O empresário Bruno Carneiro tinha 22 anos quando se uniu aos irmãos Flávio e Rodrigo e aos sócios Giuliano Laucas e Rodrigo Ferraz para abrir a boate naSala. O empreendimento completa uma década, fato raro na capital mineira, onde grande parte das casas noturnas sobrevive a um verão. Hoje, aos 32 anos, além de ser o sócio gestor da naSala, que se desdobrou em outros negócios, como a nS Eventos, Bruno comanda junto a outros sócios o The Art from for Mars e a pizzaria Távola. A seguir ele revela os segredos de manter a boate por 10 anos e de fazer do entretenimento um negócio promissor.
De onde veio esse espírito empreendedor?
Aos 14 anos, fui estudar na escola técnica gerencial do Sebrae. Foi a escolha mais sensata que meu pai, o empresário Marco Aurélio Jarjour Carneiro, fez. Ele é dono de uma rede de TV e emissoras de rádio. Percebemos que ao formar um mercado de comunicação era fácil criar uma conexão com o setor de entretenimento. Abrir a boate foi um caminho natural.
Fale-me um pouco sobre a história da naSala.
O projeto surgiu em 1999. Em 1998, eu, os meus irmãos, o Giuliano, o Rodrigo Ferraz e o Marcelo Marent (produtor cultural falecido em 2006) abrimos o Clube MTV, que funcionou como estágio para a naSala. Sabíamos que ele iria durar pouco tempo, mas essa experiência nos serviu como laboratório. No meio do projeto, viajamos para pesquisa em outras casas fora do estado e do Brasil. Queríamos um conceito mais sofisticado, que fugisse da imagem de boate inferninho sem ar-condicionado, onde as compras são feitas em cima da hora e sem planos estratégicos de gerenciamento.
O que fizeram para isso?
Antes de abrir a naSala, conhecemos 125 boates no Brasil e exterior. Fomos a lugares como Ibiza, Nova Iorque, Miami e Barcelona, onde pudemos ver casas noturnas operadas como uma empresa. A Pacha, em Ibiza, na Espanha, por exemplo, tem 42 anos. Era isso que queríamos: uma casa noturna que funcionasse como empresa. Planejávamos também uma boate com conceito mais sofisticado, para público que flutuasse entre 23 e 35 anos de idade, solteiros, casados ou recém-casados, que estivessem já no mercado de trabalho. Não queríamos nada para estudantes.
E como é funcionar como empresa?
A primeira coisa que fizemos foi admitir a nossa falta de competência inicial em gestão. Contratamos os serviços de uma empresa de consultoria empresarial e um instituto de psicologia e recursos humanos para selecionar e treinar os funcionários. Nossa maior missão é a honestidade e transparência com os clientes. O projeto estratégico de organização da empresa durou dois anos, pois queríamos uma boate para perpetuar.
Acredita que conseguiram?
Sim, a naSala mantém clientes que frequentam a casa desde a inauguração como também recicla a cada dia seu público. Há casos de pessoas que começaram a namorar na boate e hoje estão casadas. Também estamos sempre nos atualizando. Em 2008, por exemplo, fizemos uma grande reforma na casa. Entendemos que o que era legal há 10 anos não é hoje. A naSala também se desdobrou. Hoje temos, por exemplo, uma revista, portal na internet e o naSala Eventos que leva sua marca para fora da boate. A naSala se tornou itinerante. Em três feriados do ano, a boate funciona no balneário Escarpas do Lago. A nS participa também da organização de festivais de gastronomia, como o de Tiradentes.