Quarta, 23 de Maio de 2012
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Cidades da Copa 2014

A ordem é fazer o dever de casa

Na reportagem que encerra a série com as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, abordamos Belo Horizonte e os maiores gargalos para que a capital mineira conquiste o direito de abrigar ou a abertura do mundial ou um jogo de peso

Texto: Terezinha Moreira e Vanessa de Cobucci | Fotos: Daniel de Cerqueira, Pedro Vilela, Victor Schwarner, divulgação


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Belo Horizonte está na briga para sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, mas seu principal objetivo é, um ano antes do maior evento do futebol mundial, ser um dos cinco palcos da Copa das Confederações. A competição antecede a Copa e, além de ser teste para a realização do mundial, em todos os aspectos, é uma maneira de colocar a capital mineira nos holofotes do planeta para atrair o maior número possível de turistas não somente no mundial, mas principalmente no período pós-Copa. Para conseguir sediar a Copa das Confederações, a ordem é fazer de tudo para que o Mineirão esteja pronto até o início de 2013. Um ponto a favor de Belo Horizonte é que, pelo menos no papel, as obras no estádio Magalhães Pinto estão previstas para serem concluídas em dezembro de 2012. Já a decisão da Fifa sobre a cidade que abrigará o jogo de abertura da Copa no Brasil acontecerá somente em 2013.

Enquanto a Fifa não bate o martelo sobre a Copa das Confe­de­rações, o trabalho é para que a cidade esteja pronta e realize um grande espetáculo para o mundo. A aposta é de que a capital dos mineiros terá participação com destaque no mundial. “Estamos seguros de que teremos papel relevante na Copa de 2014. Ou vamos ter a abertura, um jogo de semifinal ou da seleção brasileira”, assegura o presidente do Comitê Executivo das Copas pelo governo do estado, Tadeu Barreto. Ele diz que um dos principais problemas vivenciados por Belo Horizonte para a Copa do Mundo, principalmente para a abertura, é sua pequena rede hoteleira (leia na página 70), que não teria unidades suficientes para a busca tão expressiva em termos de hotéis de categoria superior.


Silvério Gonçalves: “Vamos remodelar os espaços de check-in
Silvério Gonçalves: “Vamos remodelar os espaços de check-in

Outra prova de fogo pela qual passará Belo Hori­zonte na Copa do Mundo será o principal aeroporto que serve a cidade, o Tancredo Neves, em Confins. Sua capacidade, para 6 milhões de passagei­ros por ano, está no limite. No ano passado, 5,7 milhões de pessoas embarcaram e desembarcaram lá. Nos horários de pico, por volta das 8 e das 19 horas, a situação fica complicada, já que no ae­roporto existe apenas uma sala de embarque e 15 slots (posições para parada de aeronaves no pátio). “O terminal de pas­sageiros até que suporta mais crescimento nos horários de pico, mas não temos mais slots nesses horários”, reconhece o superintendente do Aeroporto Interna­cio­nal Tan­cre­do Neves, Silvério Gon­­çal­ves. Há projetos para que o local pas­se a receber até 8 milhões de passageiros por ano já em 2014. Um dos principais gargalos do aeroporto era o estacionamento, cujas obras de am­plia­ção já foram concluídas, sendo que o espaço, com mais 1,5 mil va­gas, foi inaugurado em junho. O aeroporto passará por reformas gerais e ampliação das sa­las de processamento de passageiros. “Vamos fazer uma remodelagem dos espaços nas áreas de check-in para aumentar a capacidade, criar novo mix comercial, uma praça de alimentação no terraço, que quase não é utilizado, e ampliar a sala de passageiros”, diz Gon­çal­ves. De acordo com ele, no segundo semestre a Infraero irá fazer a licitação para contratar as obras de modernização do local. A pista de decolagem, com 3 mil metros, passará a ter 3,6 mil metros. Outra alteração será nos slots, que deverão dobrar de quantidade. “Tudo isso até 2013, início de 2014”, garante. Os investimentos em infraestrutura e na readequação do terminal de pas­sageiros deverão ser de 400 milhões de reais, sendo que a maioria virá do governo federal, que ainda não liberou recursos para nenhuma cidade-sede da Copa.

