|
Cidades da Copa 2014A ordem é fazer o dever de casaNa reportagem que encerra a série com as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, abordamos Belo Horizonte e os maiores gargalos para que a capital mineira conquiste o direito de abrigar ou a abertura do mundial ou um jogo de peso
Texto: Terezinha Moreira e Vanessa de Cobucci | Fotos: Daniel de Cerqueira, Pedro Vilela, Victor Schwarner, divulgação
|
Outra prova de fogo pela qual passará Belo Horizonte na Copa do Mundo será o principal aeroporto que serve a cidade, o Tancredo Neves, em Confins. Sua capacidade, para 6 milhões de passageiros por ano, está no limite. No ano passado, 5,7 milhões de pessoas embarcaram e desembarcaram lá. Nos horários de pico, por volta das 8 e das 19 horas, a situação fica complicada, já que no aeroporto existe apenas uma sala de embarque e 15 slots (posições para parada de aeronaves no pátio). “O terminal de passageiros até que suporta mais crescimento nos horários de pico, mas não temos mais slots nesses horários”, reconhece o superintendente do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, Silvério Gonçalves. Há projetos para que o local passe a receber até 8 milhões de passageiros por ano já em 2014. Um dos principais gargalos do aeroporto era o estacionamento, cujas obras de ampliação já foram concluídas, sendo que o espaço, com mais 1,5 mil vagas, foi inaugurado em junho. O aeroporto passará por reformas gerais e ampliação das salas de processamento de passageiros. “Vamos fazer uma remodelagem dos espaços nas áreas de check-in para aumentar a capacidade, criar novo mix comercial, uma praça de alimentação no terraço, que quase não é utilizado, e ampliar a sala de passageiros”, diz Gonçalves. De acordo com ele, no segundo semestre a Infraero irá fazer a licitação para contratar as obras de modernização do local. A pista de decolagem, com 3 mil metros, passará a ter 3,6 mil metros. Outra alteração será nos slots, que deverão dobrar de quantidade. “Tudo isso até 2013, início de 2014”, garante. Os investimentos em infraestrutura e na readequação do terminal de passageiros deverão ser de 400 milhões de reais, sendo que a maioria virá do governo federal, que ainda não liberou recursos para nenhuma cidade-sede da Copa. |
Se a Infraero garante que o aeroporto ficará pronto para a Copa, a ampliação das linhas de metrô na capital continua uma incógnita. “Ainda não há informação oficial nem de comprometimento, muito menos de liberação de recursos para as obras do metrô de Belo Horizonte, nem no PAC 1, nem no PAC 2”, assegura Tadeu Barreto. Para a expansão da linha 1, início de investimentos da linha 2, seriam necessários aproximadamente 4 bilhões de reais. Mas, enquanto o metrô não sai do papel, a aposta da mobilidade urbana é no Bus Rapid Transit. O BRT e as obras de mobilidade na capital demandarão investimentos de 1,026 bilhão de reais. O BRT será instalado nas avenidas Antônio Carlos, Pedro I (com duplicação em alguns trechos), Pedro II, Carlos Luz, Catalão e Cristiano Machado. “Algumas ruas do centro da cidade também serão adaptadas para receber o BRT. Os locais ainda estão sendo estudados”, diz o presidente do Comitê Gestor da Copa, pela prefeitura, Tiago Lacerda. Segundo ele, as obras de mobilidade da capital contemplam ainda a extensão do bulevar Arrudas do centro da cidade até o bairro Coração Eucarístico, nas proximidades da Pontifícia Universidade Católica. Também estão previstas a criação da via 210, que fará ligação direta da via do Minério com a avenida Tereza Cristina, e da via 710, que ligará as avenidas Andradas e Cristiano Machado. “As obras de mobilidade começarão no início deste segundo semestre”, garante Tiago Lacerda. Ele diz que a previsão é de que todas as obras de mobilidade estejam concluídas em 2013 para que a cidade possa ser uma das sedes da Copa das Confederações. |
