da Carioca e esgotavam logo.” A revista tinha representantes em Hollywood. E dá-lhe fotos de cá e lá. “É o momento em que se divulga o belo, pois o Brasil está querendo acertar o passo com a modernidade”, explica a doutora em História Suzana de Souza Ferreira. E dá-lhe chamadas: Que vestidos! Que ambientes! É verdade que a Cinearte é o primeiro espaço de discussão a respeito do pensamento cinematográfico, “seja brasileiro ou demais cinematografias”, lembra Suzana. Mas ao ter o referencial norte-americano como guia, acabou também sendo a tataravó das mídias citadas no início da matéria e aparentada da espanhola !Hola!, da People e de tantas mais, que trazem, tintim por tintim o que queremos e até o que nem queremos tanto saber sobre nossos atores, atrizes, modelos, candidatos a BBBs e um sem-número de célebres preferidos. Basta virar a página seguinte. |