Aeroporto de Confins: projetos para receber 8 milhões de passageiros
Aeroporto de Confins: projetos para receber 8 milhões de passageiros

Se a Infraero garante que o aeroporto ficará pronto para a Copa, a ampliação das linhas de metrô na capital continua uma incógnita. “Ainda não há informação oficial nem de comprometimento, muito menos de liberação de recursos para as obras do metrô de Belo Horizonte, nem no PAC 1, nem no PAC 2”, assegura Tadeu Barreto. Para a expansão da linha 1, início de investimentos da linha 2, seriam necessários aproximadamente 4 bilhões de reais. Mas, enquanto o metrô não sai do papel, a aposta da mobilidade urbana é no Bus Rapid Transit. O BRT e as obras de mobilidade na capital demandarão investimentos de 1,026 bilhão de reais. O BRT será instalado nas avenidas Antônio Carlos, Pedro I (com duplicação em alguns trechos), Pedro II, Carlos Luz, Catalão e Cristiano Machado. “Algumas ruas do centro da cidade também serão adaptadas para receber o BRT. Os locais ainda estão sendo estudados”, diz o presidente do Comitê Gestor da Copa, pela prefeitura, Tiago Lacerda. Segundo ele, as obras de mobilidade da capital contemplam ainda a extensão do bulevar Arrudas do centro da cidade até o bairro Coração Eucarístico, nas proximidades da Pontifícia Uni­ver­si­dade Católica. Tam­bém estão previstas a criação da via 210, que fará ligação direta da via do Minério com a avenida Tereza Cristina, e da via 710, que ligará as avenidas Andradas e Cristiano Machado. “As obras de mobilidade começarão no início deste segundo semestre”, garante Tiago Lacerda. Ele diz que a previsão é de que todas as obras de mobilidade estejam concluídas em 2013 para que a cidade possa ser uma das sedes da Copa das Confederações.

Congestionamento na Cristiano Machado: um dos problemas
Congestionamento na Cristiano Machado: um dos problemas

Para que isto aconteça, outra obra que precisa ficar pronta será a do estádio Ma­galhães Pinto. Ao todo, serão investidos 652 milhões de reais. O novo Mineirão terá lugar para 69 mil espectadores e passará por mudanças consideráveis que o tornarão um dos estádios mais modernos do mundo. As obras serão executadas por empresas privadas, que administrarão o estádio por 25 anos. Outra questão que terá relevância na Copa do Mundo será a segurança. Para oferecer condições de garantir isto aos torcedores, as polícias Civil e Militar, além do Corpo de Bombeiros, estão definindo os responsáveis internamente, que serão preparados para atuar na Copa, em especial os serviços de inteligência.

Para Tadeu Barreto, o principal desafio do Brasil para a Copa de 2014 é a governança de todos os investimentos necessários no país para se realizar o evento. “É preciso montar uma administração competente entre o governo federal, os estaduais e as prefeituras das cidades-sede para possibilitar que estes investimentos aconteçam nos prazos”, assevera Tadeu Barreto. “Uma copa bem realizada vai reforçar a imagem positiva do Brasil lá fora, que vem sendo construída nas duas últimas décadas”, afirma. É isso que todos os brasileiros querem, torcem e esperam que aconteça.