Para que isto aconteça, outra obra que precisa ficar pronta será a do estádio Magalhães Pinto. Ao todo, serão investidos 652 milhões de reais. O novo Mineirão terá lugar para 69 mil espectadores e passará por mudanças consideráveis que o tornarão um dos estádios mais modernos do mundo. As obras serão executadas por empresas privadas, que administrarão o estádio por 25 anos. Outra questão que terá relevância na Copa do Mundo será a segurança. Para oferecer condições de garantir isto aos torcedores, as polícias Civil e Militar, além do Corpo de Bombeiros, estão definindo os responsáveis internamente, que serão preparados para atuar na Copa, em especial os serviços de inteligência. Para Tadeu Barreto, o principal desafio do Brasil para a Copa de 2014 é a governança de todos os investimentos necessários no país para se realizar o evento. “É preciso montar uma administração competente entre o governo federal, os estaduais e as prefeituras das cidades-sede para possibilitar que estes investimentos aconteçam nos prazos”, assevera Tadeu Barreto. “Uma copa bem realizada vai reforçar a imagem positiva do Brasil lá fora, que vem sendo construída nas duas últimas décadas”, afirma. É isso que todos os brasileiros querem, torcem e esperam que aconteça. |
Os dois lados da moedaDe goleada
O Estádio
Turismo
Gatronomia
Hospitalidade
Na retranca
Hotéis
Trânsito
Aeroporto
|
Raixo X do Mineirão
Investimentos no Mineirão Fonte: Tadeu Barreto
|
Calcanhar de Aquiles?Apesar de ser considerado o principal gargalo da cidade para sediar o mundial 2014, o setor hoteleiro de BH promete: não vão faltar leitosEmbora a imprensa nacional tenha destacado nos últimos meses que o calcanhar de aquiles da capital mineira para abrir a Copa de 2014 seja a rede hoteleira, devido à falta de leitos na categoria luxo, a realidade é bem diferente. Pelo menos é o que afirma a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH) Silvania Capanema. Para ela, trata-se de pura especulação de empresários de estados que não querem perder a chance de sediar os eventos. “A Fifa exige condições de infraestrutura e conforto para hóspedes internacionais, com qualidade, num mínimo de 4,5 mil leitos. Tenho recebido nos últimos dois anos a Comissão da Fifa, e eles só elogiam nossa cidade em todos os quesitos. Temos plena oferta de leitos para atender à Copa do Mundo até mesmo se ela ocorresse hoje.” O presidente do Comitê Executivo das Copas pelo governo do estado, Tadeu Barreto, não concorda e diz que um dos principais problemas de Belo Horizonte para a Copa do Mundo, principalmente para a abertura, é mesmo sua pequena rede hoteleira, que não teria unidades suficientes para atender a uma demanda tão expressiva quanto a gerada por um Mundial, em termos de hotéis de categoria superior. Mas Barreto afirma que a cidade conseguirá atender à demanda até 2014. No caso da abertura, a entidade exige pelo menos um hotel de categoria superior com 400 leitos, o que Belo Horizonte não tem. |
De acordo com o presidente do Comitê Gestor da Copa pela prefeitura, Tiago Lacerda, o órgão, em parceria com o comitê estadual, entregou relatório completo à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em que apresenta todas as ampliações e modernizações da rede hoteleira da capital. “Precisamos disponibilizar para a Fifa quatro hotéis de alto padrão, para hospedagem do quadro da Fifa, de seus parceiros e os outros dois para as delegações das seleções que jogarão na cidade”, ressalta Lacerda. Ele diz que desde a Copa da Alemanha, em 2006 ficou calculado que a rede hoteleira deve ter quantidade de leitos que chegue a 40% da capacidade do estádio. Como o Mineirão deverá ter 69 mil lugares, serão necessários cerca de 28 mil leitos em um raio de 100 km de Belo Horizonte. No entanto, de acordo com Lacerda, Belo Horizonte não terá problemas para se chegar a este número, já que neste raio existem 24 mil leitos. “Alcançaremos os outros 4 mil com extrema facilidade, pois há várias conversas de investimentos em hotéis, na prefeitura. Não posso adiantar os nomes dos investidores, mas são esperados 15 novos hotéis de alto padrão em BH até 2014”, garante. Capanema reforça que ao todo, são 21 projetos de novos hotéis em andamento, sendo que sete estão em fase de construção e finalização, e os demais aguardam a aprovação da nova lei de uso e ocupação do solo para serem iniciados. “Com esses novos empreendimentos vamos ter o incremento de cerca de 6 mil leitos.” A nova lei traz algumas exigências, como a de que o hotel construído para a Copa deve funcionar durante 10 anos. “Para que esses empreendimentos não corram o risco de não terem demanda de hóspedes, faz-se urgente que BH construa ou adapte imóveis para uso cultural e empresarial. O Expominas está saturado, precisamos de outro empreendimento desse porte, e no mínimo, de outras 4 ou 5 Serrarias Souza Pinto. A vocação da cidade é o turismo de eventos e negócios, só que estamos perdendo eventos devido à falta de opções de bons equipamentos”, diz Silvania Capanema. |
