Quarta, 23 de Maio de 2012
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Artigo

O lixo não tem limites

Gerar-se-iam centenas de milhares de empregos diretos ao retirar-se da informalidade os catadores de lixo, que se transformariam em zeladores do meio ambiente

Texto: Wagner Gomes
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Wagner Gomes - Administrador de empresas

O esgotamento dos aterros sanitários, que gera dificuldades para os moradores do entorno, provoca, cada vez mais, a necessidade de que sejam implantadas coletas seletivas do lixo. Os moradores de um grande centro se transformam, ao mesmo tempo, em parte do problema e da solução. O que se percebe nessas áreas degradadas é que o metano (CH4), ao subir para a atmosfera, e o chorume, que por ser líquido, desce pela terra abaixo, agridem a harmonia ecológica, contribuindo para o agravamento dos danos ambientais, que ameaçam o equilíbrio ecológico de nosso planeta. Incentivando uma mudança de postura, o Pro­tocolo de Kyoto assegura substancial crédito, através da venda do carbono não emitido, aos países que obtiverem energia por meios não poluentes. Esse conceito, denominado sequestro de carbono, ao ser consagrado pela Conferência de Kyoto, em 1997, tinha por finalidade desacelerar ou mesmo conter a emissão de CO2 jogada na atmosfera, atenuando o efeito estufa. Dentre tantos fatores que contribuem para a redução concentrada de CO2 na atmosfera, está a maciça recuperação de áreas degradadas pelos aterros sanitários e por aquelas popularmente conhecidas por lixões. É possível, com a moderna tecnologia, dar um tratamento a esses resíduos, inclusive àqueles armazenados há décadas, por meio de processos que permitem extrair o lixo pesado, tipo aço, co­bre, latão, alumínio, pet, papel, papelão, enfim o que se tornar interessante retornar à atividade produtiva. Esse processo, de tão abrangente, permite extrair composto orgânico para fazer adubo e, mesmo as cinzas da queima produzida podem destinar-se ao britamento de asfalto ou incorporar-se ao cimen­to e ao concreto. Gerar-se-iam centenas de milhares de empregos diretos ao retirar-se da informalidade os catadores de lixo, que se transformariam em zeladores do meio ambiente. A queima de todo esse lixo, ordenadamente capturado, produz energia e minimiza o impacto ambiental. Hoje, 35 países conseguem a geração de energia com biomassa e resíduos de lixo, e mais de 650 termoelétricas funcionam, no mundo, com essa finalidade. A planta de uma usina que produz energia, com geração pela caldeira e demais componentes, é construída em área próxima da indústria patrocinadora, que fica habilitada a obter crédito de carbono. Diversos elementos, tipo enxofre, óxido de nitrogênio, metais, enfim tudo o que tiver possibilidade de agredir o meio ambiente, tem que ser monitorado constantemente. Um projeto dessa envergadura tem que ter aprovação da Feam e da Seam, que o regula e estimula. Muito em breve, siglas como CDR (Combustível Derivado de Resíduos) e MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) incorporar-se-ão ao nosso cotidiano, associadas ao conceito de reciclagem do lixo. Para se ter uma ideia da importância desse tema, é interessante saber o que Pan Yue, vice-ministro de estado e Proteção Ambiental da China nos informa: “Na verdade, a China fez o tipo de avanço econômico em três décadas, que exigiria 100 anos nos países ocidentais. Mas a China também sofreu um século de dano ambiental em 30 anos.”

 
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