Os dois lados da moeda

De goleada

O Estádio

  • O novo Mineirão será um dos estádios mais modernos do mundo. O local terá capacidade para 69 mil pessoas e demandará investimentos de 652 milhões de reais. O estádio terá administração compartilhada entre o concessionário que investirá no local, América, Atlético e Cruzeiro, por 25 anos

Turismo

  • O Circuito Cultural Praça da Liberdade, que deverá ser concluído antes da Copa do Mundo, é uma das apostas dos organizadores locais da competição para atrair turistas à capital. Os organizadores também esperam que as cidades históricas e as belezas naturais do entorno de BH sejam atrativos turísticos

Gatronomia

  • Belo Horizonte é a capital nacional dos botecos. E é normalmente nos bares que os torcedores prolongam as comemorações do futebol. Portanto, boas opções não vão faltar para os mais exigentes turistas, principalmente para os que curtem o melhor da música brasileira. Além de bares, a cidade também possui bons restaurantes

Hospitalidade

  • A tradicional hospitalidade dos mineiros será um dos diferenciais de Belo Horizonte na Copa do Mundo de 2014

Na retranca

Hotéis

  • Belo Horizonte não possui nenhum hotel de padrão superior com 400 leitos, conforme exige a Fifa para abrigar a abertura da Copa do Mundo. A rede hoteleira da capital também é insuficiente para atender toda a demanda gerada pela competição. Este talvez seja um dos principais gargalos da capital

Trânsito

  • A cidade enfrenta, diariamente, principalmente nos horários de picos, congestionamentos nas vias de acesso às regiões norte e sul. O número de veículos na capital supera 1,3 milhão de unidades, o que torna o trânsito mais complicado. As linhas de metrô não atendem às necessidades dos usuários. Há problemas também no sistema de ônibus

Aeroporto

  • O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, opera no limite de sua capacidade, de 6 milhões de passageiros/ano. Há projetos de expansão do local, com investimentos de 400 milhões de reais, mas até o momento o governo federal, que será o maior responsável pelos recursos, ainda não liberou um centavo para nenhuma cidade-sede da Copa visando às obras estruturais

Raixo X do Mineirão

  • Capacidade total: 69 mil lugares
  • Assentos cedidos aos clubes (América, Atlético e Cruzeiro): 54 mil
  • Assentos cedidos ao estado e à concessionária: 15 mil
  • Capacidade do estacionamento: 4.100 vagas
  • Administração do estádio: será compartilhada entre o concessionário e os clubes de Belo Horizonte
  • O concessionário administrará o estádio por 25 anos

Investimentos no Mineirão

Fonte: Tadeu Barreto 

  • Total: 652 milhões de reais
  • No estádio: 370 milhões de reais
  • No entorno do estádio (esplanada, passarela e estacionamento): 238 milhões de reais
  • No início da operação: 44 milhões de reais
     
Perspectiva do Site Afonso Pena: 504 apartamentos
Perspectiva do Site Afonso Pena: 504 apartamentos

Calcanhar de Aquiles?

Apesar de ser considerado o principal gargalo da cidade para sediar o mundial 2014, o setor hoteleiro de BH promete: não vão faltar leitos

Embora a imprensa nacional tenha destacado nos últimos meses que o calcanhar de aquiles da capital mineira para abrir a  Copa de 2014 seja a rede hoteleira, devido à falta de leitos na categoria luxo, a realidade é bem diferente. Pelo menos é o que afirma a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ho­téis de Minas Gerais (ABIH) Silvania Ca­pa­nema. Para ela, trata-se de pura es­peculação de empresários de estados que não querem perder a chance de sediar os eventos. “A Fifa exige condições de infraestrutura e conforto para hóspedes internacionais, com qualidade, num mínimo de 4,5 mil leitos. Tenho recebido nos últimos dois anos a Comissão da Fifa, e eles só elogiam nossa cidade em todos os quesitos. Temos plena oferta de leitos para atender à Copa do Mundo até mesmo se ela ocorresse hoje.”

O presidente do Comitê Executivo das Copas pelo governo do estado, Tadeu Bar­reto, não concorda e diz que um dos principais problemas de Belo Horizonte para a Copa do Mundo, principalmente para a abertura, é mesmo sua pequena rede hote­leira, que não teria unidades suficientes para atender a uma demanda tão expressiva quanto a gerada por um Mundial, em termos de hotéis de categoria superior. Mas Barreto afirma que a cidade conseguirá atender à demanda até 2014. No caso da abertura, a entidade exige pelo menos um hotel de categoria superior com 400 leitos, o que Belo Horizonte não tem.