Além da construção de novos hotéis, outra alternativa para hospedagem de turistas seria a Vila da Copa, na região do córrego Isidoro, ao Norte da cidade. A ideia é construir um condomínio capaz de gerar de 3 mil a 4 mil leitos, que seriam utilizados durante a Copa do Mundo e depois entregue a seus compradores. No local haverá restaurantes, lavanderia, área de entretenimento. O projeto foi aprovado na Câmara, mas ainda não há empresas interessadas em construí-la. São muitas propostas e ideias. Mas há tempo para a concretização de todos eles? Com experiência de 40 anos desenvolvendo projetos para hotéis de médio e grande portes, o arquiteto Oscar Ferreira diz que há tempo de sobra para se construir hotéis na cidade. “Basta dinheiro. O que encarece o empreendimento é a compra e escassez de bons terrenos em lugares já muito adensados, como a Savassi, Funcionários ou Lourdes.” Atualmente, Ferreira assina dois projetos do Grupo Maio/Paranasa em parceria com a Rede Accor: o Ibis-Savassi, em obras desde 2009, que terá 208 apartamentos e será inaugurado no primeiro semestre de 2011; e o Site Afonso Pena, no Funcionários, que terá uma torre do Ibis, com 204 apartamentos, e outra torre do Formule 1, com 300. A previsão de conclusão das obras é fevereiro de 2013. Ferreira ainda assina outra obra, da construtora Concreto, no Lourdes, um hotel de luxo, categoria 5 estrelas, que terá 10 andares e 70 quartos, ainda sem bandeira definida. Para se ter ideia do alto valor de lotes em áreas nobres, só a compra do terreno do Ibis-Savassi custou 18 milhões de reais, sendo que a obra do hotel, pronto para funcionar, custará mais 25 milhões aos investidores. Segundo o arquiteto, além do dinheiro, é preciso haver coragem e planejamento pautado em conhecimento de mercado para que não se corra o risco de ter um hotel que após a Copa se torne elefante branco. “Há pessoas que falam na construção na região do Mineirão, enfim, em áreas fora do eixo Centro-Sul. Acho complicado, pois há outros fatores envolvidos, como distância, trânsito, baixa oferta de serviços nessa área. Depois da Copa, será que esses empreendimentos continuariam atrativos?”, questiona o arquiteto. |
Procuram-se parceirosPacote de investimentos lançado pela prefeitura de Belo Horizonte prevê obras de vulto na cidade, mas necessita da iniciativa privada para o pontapé inicialCopa do Mundo de 2014, além de divulgar a capital mineira para todo o planeta, será um grande benefício para a população, com a geração de emprego e principalmente por causa dos investimentos em infraestrutura, que já começaram a acontecer. Além de obras já anunciadas, como a reforma pela qual passará o Mineirão, serão feitas melhorias na mobilidade urbana. O último chute a gol nesse sentido foi um pacote de investimentos lançado recentemente pela prefeitura de Belo Horizonte, que procura, por meio de parcerias com a iniciativa privada, empresas para erguer algumas obras e depois administrá-las por determinado tempo. O pacote de investimentos da prefeitura prevê a construção de um centro de convenções, de estacionamentos subterrâneos na área central da cidade, do Terminal Rodoviário São Gabriel, de estações de integração dos ônibus do Bus Rapid Transit (BRT), do hospital metropolitano do Barreiro, além da modernização do Mercado Distrital do Cruzeiro. A prefeitura ainda não tem o estudo de viabilidade econômico-financeira de todos os projetos, nem mesmo os prováveis investidores, mas a expectativa é a melhor possível com relação à finalização de todas essas obras antes do início da Copa do Mundo de 2014. Como a expectativa da prefeitura de BH é atrair investidores privados para todos os empreendimentos, foi lançado recentemente o procedimento