Quarta, 23 de Maio de 2012
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Crônica

Ação e Atração

Texto: Bruno Fernandes | Fotos: Arte: Paulo Werner


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Lamentar não adianta. Beber para esquecer também não. Rezar ajuda, mas não resolve. Se os objetivos não se concretizam, se a coisa não anda, o negócio é olhar para dentro, antes de responsabilizar o universo. Encontradas as travas? Pois bem, chorar a culpa não leva a nada. É melhor eliminar os problemas, quantos forem necessários, não importa a dor ou o trabalho (e vai dar trabalho).

Quer ter um corpo bonito, porém não malha. Quer ficar rico, mas sem pegar no pesado. Ela sonha com um marido íntegro e maduro para dividir o futuro, mas ainda não deixou de ser uma paquita da noite. De sua conversa, adornada por gestos e trejeitos afetados, não sai nada além de uma agenda de festas e prazeres fúteis a serem experimentados. O outro só casa se for com uma mulher inteligente, bonita, companheira e de valores, mas insiste em tratar todas como vagabundas e fazer o tipo malandrão: fútil, vulgar, fácil. Querem uma coisa, mas puxam outra. Repelem o alvo do desejo.

Mas os opostos não se atraem? No primeiro momento, superficialmente, talvez. Mas com a essência das coisas é diferente. Você atrai aquilo que você é. A postura aproxima, as palavras sinalizam e as atitudes, muitas vezes custosas, conquistam e sustentam, seja lá o que for: sucesso, saúde ou amor.

“Ah, mas quando é pra ser, não tem jeito.” Bobagem. O universo conspira, mas ele não faz depósitos bancários voluntários, não queima calorias e nem provoca orgasmos múltiplos. Tem que dar uma força, às vezes, uma grande força. Não existe sorte sem movimento.

E movimentar-se, muitas vezes, implica tomar outra direção. Repensar valores, cortar hábitos, gostos, vícios e até mesmo pessoas. Sem choro, nem dó. Deixar de partilhar os saudáveis sinais da intuição somente com o travesseiro ­– ao final de outro dia exatamente igual ao de ontem – e começar a formatar outra rotina. Criar uma atmosfera diferente em torno de si, repleta de oportunidades e riscos. Trocar a música, comida, ambiente, companhias e até mesmo o caminho para o trabalho.

Reinventar-se primeiro, antes de jogar os búzios, as cartas do tarô ou acender uma vela. Transformar-se naquilo que procura: algo ou alguém surpreendente, inusitado. Não por modismo ou fuga, mas por instinto e convicção. Sem medo do nariz torcido e do julgamento invejoso dos que não pisam fora da zona de conforto, por covardia, preguiça ou incompetência. Que se danem os acomodados e imaturos. Não existe amor ou amizade que justifique a estagnação mental e emocional. Muitos dos que estão aí para o que der e vier só querem companhia para continuar nadando na lama do atraso. Basta optar por um caminho distinto para ver quantos apoiarão ou mesmo respeitarão a nova escolha.

E são estes partidários da mesmice e do conformismo que, geralmente, distorcem o conceito de fé e espiritualidade para justificar a inércia e fugir da responsabilidade pela falta de atitude. Supervalorizam o misticismo e ignoram o fato de que a força das ações é que leva ao acaso. Se é que isso existe.


 
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