Oscar Ferreira: “O que encarece é a escassez de bons terrenos”
Oscar Ferreira: “O que encarece é a escassez de bons terrenos”

De acordo com o presidente do Comitê Gestor da Copa pela prefeitura, Tiago La­cer­da, o órgão, em parceria com o comitê estadual, entregou relatório completo à Con­federação Brasileira de Futebol (CBF) em que apresenta todas as ampliações e modernizações da rede hoteleira da capital. “Precisamos disponibilizar para a Fifa quatro hotéis de alto padrão, para hospedagem do quadro da Fifa, de seus parceiros e os outros dois para as delegações das seleções que jogarão na cidade”, ressalta Lacerda. Ele diz que desde a Copa da Alemanha, em 2006 ficou calculado que a rede hoteleira deve ter quantidade de leitos que chegue a 40% da capacidade do estádio. Como o Mineirão deverá ter 69 mil lugares, serão necessários cerca de 28 mil leitos em um raio de 100 km de Belo Horizonte. No entanto, de acordo com Lacerda, Belo Horizonte não terá problemas para se chegar a este número, já que neste raio existem 24 mil leitos. “Alcan­ça­remos os outros 4 mil com extrema facilidade, pois há várias conversas de investimentos em hotéis, na prefeitura. Não posso adiantar os nomes dos investidores, mas são esperados 15 novos hotéis de alto padrão em BH até 2014”, garante.

Capanema reforça que ao todo, são 21 projetos de novos hotéis em andamento, sendo que sete estão em fase de construção e finalização, e os demais aguardam a aprovação da nova lei de uso e ocupação do solo para serem iniciados. “Com esses novos empreendimentos vamos ter o incremento de cerca de 6 mil leitos.” A nova lei traz algumas exigências, como a de que o hotel construído para a Copa deve funcionar durante 10 anos. “Para que esses empre­endimentos não corram o risco de não terem demanda de hóspedes, faz-se urgente que BH construa ou adapte imóveis para uso cultural e empresarial. O Expominas está saturado, precisamos de outro empreendimento des­se porte, e no mínimo, de outras 4 ou 5 Serrarias Souza Pinto. A vocação da cidade é o turismo de eventos e negócios, só que estamos perdendo eventos devido à falta de opções de bons equipamentos”, diz Silvania Capanema.

Tiago Lacerda: “Alcançaremos os 4 mil novos leitos com facilidade”
Tiago Lacerda: “Alcançaremos os 4 mil novos leitos com facilidade”

Além da construção de novos hotéis, outra alternativa para hospedagem de turistas seria a Vila da Copa, na região do córrego Isidoro, ao Norte da cidade. A ideia é construir um condomínio capaz de gerar de 3 mil a 4 mil leitos, que seriam utilizados durante a Copa do Mundo e depois entregue a seus compradores. No local haverá restaurantes, lavanderia, área de entretenimento. O projeto foi aprovado na Câmara, mas ainda não há empresas interessadas em construí-la.

São muitas propostas e ideias. Mas há tempo para a concretização de todos eles? Com experiência de 40 anos desenvolvendo projetos para hotéis de médio e grande portes, o arquiteto Oscar Ferreira diz que há tempo de sobra para se construir hotéis na cidade. “Basta dinheiro. O que encarece o empreendimento é a compra e escassez de bons terrenos em lugares já muito adensados, como a Savassi, Funcionários ou Lourdes.” Atualmente, Ferreira assina dois projetos do Grupo Maio/Paranasa em parceria com a Rede Accor: o Ibis-Savassi, em obras desde 2009, que terá 208 apartamentos e será inaugurado no primeiro semestre de 2011; e o Site Afonso Pena, no Funcio­ná­rios, que terá uma torre do Ibis, com 204 apartamentos, e outra torre do Formule 1, com 300. A previsão de conclusão das obras é fevereiro de 2013. Ferreira ainda assina outra obra, da cons­trutora Concreto, no Lourdes, um hotel de luxo, categoria 5 estrelas, que terá 10 andares e 70 quartos, ainda sem bandeira definida. Para se ter ideia do alto valor de lotes em áreas nobres, só a compra do terreno do Ibis-Savassi custou 18 milhões de reais, sendo que a obra do hotel, pronto para funcionar, custará mais 25 milhões aos investidores.