de manifestação de interesse para a construção do centro de convenções, que será instalado na avenida Cristiano Machado, próximo ao Minas Shopping. “Este empreendimento visa atender a uma necessidade de Belo Horizonte que não tem centro de convenções, mas também à Copa, em função de ser acoplado a uma área de feira e a um business center”, explica o secretário-adjunto de Gestão Administrativa da PBH, Hipérides Ateniense. Outra obra que está incluída no pacote de investimentos é o Mercado Distrital do Cruzeiro, que apresenta alguns problemas. O terreno é da prefeitura, mas está subutilizado e lei municipal prevê processo de parceria para a melhoria da área, desde que os feirantes sejam mantidos no local. A expectativa é de que o mercado seja transformado em uma grande área de convivência, de gastronomia e de compras, com melhor aproveitamento da edificação. O projeto do Mercado do Cruzeiro prevê também a reestruturação do parque Amilcar Martins e a criação de estacionamento no quarteirão, que também abriga uma universidade privada e sofre com excesso de veículos nas ruas nos horários de pico. “Estamos buscando soluções junto à comunidade”, diz Ateniense. A coordenação dos projetos de construção do terminal rodoviário São Gabriel, das estações do BRT (leia na página 66) e dos estacionamentos subterrâneos está a cargo da BHTrans. De acordo com o diretor de Planejamento do órgão, Celio Freitas, o terminal rodoviário deverá demandar investimentos de 100 milhões de reais, sendo que 40 milhões serão usados na desapropriação de imóveis nas imediações e o restante para a construção da rodoviária, com complexo comercial e um hotel. A licitação deve ser publicada em setembro. Com relação aos estacionamentos subterrâneos, Freitas diz que está sendo feita pesquisa de mercado sobre a demanda por este serviço na Savassi, na área hospitalar, no centro, no Barro Preto e na região da Assembleia. O próximo passo será o teste de sondagem no solo. Após este estudo é que deverá ser licitado, o que poderá ocorrer até o início de 2011. Serão geradas de 200 a 400 vagas por estacionamento. Para desenvolver alguns projetos, a prefeitura firmou convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que apontará a viabilidade técnico-econômica do Hospital Metropolitano do Barreiro, do conjunto de garagens subterrâneas e da rodoviária São Gabriel. “A concretização desses projetos ocorrerá dentro das leis federais de PPP ou de concessão simples. A licitação deverá ocorrer no máximo até o início de 2011”, informa o secretário-adjunto de Gestão Administrativa. Já o Mercado Distrital do Cruzeiro e o centro de convenções terão seus projetos de viabilidade econômico-financeira no segundo semestre deste ano. Estes dois estudos estão sendo feitos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), por meio de convênio de cooperação técnica, assinado com a prefeitura. “No caso do centro de convenções já existe um escopo arquitetônico definido. O valor do investimento deve variar de 200 milhões a 250 milhões de reais. Belo Horizonte tem carência de espaço como este. O Expominas, que é um centro de feiras, tem sido adaptado como centro de convenções”, avalia o superintendente do BDMG, Saulo Marques Cerqueira, que ressalta a sintonia e integração da instituição com a PBH. Para o presidente do BDMG, Paulo Paiva, a prefeitura está fazendo esforço enorme de investimentos, não somente visando à Copa do Mundo, mas a tendo como oportunidade para se investir no município. “O BDMG dará apoio a estes investimentos para viabilizar algumas PPPs”, ressalta. Como ainda não há todas as informações necessárias sobre os projetos que compõem o pacote de investimentos da prefeitura, é impossível avaliar o nível total de recursos e quanto cada empreendimento poderá dar de retorno, por ano, aos seus futuros administradores. Também não está definido o tempo de exploração de cada empreendimento, mas este período deverá variar de 15 a 30 anos, não podendo ser prorrogável. A expectativa da prefeitura é de que as obras previstas, quando concretizadas, acabem com alguns gargalos da cidade. A população agradece! |
InvestimentosObras do pacote de investimentos da PBH
Fonte: PBH |