Segundo o arquiteto, além do dinheiro, é preciso haver coragem e planejamento pautado em conhecimento de mercado pa­ra que não se corra o risco de ter um hotel que após a Copa se torne elefante bran­co. “Há pessoas que falam na construção  na região do Mineirão, en­fim, em áreas fora do eixo Centro-Sul. Acho complicado, pois há outros fatores envolvidos, como distância, trânsito, baixa oferta de serviços nessa área. Depois da Copa, será que esses empreendimentos continuariam atrativos?”, questiona o arquiteto.

Hipérides Ateniense: projetos para centro de convenções
Hipérides Ateniense: projetos para centro de convenções

Procuram-se parceiros

Pacote de investimentos lançado pela prefeitura de Belo Horizonte prevê obras de vulto na cidade, mas necessita da iniciativa privada para o pontapé inicial

Copa do Mundo de 2014, além de divulgar a capital mineira para todo o planeta, será um grande benefício para a população, com a geração de emprego e principalmente por causa dos investimentos em infraestrutura, que já começaram a acontecer. Além de obras já anunciadas, como a reforma pela qual passará o Mi­neirão, serão feitas melhorias na mobilidade urbana. O último chu­te a gol nesse sentido foi um pacote de investimentos lançado recentemente pela prefeitura de Belo Horizonte, que procura, por meio de parcerias com a iniciativa privada, empresas para erguer algumas obras e depois administrá-las por determinado tem­po.

O pacote de investimentos da prefeitura prevê a construção de um centro de convenções, de estacionamentos subterrâneos na área central da cidade, do Terminal Rodoviário São Gabriel, de estações de integração dos ônibus do Bus Rapid Transit (BRT), do hospital metropolitano do Barreiro, além da modernização do Mercado Distrital do Cruzeiro. A prefeitura ainda não tem o estudo de viabilidade econômico-financeira de todos os projetos, nem mesmo os prováveis investidores, mas a expectativa é a melhor possível com relação à finalização de todas essas obras antes do início da Copa do Mundo de 2014.

Como a expectativa da prefeitura de BH é atrair investidores privados para todos os empreendimentos, foi lançado recentemente o procedimento de manifestação de interesse para a construção do centro de convenções, que será instalado na avenida Cristiano Machado, próximo ao Minas Shopping. “Este empreendimento visa atender a uma necessidade de Belo Horizonte que não tem centro de convenções, mas também à Copa, em função de ser acoplado a uma área de feira e a um business center”, explica o secretário-adjunto de Gestão Administrativa da PBH, Hipérides Ateniense.

Outra obra que está incluída no pacote de investimentos é o Mercado Distrital do Cruzeiro, que apresenta alguns problemas. O terreno é da prefeitura, mas está subutilizado e lei municipal prevê processo de parceria para a melhoria da área, desde que os feirantes sejam mantidos no local. A expectativa é de que o mercado seja transformado em uma grande área de con­vivência, de gastronomia e de compras, com melhor aproveitamento da edificação. O projeto do Mer­cado do Cruzeiro prevê também a reestruturação do parque Amilcar Martins e a criação de estacionamento no quarteirão, que também abriga uma universidade privada e sofre com excesso de veículos nas ruas nos horários de pico. “Esta­mos buscando soluções junto à comunidade”, diz Ateniense.

A coordenação dos projetos de construção do terminal rodoviário São Gabriel, das estações do BRT (leia na página 66) e dos estacionamentos subterrâneos está a cargo da BHTrans. De acordo com o diretor de Planeja­men­to do órgão, Celio Freitas, o terminal rodo­viário deverá demandar investimentos de 100 milhões de reais, sendo que 40 milhões serão usados na desapropriação de imóveis nas imediações e o restante para a construção da rodoviária, com complexo comercial e um hotel. A licitação deve ser publicada em setembro. Com relação aos estacionamentos subterrâneos, Frei­tas diz que está sendo feita pesquisa de mercado sobre a demanda por este serviço na Sa­vassi, na área hospitalar, no centro, no Barro Preto e na região da Assembleia. O próximo passo será o teste de sondagem no solo. Após este estudo é que deverá ser licitado, o que poderá ocorrer até o início de 2011. Serão geradas de 200 a 400 vagas por estacionamento.

Para desenvolver alguns projetos, a prefeitura firmou convênio com o Banco Nacional de De­­senvolvimento Econômico e Social (BNDES), que apontará a viabilidade técnico-econômica do Hospital Metropolitano do Bar­reiro, do conjunto de garagens subterrâneas e da rodoviária São Gabriel. “A concretização desses projetos ocorrerá dentro das leis federais de PPP ou de concessão simples. A licitação deverá ocorrer no máximo até o início de 2011”, informa o secretário-adjunto de Gestão Admi­nistrativa. Já o Mer­ca­do Distrital do Cruzeiro e o centro de convenções terão seus projetos de viabilidade econômico-financeira no segundo semestre deste ano.

Estes dois estudos estão sendo feitos pelo Banco de Desen­vol­vimento de Minas Gerais (BDMG), por meio de convênio de cooperação técnica, assinado com a prefeitura. “No caso do centro de convenções já existe um escopo arquitetônico definido. O valor do investimento deve variar de 200 milhões a 250 milhões de reais. Belo Horizonte tem carência de espaço como este. O Expominas, que é um centro de feiras, tem sido adaptado como centro de convenções”, avalia o superintendente do BDMG, Saulo Marques Cerqueira, que ressalta a sintonia e integração da instituição com a PBH. Para o presidente do BDMG, Paulo Paiva, a prefeitura está fazendo esforço enorme de investimentos, não somente visando à Copa do Mundo, mas a tendo como oportunidade para se investir no município. “O BDMG dará apoio a estes investimentos para viabilizar algumas PPPs”, ressalta.

Como ainda não há todas as informações necessárias sobre os projetos que compõem o pacote de investimentos da prefeitura, é impossível avaliar o nível total de recursos e quanto cada empreendimento poderá dar de retorno, por ano, aos seus futuros administradores. Também não está definido o tempo de exploração de cada empreendimento, mas este período deverá variar de 15 a 30 anos, não podendo ser prorrogá­vel. A expectativa da prefeitura é de que as obras previstas, quando concretizadas, acabem com alguns gargalos da cidade. A população agradece!

Investimentos

Obras do pacote de investimentos da PBH

  • Centro de convenções: Será instalado na avenida Cristiano Machado, próximo ao Minas Shopping. Terá também área de feira e business center
  • Mercado Distrital do Cruzeiro: O local passará por reestruturação, sendo mantidos os feirantes. A ideia é transformá-lo em uma grande área de convivência, de gastronomia e de compras, com melhor aproveitamento da edificação. As melhorias atingirão o parque Amilcar Martins
  • Terminal Rodoviário São Gabriel: Demandará investimentos de 100 milhões de reais. Além da rodoviária, serão construídos complexo comercial e hotel no local
  • Estacionamentos subterrâneos: Estão em estudos na Savassi, região hospitalar, centro, Barro Preto e na região da Assembleia. Cada estacionamento vai gerar de 200 a 400 vagas
  • Hospital Metropolitano do Barreiro: Deverá ter investimentos de 150 milhões de reais e desafogará o atendimento de saúde naquela região
  • Estações do BRT: Serão construídas nas avenidas Pedro 2º, Antônio Carlos, Pedro 1º e na vila São José, nos mesmos moldes da estação do Barreiro, com complexo comercial
         

Fonte: PBH


 
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